Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Quem?

Quem?

Ouvi há pouco uma voz
que não soube identificar
foi súbito, passou veloz
não deixou rasto no ar.
Quem seria, quem seria
que queria falar comigo
e se falasse o que diria
imaginar eu não consigo.

2009.07.01 23.15

terça-feira, 29 de abril de 2014

Véspera de aniversário

Noite negra de pensamentos
Vários temas de discussão,
Dentro de mim,
Em turbilhão,
As memórias cruzam-se sem fim
Entrechocam-se os sentimentos
As memórias líquidas dos defeitos
Esbatem as ténues marcas das virtudes
Apagando definitivamente os seus efeitos.
Ah! Sessenta e sete anos feitos!
Tanto tempo e tão pouco
Desfeitos novelos de quimeras
Sonhos vários e fantasias
Coisas de são e de louco
Conquistas quase todas efémeras
No tumultuoso passar dos dias.

Vinde todos os que estais parados
Na berma da estrada que percorro
Assinalai-me com o vosso protesto
Dos encontros desencontrados
De tudo aquilo para que não presto
Vinde rápido em meu socorro.

Deixai-me…quero ficar só
Sozinho como quase sempre tem sido
Tenham por mim um pouco de dó
Suave desconforto de um vencido!

Porto, 11.04.2007

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Natal

Ontem à noite,
Enquanto falava o João,
Pareceu-me ver em cima da mesa
Pedaços do meu coração.
Em cada migalha,
Pedacinho de pão
Vi-me repartido como ilusão
Ante os que me fazem falta…
Tanta falta!

O Pai, a Mãe
O Manel Zé e a Belinha
O João e o Zé Maria
Os avós, o Tio Júlio.

Dei comigo a pensar,
Enquanto falava o João,
Como o tempo passa a voar
E, de repente, passaram tantos anos!

Quero exprimir um desejo:
Agarrem-se a nós,
Irmãos, Filhos, Netos, Sobrinhos, Tios,
Agarremo-nos todos uns aos outros
Única forma de sobrevivermos.

Não somos homens perfeitos
(eu não conheço nenhum)
mas mesmo com os nossos defeitos
Somos únicos e irrepetíveis.

Pronto! Já apanhei os bocados,
Devolvi o coração ao peito
E o que vos disse com pouco jeito
Quisera que fosse belo e brilhante,
Nunca visto!

Mas do estro não colaborante
Só me saiu isto!


Carvide, Natal 2006

Na morte de minha Mãe:

Num dia de Agosto de há muitos, muitos anos, na Praia do Pedrógão, ofereci à minha Mãe uns versos; os primeiros que lhe ofereci:
Estou assim:
Calmo
Estranhamente calmo
Rítmico e melopeico
Como um salmo
A recitar-me a mim

Estou, não é a primeira vez
Que me fico calmo
A batalhar
Traindo respostas para dar
A inúmeros
E agudos porquês.
Disse-me:
‘São bonitos. Gostei. Deves escrever mais’.
E, de facto escrevi, escrevi muitos e, desses, bastantes foram dedicados a ela.
Ontem, escrevi os últimos que lhe dedico:
Tenho por adquirido
Ser sempre para nosso bem
Tudo quanto Deus quer
Porque se eu tivesse escolhido
Quem seria a minha Mãe
Decerto que teria sido
Tão extraordinária mulher.
                                                    


Missa do Funeral de Minha Mãe, Monte Real, 23 Fev 2006

sábado, 26 de abril de 2014

Minha querida Rita:

Sem pretensão, deixa-me que ponha na tua boca
Algo que sei que poderias dizer hoje ao teu marido:
____________

Oh Zé Alberto:

A gente olha para trás
Para o tempo que passou
E nem quer acreditar ao que vida nos levou.

Tantas coisas, algumas boas e outras nem tanto
No dia a dia aparentemente igual
Com alegria, tristeza e até... pranto
Mas vivendo, pois que mais queremos
Se foi para isto que nascemos.

E deito contas, e faço equações,
Aparecem-me, sem querer, recordações
Algumas das quais queria esquecer.
Mas, no final, sai tudo certo e conclusivo:
Que foi bom, que tem sido bom viver
Para chegar aqui e constatar
Que dos frutos que pensámos criar
Está aqui um mais real e positivo
Que poderíamos imaginar.

Quando um filho faz dezoito anos
A gente esquece tudo e lembra tudo
Não quer mais nada e quer muito mais
E fica-se tão completo, feliz e contente
Que pensa quase infantilmente:

Não é este querido filho meu
Que faz dezoito anos:

Sou EU!

