Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



domingo, 29 de junho de 2014

Jantar II

Tinha, e ficaram por dizer
Muitas coisas
Importantes?
Creio que não.

Já nem me lembro bem do que eram
Mas, na altura, pareciam-me a propósito
Vá-se lá saber…

Apetecia-me dizer que estava feliz,
Muito, muitíssimo contente,
Parecia-me ter comigo um depósito
De coisas sábias e relevantes
Importantes
Que urgia revelar.

Estultícia minha
E vão sentir
Que não posso deixar de me rir
Com a indulgência
Que me dei.

Bom, a urgência
De escrever isto
Vem da hora tardia que acontece
Desculpa, Filha, que te mace
Com isto que não é nada
E fenece.


2010

sábado, 28 de junho de 2014

Jantar

Saí do meio de um vendaval
Ventos contrários,
Uns,
Muito a favor
Outros,
E, eu, no meio tentando que no estendal
Não ficassem farrapos
De coisas por dizer
Que nem por amor
Se guardam para cada um.
Difícil?

Sim, muito, e complicado
Porque o se diz para o lado
À frente é mal interpretado
E estabelece-se uma discussão
Sem sentido nem nexo.

Fale a gente de sentimentos puros
Ou do mais arrebatado sexo
Ou comportamentos duros
Sem grande sentido ou afinidade
Com a conversa que decorre.

Pura e simples veleidade
Nada do que se diz tem valor
Ou a importância que lhe queremos dar
O que resta, só
É um pouco de dor
Talvez, por acaso, dó.

Bolas, digo eu, tempo perdido
(que é algo a que estou habituado)
Mas caio em mim, agradecido
Por afinal me terem escutado.


(Em casa da Marta, 2010.08.08, depois de um excelente jantar)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Samaritano

Como pode ser-se samaritano
se se tem vazia a mente
e o coração numa couraça?

Ter comportamento desumano
passar pelos outros indiferente
pôr-lhes na boca uma mordaça
para não ouvir os seus ais!

Quanta injustiça eminente
e desprezo pelos demais
ter preconceito de cor ou raça
não olhar o outro como irmão
ainda mais se é um desgraçado
sem casa nem fortuna pessoais
negar-se a estender-lhe a mão
rejeitá-lo e pondo-o de lado
como  uma coisa sem interesse
sem qualquer valor ou bem
como se um homem não valesse
pelo que é e não pelo que tem.


2009

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Trinda

Vejo-te sempre a passar
De um lado para o outro
Num constante cirandar
Sempre muito ocupada
Em actividade frenética
Como se estivesses ligada
A uma corrente eléctrica.
Valha-me Deus, rapariga
Que não paras um segundo
Que até há quem diga
Que se vai acabar o mundo.

Já fiz, já está pronto,
Podem vir já está na mesa,”
E muito mais que nem conto
O empenho, a dedicação a despesa.

Valha-me Deus, minha irmã
Que seria de nós sem ti
Quem haveria de tudo arrumar
À noite e logo de manhã
Mexendo por aqui e por ali
Num torvelinho de preocupação
Pelos ausentes e pelos que estão
No teu enorme coração.



Carvide, 2009

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Milhões!

Estou deitado
preparado
para dormir.
Acaba mais um dia
desta minha vida
vazia
sem nenhuma novidade
interessante.

Fiz planos para a quantia
que vou ganhar
como vou aplicar
tanto dinheiro.

Talvez amanhã seja o dia
talvez...
que loucura tão rematada
gastar tempo com sonhos
mas será assim tão mau sonhar
fazer planos, arquitectar
coisas e loisas,
projectos e visões,
quiméricas ilusões
pacíficos devaneios
de Euro-Milhões?

Coisas de antes de adormecer
sem querer
valer.


Carvide, 2009

terça-feira, 24 de junho de 2014

GROSSERIA IMPERDOÁVEL

Oh como me penitencio
da imperdoável grosseria
que há uns dias cometi!
Que foi sem querer, evidencio,
mas nem por isso eu deveria
ter-me esquecido que comi
um jantar tão agradável
em casa do meu ''Piquinho'';
grosseria imperdoável
do teu querido Paizinho.

É portanto envergonhado
que peço o teu perdão
esperando estar desculpado
depois desta confissão.

Carvide 2009

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sócrates

Ele fala como um livro aberto
e franze  sobrolho direito
armado em Chico Esperto
a ouvir disparates contrafeito.

Sim, como se pode admitir
que alguém saiba mais que ele
isso dá-lhe vontade de rir
tem o saber à flor da pele
eis o que respira confiante
cheio de orgulho e empáfia
o grandessíssimo tratante
o responsável desta máfia
que finge que nos governa
deixando-nos sem eira nem beira
enquanto nos vai passando a perna
e enchendo a algibeira.


2009

domingo, 22 de junho de 2014

Disformidade

Tempo de pensar detidamente
no que  se passa comigo
no que acontece com frequência
em tudo o que surge de repente
no domínio que não consigo
da minha mente e consciência.

Deixo-me ir quase sem lutar
embaraçado com tal situação
que não desejo nem procuro
mas que não cessa de assaltar
a alma, o estro o coração,
sujando o que tenho de mais puro.

Coisa assim como um vídeo-jogo
uma atitude mecânica e trivial
absorvente mas também revoltante
que me devora como um fogo
que reduz a cinzas no final
de um sacrifício delirante.

Não consigo ir mais alem
na descoberta do que acontece
dar nomes a estas coisas informes
que me reduz e alenta também
ressuscitando o que em mim fenece
numa letargia e cansaço enormes.


