Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



sábado, 31 de maio de 2014

Retorno

Há no ar um perfume
De adeus breve
E dramático.

Como um queixume
Um estertor leve
E estático.

O coração em lume
Que se atreve
Mediático
Que assume
Que já teve
Retorno simpático.


2010

sexta-feira, 30 de maio de 2014

João Capelo Gaivota

João Capelo Gaivota

Voa, voa João Capelo Gaivota
nas asas do vento Norte,
quebra as dobras do mar
não te desvies da tua rota
mesmo que sopre mais forte
nunca pares de voar.

É a tua vida Gaivota João
voar sempre num desafio
ás leis da estática e gravidade
e só deves poisar no chão
no meio do rochedo mais frio
para garantir a posteridade.

João Capelo Gaivota, Albatroz
senhor dos céus e dos mares
voa pairando num golpe de asa
segue teu fado e destino atroz
nasceste para sempre voares
o céu e o vento são a tua casa.

2009.05.20

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Desejo

Desejo

Como eu desejava ser capaz
de escrever com algum sentido
deixar de ser tão falaz
e ser mais comedido.

Tirar um curso, se tal houver,
para ver se aprendo
a escrever.

E passar com boa nota no fim
para ter bom resultado
e, tendo,
ficar definitivamente provado
que sou  um poeta enfim.

Porto,2009.05.19

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Aniversário

Verinha
Fazes dois anos minha neta
os dois primeiros de uma longa vida
é a minha esperança que a meta
esteja muito longe, minha querida.

Dois anos! coisa mais linda
quem mos dera eu ter hoje
ser como tu pequenino ainda
e não sentir que o tempo me foge.

Ah! minha querida Vera
como é bom olhar para ti
sem ter que ficar à espera
dos dias todos que já vivi.

Tão feliz me sinto não nem sei
se é por ser festa o dia de hoje
ou se apesar de tudo acordei
e sinto que o tempo já não me foge.

                                                                               Do Avô, 2009.04.26

terça-feira, 27 de maio de 2014

Caça

Caça
Ventas ao vento nordeste
ia a Zara a cauda abanando
na pista da codorniz esquiva
ai que alegrias me deste
minha Zara, princesa e diva
há tempos já não sei quando.

Era eu mais novo e disponível
mão corrida e tiro certeiro
o que é hoje quase impossível
e isto para ser verdadeiro
arrastando as pernas e o joelho
que me morde sem piedade!

Qual codorniz, qual coelho
nem que os tivesse mesmo ali
lhes acertaria com um fogacho
e não sinto qualquer vaidade
de me confessar agora e aqui
o infeliz caçador que me acho.

2009.05.18

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Absorto

Absorto

Tenho estas coisas nos ouvidos
para ouvir só o que quero ouvir
deixo os gestos adormecidos
fico sem pensar nem sentir
Armstrong, Cohen, Chopin
uma tremendíssima confusão
mais qui sonnent fort bien
fazendo concerto de ilusão.
I'm ready for a little more
assim ponho Schubert a tocar
num piano de magia superior
but I should heard it before
assim... como para me preparar
para um derradeiro encore.


2009.05.18

domingo, 25 de maio de 2014

Histórias

Histórias

Nesta sala onde me reviro
do avesso,
existem umas vivas memórias
quando para aqui me retiro
e atravesso
fugazmente muitas histórias.

Se são importantes não sei
nem importa
não são minhas não as comprei
em nenhum centro comercial
ou à porta
a qualquer vendedor ocasional.

Mas são histórias lá isso são
verdadeiras ou não.

2009.05.15

sábado, 24 de maio de 2014

Trapalhada 2

Trapalhada 2

Coisas sem nenhuma explicação
que não acontecem por acaso
viram do avesso a minha vida
convertem tudo em plano raso
sem possibilidade de conversão
não me deixando outra saída
que voltar para dentro de mim
e fechar-me a sete chaves
não deixando nada entrar
que me possa aborrecer
assim,
mesmo sem eu querer,
mesmo sem eu mandar,
encerro-me nas minhas caves
escuras, húmidas, soturnas,
cheias de escuridão,
e teias de aranha,
lembranças de gestas diurnas
cheias de truques e manha
ou não!

2009.05.15 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Trapalhada

Trapalhada

Vamos lá a ver se me entendo
nesta trapalhada infernal,
trocas e baldrocas a esmo
miscelânea que não recomendo
nem ao  inimigo mais figadal
e muito menos a mim mesmo.

Coisas inertes quase paradas
micróbios e raras doenças
chagas purulentas e raras
próprias de pessoas acamadas
salários pagos em avenças
a personagens com duas caras.

Tudo coisas muito estranhas
pouco comuns ou habituais
mentiras por todo o lado
chegam a alturas tamanhas
que nem parecem anormais
se vistas com pouco cuidado.

Mas, eu, sei sou muito esperto
que tudo isto não vale nada
ou não sei o que possa valer
não tenho um espaço aberto
ou qualquer um vão de escada
para que as possa esconder.

Porto, 2009.05.14 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Horas mortas

Horas mortas

Horas mortas de televisão
imagens várias que vão passando
como não houvesse senão
um tempo para ir matando.