Décimo Oitavo aniversário do meu sobrinho neto Lourenço, Porto, 27 de Julho de 2005

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Wagner

Esta música fantástica
que me preenche todo
me inunda e faz vibrar
deixando-me arfante
do gozo sublime
de poder escutar.
Oh maravilha que é ouvir
os sons que me envolvem
numa mágica de sentir
vivo e saborear o espírito
de Wagner ainda vivo
nesta música magistral
vibrante de sons e cor
do seu ''Holandês Voador''
2009.03.23

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Apófise

Vinde a mim ó tristes vozes
Que na escura noite vagueiam
Sem quem as oiça ou se importe
Com o que dizem e anseiam
Feridas abertas dores atrozes
Sem um carinho que as conforte
Nem sei bem nem tenho o vagar
Para considerar com muito detalhe
Cada som, requebro ou efeito
Que mais não fazem senão indagar    
Por um lençol que as amortalhe

Vinde a mim volto a chamar
Estou aqui pronto e disposto
Faço tudo o que for necessário
Mesmo que seja a contragosto
Imolando tudo no meu altar
Cobrindo-as com um sudário.
               
Vozes tétricas, terminais
Que nada dizem ou significam
Ruídos avulsos sem sentido
Que não obrigam ou justificam
Que as queira ouvir nunca mais
São ecos de um sonho já esbatido.

Porto, 2009.03.16

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Diário 23 Abr 2014



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Expectativa III

Amanhã, sim é o grande dia
Que há já tantos dias espero
Numa longa, sofrida esperança
Que bem dentro de mim ardia
Queimando logo o desespero
De não ver nenhuma mudança
É o dia, amanhã, finalmente
Que irei, talvez saber o destino
O que vou pensar, urdir, fazer
Nos dias que tenho pela frente
Do resto da vida que não atino
E que em vão faço por merecer. 

Porto,2009.03.17

terça-feira, 22 de abril de 2014

Diário 22 Abr 2014



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Ignorância

Quero lá saber
Diz-me uma voz interior
Que tenho por amiga certa.
Quero lá saber!

Pela porta aberta
Da minha fraca vontade
Entra esta decisão
De não querer saber

Para quê, saber o que há
Em redor, por onde vou
Donde vim ou onde estou
Quanto é que pode valer

Isto e aquilo que já tive
Onde ainda guardo cioso.
Quero lá saber!

Fico ansioso
Mas não quero saber!

Porto, Maio de 2005

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Diário 11 Abr 2014



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Jantar na Foz

Acabei agora mesmo
De vir de um jantar
Em casa do João
E da Luísa.
Que coisa boa e  discreta!

Uma solenidade “recta”,
Quer dizer,
Sem eufemismos, complicações,
Uma açorda, talvez agriões,
(ou seriam espinafres)
Nós, à mesa, os quatro
Como se fossemos muitos
Milhões...

Não...
A família não é assim tão grande!
Mas, de qualquer modo éramos muitos!

Até vieram recordações
Vídeos, coisas modernas,
Afinal, são eternas
E por mais que a gente queira,
Mais tarde ou mais cedo
Voltamos ao mesmo:

O meu Pai...
A minha mãe....
Olha...a minha prima,
Agora...que idade tem?

A gente fica ali,
Sentada sossegadamente
Vendo as imagens passarem
Rapidamente
Aos nossos olhos lacrimosos.

E, isto porquê?

Ah! Porque somos assim, uns “chorosos”

Quando se trata de lembrar
os que já não estão com a gente
todos os dias da nossa vida.
Ficamos ali a olhar
O vídeo “recordativo”
De um tempo que desejaríamos normal
E não emotivo
E que até, convenhamos, nos faz mal
Recordar.

Mas, por estranha alquimia
Temos esta mania
Atávica e dolente
De lembrar o passado distante,
Ou talvez mais recente.

Pessoas queridas e amadas
Registos de coisas passadas
Passadas sim...num instante!

Valha-me Deus Nosso Senhor
E à minha gráfica memória.
Mais valia ter o pendor
De esquecer toda a história
Desta família tão grande.

Não tenho o mínimo valor
Para escrever sobre tais eventos.
Por muito que os meus intentos
De oficial prosador
De toda esta gente “Alves”

(Mexia, antes, faz favor,
Que assim sabe-se quem somos,
Adivinham-se os tormentos
Que a falta de valor
Me tem feito sofrer!)

Dizia eu...Alves, pois então,

Família a sério, numerosa,
Como mandam as regras
(E preconizava Salazar)
Um estandarte, um pendão,
Coisa séria e muito honrosa,
Maneira de ser e de estar.

Bom... o jantar....
Foi daquelas coisas agradáveis
Que só por serem as pessoas que são
Se tornam notáveis.

O ambiente, o ar...
Tudo, enfim, a condizer. 

Não
Por ter de ser,
Mas porque a Luísa e o João
Sabem receber
Os “chatos dos tios” que desfiam
Histórias passadas
Contos antigos
Coisas ultrapassadas
De outros amigos
Que eles nem conhecem.

Só que, serenamente
Educadamente,
Vão ouvindo e dizendo que sim
Que até ouviram falar...

O tempo passa...enfim...

A meia-noite acabou de “dar”...

Fico calado,
Mas,  por mim,
Apetecia-me ficar
Mais um bocado.


Porto, Outubro de 2004