2009

sábado, 21 de junho de 2014

O que seria de mim?

Quantas vezes me interrogo pensando
no que seria a minha vida sozinho
tudo o que construímos desabando
enchendo de escombros o caminho
e não consigo imaginar sequer
o que seria, então, o meu viver
sem a tua presença a meu lado
o que seria o meu fado.

Nuvens negras num horizonte
cujo fim estaria logo ali
logo depois desta ponte
que sempre me ligou a ti.



2009

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Novelas II

Na novela eles beijam-se,
tinha fatalmente acontecer
sem beijos não há novela.

Encontram-se, depois deixam-se
ora deitam tudo a perder
mente ele e depois mente ela.

Mal-entendidos constantemente
levam-nos a voltar-se as costas
até que num súbito repente
um diz: é de mim que tu gostas.

Isto repete-se vezes sem conta
às Segundas ela gosta dele
às Quintas ela faz de tonta
no Sábado acaricia-lhe a pele.

E vive-se assim semanas a fio
uma história conhecida de antemão
e cada vez sinto mais fastio
de ver e ouvir televisão.


2009

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Queres-me

Sei que me queres
e que bem no fundo
e se realmente quiseres
iremos ao fim do mundo.

Não importam os revezes
que tão amiúde a vida traz
nem as constantes vezes
que temos de voltar atrás.

Vencemos sempre é verdade
com uma sorte incrível
se bem que a realidade
parece  torná-lo impossível.


2009

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tempo

Tempo
Parece ontem…
Mas não é!
Hoje quase no fim
Lembro-me de mim
Do que fui e fiz
Do que pretendi
e quis
julguei necessário
e,
perdulário,
esqueci.

Tempo que foi
Tempo que passou!

Há flores no canteiro da vida
Um leve aroma no ar
Alguma lágrima assomou
Assim, de fugida,
Como envergonhada fraqueza!

É, realmente, uma beleza
Ter vivido estes anos
Todos,
Sem ter dado por isso,
Nas janelas, panos,
Nas escadas, lodos
O caminho escorregadiço.

Vá lá!
Não sejamos mórbidos
As coisas são o que são, a vida é o que é!

Para já o que mais dói:
Os amores tórridos
Da juventude adiada
Já não são mais que fé
Que tudo voltará a ser como foi!


2011.04.12

Astros V

Parece que fico sem ouvir
as composições, árias e concertos
o génio feito música grandiosa
tem o poder de me fazer sentir
parte de uma magia poderosa
onde não há falhas ou desacertos.
Oiço embevecido a Sexta Sinfonia
a que também chamam Pastoral
agora é noite, mas se fosse dia
o resultado seria igual.

O fantástico inventor de sons
que se chamou Beethoven
não tem que possuir mais dons
para que para sempre o louvem.

Agora deleito-me com outro mágico
que à música deu um esplendor
numa riqueza de sons espantosa
com um diferente e único valor
numa experiência tão valorosa
que se esquece o pendor letárgico.

Schubert é o músico que me encanta
na sua sinfonia que dizem inacabada
eu, sinceramente não o sei
mas acho que não lhe falta nada
para que o considere como um rei
de uma música que sempre me espanta.

Piano, violoncelo, oboé
fagote, harpa, violino
chega a usar canhões até
para engrandecer o seu hino.

Mil Oitocentos e Doze baptizou-o
como abertura que seria triunfal
que acabou por ser um fantástico final
e por isso o Bonaparte odiou-o.

Tchaikovsky, nome difícil de pronunciar
foi o génio que o concebeu
para o que estava habituado a triunfar
e que, afinal, o Inverno venceu.


2009

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pobre Portugal

Andam por aí uns sujeitos
armados em sabichões
a inchar muito os peitos
emitindo opiniões.

Sabem tudo de tudo falam
são como livros abertos
e mesmo quando se calam
continuam os desacertos.

Têm filósofo no apelido
e tudo fazem por merecer
mas de pouco lhes tem valido
para filosofar a valer.

Ai pobre do meu Portugal
metido em tamanho aperto
que este desgoverno afinal
parece não ter mais concerto.


2009

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Como sei?

Como é que eu sei
que o céu é  azul
o mar é fundo
e à noite tudo é escuro?

Como é que eu sei?
Alguém mo contou?

Será que estudei
ou foi o mundo
que mo ensinou?

Preciso saber
tenho de resolver
esta questão
se não
posso morrer
sem conhecer
a razão
porque o sei.

Vi agora na televisão
um casal a beijar-se
com paixão,
ela, bem bonita
ele, um canastrão
que teve a dita
de ser contratado
apesar de ter ultrapassado
a idade para galã.

Ainda esta manhã
pensei no trabalho
que não tenho
apesar do que valho
e do empenho
com que o procuro
e do que aturo
por não o ter.

Vá-se lá saber
se sei ou não sei
ou como é que sei.


2009

domingo, 15 de junho de 2014

Astros IV

Cá está o Cohen uma vez mais
o homem canta muito e bem
não suspira nem dá ais
murmura cantando os versos
com voz rouca e profunda
cruzando caminhos diversos
numa lógica que sempre tem
e onde a surpresa abunda.

Canta a vida comum e banal
num ritmo solene compassado
a vida que todos vivem afinal
ou pretendem deixar de lado.

Vidas que só não são banais
porque o Cohen lhes dá grandeza
convertendo pequenos sinais
em sons de particular beleza.

Just some Joseph looking for a mingier''
that's one of the most beautiful
with a  pointed searching finger
he perform his story in full.

I say: let him sing again and again
listening Cohen I become guessing
that all the discomfort and pain
are no more present and pressing.


2009