Horas completamente  inúteis
que não interessam a ninguém
coisas vãs, dispensáveis, fúteis
que não valem um vintém.

Horas que não quero nem desejo
que outro alguém possa querer
num futuro que antevejo
de muito difícil viver.

Horas  mortas em que o estro
jaz  como morto ou adormecido
acorrentado  num sequestro
de ideias sem  nenhum sentido.


Porto, 2009.05.10  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Caminhando

Caminhando

Sinto que vim de outras paragens
muito longe daqui onde estou
perdido em tresloucadas  viagens
sempre em busca quem sou.

Esqueço de vez o meu passado
não quero lembrar-me dele
não quero ficar agoniado
com suor à flor da pele.

Tudo já passou felizmente
foi tão só como um mau sonho
que entrevejo só fugazmente
que não me atinge como suponho.


Porto, 2009.05.09

terça-feira, 20 de maio de 2014

Espelho

Espelho

Fugi errático, desnorteado,
louco de susto e de pavor
atrás de mim vinha apressado
o outro que deixara com rancor.

Raiva de mim que então sentia
autêntica e completa aversão
por um homem que não sabia
era desprovido de coração.

Um homem rude e insensível
incapaz de qualquer bom acto
uma acção séria e credível
um verdadeiro estupor de facto.

Por isso eu fugia desesperado
de algo que não quero nem desejo
possa realmente ser outro lado
deste espelho em que me vejo.


Porto, 2009.05.08

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Esposende 4

Esposende 4

Sopra uma brisa do mar
que sobe a encosta até aqui,
vento fraco que faz vibrar
a folhagem verde do arvoredo
e arrepia a relva verde do prado.

Eu fico-me quieto, sem medo
sinto-me bem aqui sentado.

Banco de pedra em Esposende
onde sentado vou navegando
cheirando o mar que ao longe sinto
sossego de paz e tempo brando
eflúvios de vinhos e absinto.

Que rima! Eu sei, coisa pouca
mas na postura um pouco louca
de um poeta falhado e perdido
tudo, ou quase, é permitido.



2009.05.03

domingo, 18 de maio de 2014

Esposende 3

Esposende 3

Gostava de escrever algo
belo, maravilhoso, sentido,
mas saem-me coisas adrede
e sinto-me quase perdido
que de campónio ou fidalgo
tudo apanha de embrulhada.

Resta-me pouco, quase nada
nem figura tenho nem vontade
de lutar contra esta maré
não tenho vício nem maldade
quero apenas ficar em pé
preso nas malhas duma rede

2009.05.03

sábado, 17 de maio de 2014

Esposende 2

Esposende 2

Uma rola canta e eu penso:
o que será ser uma rola?

Fico-me a olhar o céu imenso
e sinto ganas de voar...
mas, não posso, não sou rola
nem ave nenhuma porque penso,
coisa que é própria do humano.
A lógica leva-me a afirmar:
se és homem, não podes voar.


2009.05.03

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Esposende 1

Esposende 1

Afinal, consigo ver o mar
por entre um cedro e um ulmeiro.

Oiço-lhe distintamente o marulhar
mas não consigo vê-lo inteiro
não obstante e a pesar
da lembrança que dele tenho.

É tão ferozmente misterioso
que se protege do meu olhar
que aplico com todo o empenho
em procurá-lo ansioso
entre um cedro e um ulmeiro.


2009.05.03

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Crise II

Crise II

Trabalho, trabalho onde o  há
todos o buscam ansiosamente
como bem único indispensável
com gestos de desespero já
que a necessidade  premente
converte  tudo em irrealizável.

Trabalho, um trabalho qualquer
e pouco importa a remuneração
qualquer coisa é melhor que nada
no local que tiver de ser
seja qual for o local, a nação
seja a tarefa ligeira ou pesada.

Trabalho simples e discreto
humilde, anónimo sem nível
não se escolhe como trabalhar
desde que seja bem concreto
algo que seja sólido e credível
que acabe de vez este penar.


Porto, 2009.05.01

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Performance

Performance
Canta e toca o Armstrong
what a beautifull world
e outras modas conhecidas
Jack the Knife etc e tal
e eu vejo-me no Monumental,
era um miúdo então,
o que ele cantava não
percebia nem patavina
mas cantarolava em surdina
o que conhecia de cor
e que jamais esqueci
Jack the Knife etc e tal
aliás nesse dia também vi
a grande Ella Fitzjerald
que dois meu Deus!
sorrisos abertos que eram seus
dentes muito brancos a brilhar
e a trompete sempre a tocar
como se tivesse vida genial.

Foi numa tarde no Monumental

2009.05.18 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Crise

Crise

Tempo de vacas magríssimas
Escanzeladas pelas privações
Tempos de dúvidas e temores
Só despesas, receitas raríssimas
Futuros de males e de dores
É esta triste realidade
Que o tempo presente
Apresenta
Com máscara da verdade
De quem o consente
E alenta.
Serão todos julgados
No tribunal da razão
Esses todos descarados
Que se fartam com avidez
Roubando aos demais o pão
Da escassez.


Porto, 2009.04.31