Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



segunda-feira, 31 de março de 2014

Diário: 30 Mar 2014



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    Céu Particular

    Há pouco no Céu particular,
    Que no silêncio contemplo
    Descortinei amargurado,
    Uma estrela com um cintilar
    A que não estava habituado.

    Estrela nova, muito recente
    De que nunca vi exemplo,
    Com um brilho tão desusado,
    Das outras estrelas tão diferente
    Que parecia brilhar sozinha
    Fazendo-me lembrar o brilho
    Dos doces olhos da Belinha.


    Porto, 19 de Julho de 2001

    sábado, 29 de março de 2014

    Diário: 29 Mar 2014



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      Regresso

      Porquê?
      Pergunto eu, numa noite destas
      Em que me lembrei
      De escrever Isto:
      É porque sucedem
      Uma, duas, três
      Coisas extraordinárias:
      A primeira:
      As paredes falam-me
      A segunda:
      Eu entendo  o que dizem.
      A terceira:
      Fico sempre
      Parado
      Com a mesma resposta
      Pronta a saltar:
      Eu,
      António,
      Hei-de, sempre,
      Voltar!


      Carvide, Setembro 1972

      Ponte de Lima no Novo Milénio

      Coisa assim eu nunca vi
      Nesta Vila de Ponte de Lima,
      Fiquei pasmo parado ali
      Ao ver tanta gente fina.
      Isto são coisas modernas
      Por causa das auto-estradas
      Estão a acabar-se as tabernas
      E a surgir as parrilhadas.

      Dantes era mais porreiro
      Vínhamos poucos, anos a fio
      Hoje qualquer “morteiro”
      Tem pelo menos um “Clio”.

      Desta forma em qualquer data
      Na Havanesa só à estalada
      E se agente não se precata
      Isto torna-se uma cagada.


      Ponte de Lima, Ano novo 2000

      sexta-feira, 28 de março de 2014

      Diário: 28 Mar 2014



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        Poemas da minha vida - 2ºs Trinta anos.

        Acabam aqui os "Poemas da minha vida - 2ºs Trinta anos."

        Não é grande coisa: uns 190 apenas. Umas 500 paginas.

        Os "Poemas da minha vida - 1ºs Trinta anos", somam 151. Mais ou menos 320 páginas.

        *
        Quem teve a pachorra de os ler
        ou
        passar-lhe a vista por cima
        ficou a conhecer
        quem sou
        este que se assina:

        António

        *
        Ps. Agora, virão os "Os Poemas da minha vida - Últimos anos anos". Por motivos óbvios não posso revelar quantas páginas serão, mas posso dizer, para já, somam mais de 200.



        quinta-feira, 27 de março de 2014

        Diário: 27 Mar 2014



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        Até que enfim

        Eu cá
        Nunca mais escrevi um verso
        Não me deu pr’aí
        Não tive nem musa
        Nem estro que me valesse.

        Sinto-me assim…
        Um bocado pateta
        Como se tivesse por meta
        Ser poeta
        Nem que fosse à força.

        Eu sei que, isto, é um disparate
        Pois só se escreve quando apetece

        (e… só apetece quando apetece)

        Isto, lá por ser uma chatice
        Não deixa de ser verdade
        Já o La Palice
        Teve a mesma veleidade
        De dar ás coisas sentido
        Sem receio de desmentido.

        A verdade é só uma,
        Não tenho dúvidas disso
        Muito menos me preocupa
        Se não chego a parte nenhuma
        Apetece-me escrever isto e pronto
        Ninguém tem nada com isso.
        Para o que serve…não sei
        Nem tal me preocupa
        Apetece-me escrever coisas
        É o que faço a correr
        Logo que a ensejo surge.

        Não tenho outra oportunidade
        O meu tempo há muito urge
        Resta-me só o que restar
        Nem um minuto a mais
        Lhe posso acrescentar
        Por isso… pus-me à obra
        Escrevendo sem parar
        Deixando letras de sobra
        Para quem se queira fartar
        Que isto de escrever é fácil
        Não requer senão tempo
        Mão expedita e “lata”.

        O resto… não interessa
        Se tem forma ou critério
        Se é simples despautério
        Insanidade declarada
        Coisa simples ou complicada
        Se tem principio meio e fim
        Se falo dos outros ou de mim
        Se o que digo tem sentido
        Se algum dia será lido
        Por quem tenha a paciência
        Tempo livre que lhe baste
        Para malbaratar em coisas destas
        Que não servem para nada.

        Lá vou eu de caminhada
        Pelos meus quintais reservados
        Os meus coutos privados
        Onde me dou caça diária
        Caçando-me em cada moita
        Como se animal fosse.

