Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Calo-me!

Calo-me! 


Como deves estar contente, meu amor.

‘Já falaste à Tia Irene?´
‘Olha que tens obrigação de falar… de ir lá visitá-la…´

Eram as tuas recomendações constantes, meu amor.

E, eu
Que já não te tenho aqui presente
Comigo
Não consigo
Deixar de pensar nisto:

Que grande Mãe!
Que excelente educadora!

Fazes-me tanta falta
Queria tanto que estivesses aqui!

Mas, de facto estás e bem presente
Nestas pequenas coisas
Que foram a nossa vida!
Minha querida!

Calo-me, enxugo as lágrimas e fico contente.


15.09.2016

terça-feira, 27 de junho de 2017

Poesia

Poemas da minha vida
Últimos anos

Poesia


Versos?
Não escrevo
Tenho-os todos na cabeça
Estrofes, rimas inteiras
Em poesia sem fim.

Pobre de mim!
Pobre de mim?

Como me atrevo a pensar tal coisa
Eu que tenho quanto preciso
E muito mais que o que mereço!

Através de ti, meu amor,
Peço:

Desculpa, Senhor!


Vila Moura, 12,09.2016

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Coisas simples

Venho já

Se pretende dizer que se vai ausentar por pouco tempo, dizê-lo desta forma é um disparate.

Se diz “venho” quer dizer que já chegou, portanto não é preciso acrescentar o “já”.

Deve dizer: voltarei daqui a pouco tempo e, assim, está correcto.


AMA, 31.05.2017

domingo, 25 de junho de 2017

Cascais

Poemas da minha vida
Últimos anos

Cascais


Há uma semana que estou em Cascais
Dias bons e serenos
Amenos
E, o que é mais,
Sem vento!

Mas, sem eu saber quem
Deu-lhe conhecimento
E achou-se na obrigação
De me vir visitar.

Já lhe agradeci e cumprimentei
E disse-lhe que fiquei ciente
Que já sabia e sei
Que soprava
E soprava.

Mas hoje, não me contive
E disse-lhe cheio de azia:
Assim ninguém vive
Acaba lá com o soprar
Vai para outra freguesia!

Cascais, 31 de Agosto 2016

sábado, 24 de junho de 2017

Coisas simples

Cuidado ao acrescentar uma letra

Acrescentar uma letra pode modificar radicalmente o que se quer dizer:
Por exemplo:

‘Este tipo estás cada vez mais esperto!’

Se se acrescentar a letra d veja o que acontece:

‘Este tipo estás cada vez mais desperto!’

Ou seja: deixa de ser um fulano sagaz, ladino, “esperto”, para passar a ser alguém que está acordado, vigilante, “desperto.

AMA, 31.05.2017


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cuco

Poemas da minha vida
Últimos anos

Cuco

É fim de tarde em Cascais
E não há vento!
Coisa estranha e rara
A que não estou habituado.

Não oiço cantar nenhum cuco
E é hora em que sempre cantaram.

Se calhar estou maluco
Ou talvez traumatizado
Será que os cucos emigraram?
Será a crise ou algo mais grave?

Talvez aquele deputado
Que representa os animais
Tenha resposta para o assunto
Mas, puxando pelo bestunto
O homem se calhar nem sabe
Que raio será um cuco!

Cascais, 29.08.2016

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Zero!

Poemas da minha vida
Últimos anos

Zero!


Queria que, logo de manhã
Já fosse noite
Que não houvesse vento
Que não houvesse nada!

Nem eu sequer seria
Uma pessoa
Mas apenas um estro
Voando a esmo sem rumo
Sem asas.

Queria que as casas
Não tivessem telhado
Portas nem janelas
E que ninguém morasse nelas.

Queria… e não quero
Ficar sossegado
Bem comportado
Reduzido ao que sou:

Zero!

Carvide, 22 de Agosto 2016

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sede

Poemas da minha vida
Últimos anos

Sede


Me siento
Sediento
De felicidad
Y por de dentro
En el más adentro
La verdad
Es qué estoy
Contento
Con esta oportunidad
De disfrutar.

Abensoados nietos
Qué me dan tal sentimiento!

Porto, 12.08.2016

sábado, 17 de junho de 2017

Aniversário

Poemas da minha vida
Últimos anos

Aniversário

Se estivesses aqui, ao pé de mim
Como eu queria
Celebraríamos os teus anos
Setenta e quatro!

Mas… não estás e, assim,
Na mesma celebramos
Tu no Céu
E… eu…
Pobre de mim,
Certíssimo do amor
Que me tens Alma minha,
Soluço sozinho:

Parabéns, Fernandinha!


28.06.2016

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Vento e mais vento!

Vento e mais vento!
Poemas da minha vida
Últimos anos



Parece que de facto
Eu e o vento
Temos um pacto:
Para onde um vem
O outro também!

Isto tem de acabar
Este soprar
Intermitente
Mas persistente
Tem de terminar.

Há que ver:
Ou eu ou o vento
Os dois ao mesmo tempo
É que não pode ser!