        A minha espingarda é certeira
        Mato-me sempre que quero
        Nem aponto nem miro
        Basta-me um simples suspiro
        Para me descobrir escondido.

        Ando pr'áqui fugido
        Da vida que me persegue
        Tentando viver outra vida
        Que não aquela que é minha.

        Eu não sei o que me deu
        Na pobre cabeça tonta
        P’ra me pôr pr'áqui a escrever
        Estas coisas sem sentido.

        Apeteceu-me… e é tudo
        Penso eu justificado
        Como quem lê uma nota
        Numa lápide conhecida

        'Aqui jaz um idiota
        Que quis enganar a vida!'

        Porto, 99

        quarta-feira, 26 de março de 2014

        Diário: 26 Mar 2014



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          Não posso esquecer

          Como se eu pudesse
          Esquecer!

          Apesar de perdido
          Na bruma do tempo
          Lembro-me de tudo
          Tudo.

          Vejo o meu Pai
          Já pronto, no salão, com um brilho nos olhos
          De alegria e gratidão:
          Os filhos todos,
          A bela casa,
          A noite serena.

          Como se eu pudesse
          Esquecer...!

          Também nos meus olhos,
          sei-o bem,
          brilha o infinito amor
          que sinto por esta família,
          a crescer... a crescer...

          Ali, no Presépio, por cima da lareira,
          vai estar aquele Menino
          que eu, hoje, julgo ser.

          Como se eu pudesse
          Esquecer...!

          Apesar de perdido
          Na bruma do tempo
          Lembro-me de tudo,
          De tudo.

          Era tudo mais simples
          Mais directo
          Razoável
          Não havia necessidade
          De fingir
          Ser amável.

          Éramos como éramos
          E pronto.

          Ah! Menino, Menino
          Que vais nascer,
          Eu não posso
          Eu não posso
          Esquecer.


          Porto, Natal de 1997

          terça-feira, 25 de março de 2014

          Diário: 25 Mar 2014



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            Comunhão

            Olho por cima do meu ombro
            E vejo-te debruçado
            Sobre mim,
            A sorrir.

            Atento á minha frente
            E è o teu Corpo
            De perfeito homem
            Que me guia.

            Abro a boca e recebo-te inteiro
            Como alimento escasso,
            Ázimo e insípido
            Mas que me enche todo,
            Me converte em Anjo
            E me eleva juntamente.

            E eu sinto, vejo e oiço
            E também sei
            Que algo importante em mim vês.

            Não posso compreender
            Os porquês
            (este è um mistério da Tua Bondade)
            Te mereci chamamento de igual para igual:

            António… anda … vem comigo…!

            E eu fui e tenho ido.
            Que bem me sinto…

            Não quero aprofundar razões
            Nem motivos ou quereres
            Da Tua Vontade;
            Faz de mim, Senhor,
            O que quiseres.

            Sou Teu
            Para sempre
            Até à Eternidade.  


            Abril, 1987

            segunda-feira, 24 de março de 2014

            Diário: 24 Mar 2014



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              Matança II

              Desta vez, foi assim:
              De véspera vim!
              Isto de matança
              Não pode perder-se
              Dois anos seguidos
              Era o que faltava…
              Uma pessoa habitua-se
              A coisas simples, destas:
              Uma mesa posta,
              Uns petiscos familiares,
              Toda a gente disposta a gozar-se da companhia que se tem por tema.
              Pois, em Carvide
              ou outro sítio qualquer
              o que vale nem é ser mulher
              ser homem ou criança.
              Vale fazer parte desta família,
              Ter respirado este ar,
              Bebido desta água e deste vinho,
              Degustado este pão.
              Da Lousã o tempero, o sal,
              O que há de ilusão
              Vem de Monte Real,
              De Carvide: a seiva e o licor.
              Dos três: quanto amor!


              Carvide, 29.01.1982

              domingo, 23 de março de 2014

              Diário: 23 Mar 2014



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                Matança

                (Para minha Mãe, para ficar na casa de Carvide)

                Dia de matança
                Todos à mesa
                Na grande festança
                Comem a fritada;
                Pois é…
                Mas o António
                Foi pr’á Guiné.

                Todos de assentada
                Atiram-se à morcela,
                Mais aos torresmos
                E eu fico…à vela;
                Pois é…
                Fui pr’á Guiné.

                Ora digam lá se é ou não é
                A coisa mais chata,
                Um raio de lembrança
                Escolher esta data
                DIA DE MATANÇA
                Para ir pr’á Guiné?


                Bissau, 01.03.1980