Malta, 22 de Maio 2016

terça-feira, 13 de junho de 2017

Aniversário

Poemas da minha vida
Últimos anos

Aniversário


Não me dá muito jeito
Ter feito setenta e seis anos de vida
Confesso
Que estava à espera
Que esta quimera
Fosse esquecida,
Mas não para meu interesse
Mas porque não há outro remédio.

O assédio
Que a vida me faz
Não me deixando em paz
Leva-me em frente
Não sei porquê afinal.

O assunto não me interessa
Nem me tira o sossego
Mas aborrece-me já disse
Mas não há nada a fazer
Tenho de viver!

Resta-me uma certeza
Que é consolação:

É a primeira e última vez
Que tal me acontece
Setenta e seis anos
Que não são poucos nem demais
Não os farei nunca mais.

Porto, 2016.04.15

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Coisas simples – 28

Bife com ovo a cavalo

Não pode ser!

Um ovo não anda a cavalo, porque não consegue, e porque um ovo não tem vontade própria.

Ora, andar a cavalo é um acto deliberado da vontade, donde se vê claramente a impossibilidade.

Portanto, diga antes:

Um bife com um ovo… e depois é só definir como quer o bife e o ovo:

Ovo em cima do bife; ao lado do bife; por baixo do bife.

Mas é importante acrescentar como quer o ovo, por exemplo: cozinhado – e como – ou cru e, neste caso, com casca ou sem ela.


(AMA, coisas simples, 23.03.2017

domingo, 11 de junho de 2017

Adelante!

Poemas da minha vida
Últimos anos

Adelante!


Adelante, adelante!
És el grito que no puedo impedir
Qué me acose constantemente
Y me quedo sin saber
Qué significa esto:

Adelante?

Pero donde y cómo?

Todo yo o solo un resto
De lo que me queda vivir?

Adelante no te quedes
No dejes la vida pasar
Cómo se estuvieras ausente
Asistiendo a un drama
Qué no interesa ni vale.

Tu... Adelante sigue en frente
Deshace te de esa trama
Qué es tarea perdida
Y vete a encontrar la vida!

Malta, 14.05.2016

sábado, 10 de junho de 2017

Coisas simples – 27

Estou-me nas tintas!

O “me” altera toda a frase e não é absolutamente necessário.

Por outro lado, há que considerar que se disser: ‘estou nas tintas’, pode ter que explicar quais tintas em que está mergulhado.

Se assim for, o mais natural é que fique pintado, mas não o deve dizer a ninguém em caso algum, em primeiro lugar porque é um disparate e, depois, se lhe for pedido, terá de explicar porque o fez.

Se o que quer dizer – parece – é que está desinteressado então… o melhor é dizê-lo claramente.


(AMA, coisas simples, 23.03.2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Viver

Poemas da minha vida
Últimos anos

Viver


Tenho de viver todos dias
(E as noites também)
Com uma força que não tenho
Com ânimo que não vem
Do simples desejo de querer
Outras coisas que não sei
Não conheço nem adivinho.

Não... não estou sozinho
Nesta luta diária, constante
Ando para trás e para diante
Parar não posso nem quero
Sei que morro a cada instante
E que me levanto outra vez
Mais vivo se possível,
Desperto e preparado
Para o que passa acontecer.

Viver?
Sim, viver!...


Malta, 08.05.2016

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Coisas simples – 26

Quero lá saber…

Bem, esta é uma expressão completamente errada.

Lá… onde?

Para que serve o “lá” se não acrescenta coisa nenhuma?

Fica-se sem saber onde quer saber, o que é maçador, pelo menos.

Se a expressão, pelo menos em português, significa a negação de querer saber, então, talvez seja preferível dizer:

‘Não quero saber’, e ponto!



(AMA, coisas simples, 23.03.2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Ganas de vivir

Ganas de vivir
Poemas da minha vida
Últimos anos



Siento un temblor encadenado
Con hilos de oro y platina
Qué me condiciona la mente
Mescla de futuro adivinado
Y un lejano sentimiento ausente
De una otra vida vivida.

Cómo se estuviera presente
Toda la memoria querida
De un tiempo inolvidable.

Un nudo bien atado
Qué me trae sufocado
Y se torna insoportable.

Pero con claridad meridiana
Veo todos los días por venir
Y cuando el de hoy sea pasado
Vendrá el de mañana
Con más ganas de vivir.


Malta, 04.05.2016

terça-feira, 6 de junho de 2017

Churrasquinho

Poemas da minha vida
Últimos anos

Churrasquinho


Vi um passarinho
Pendurado num raminho
De oliveira
E, a pontaria foi certeira
Veio abaixo, coitadinho.

Depois de imenso trabalho
Que me deu a depenar
Foi com muito carinho
Que o pus numa frigideira
Com um fio de azeite a fritar.

Assim todo nu
Sem sequer protestar
Pus-lhe um dente de alho
Enfiado bem no cu
E uma noz de manteiga
Só para aconchegar.

Passarinho… pardalinho
Que coisa mais saborosa
Para o meu jantar de anos.
(Se fossem três ou seis)
Ou mesmo para a ceia.



Mas tenho cá na ideia
Que seria bem mais primorosa
Se fossem setenta e seis…


Porto. 2017.04.12