Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



domingo, 31 de março de 2013

Sinceridade


Vi-te

e gostei de ti.

Na voz
em que me falaste,
puseste o encanto
com que,
da outra vez,
me afastaste.

Amei-te
sincero,
e pensei:

Ainda bem
que já te não quero!

Lisboa,   62

sábado, 30 de março de 2013

Vergonha





Aqui
quedei.

A vida que mudei
por causa de ti
pesa-me infame.

De vergonha,
já não rezo,
na esperança
vã,
que Deus me chame.

Lisboa,   62

sexta-feira, 29 de março de 2013

Medo



Quando acordares,
de noite,
e estenderes a mão
para me tocar,
só sentirás
o meu lugar
quente ainda.

E terás medo
que eu não volte
e, mais tarde,
chorarás
porque é verdade.

Lisboa,   62

quinta-feira, 28 de março de 2013

Ódio



Odeio-te
calma
que me inebrias.

Odeio-te
langor
que me tolhes.

Odeio-te
por ti
e por mim.

Odeio-te
e, nem assim,
consigo que me olhes
com amor.

Lisboa,   62

quarta-feira, 27 de março de 2013

IMPORTANTÍSSIMO AVISO

CARVIDEX tem enorme prazer - e alívio - em comunicar que publicação da blogue-novela TI BISNAGA – iniciada a 07 de Dezembro 2012, chegou ao fim!
Foram 72 episódios que mantiveram os leitores ‘presos’ à extraordinária e bem urdida saga. Podiam ter sido muitas mais histórias e historietas mas, francamente, o produtor, autor e único responsável pela coisa já estava mais que farto da mesma.
Se houver muita insistência poderá considerar-se a publicação de toda a escrita lá para a segunda semana depois da Páscoa.
Seguirá com outras publicações de extraordinário interesse pelo que, aconselhamos, manter-se ligado ao blogue ou ao Rostolivro [1]





[1] Facebook em inglês

terça-feira, 26 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 72º e último episódio


 “Eu explico, prosseguiu: Quanto à Sociedade porque ela é independente e tem os seus próprios responsáveis dos quais não faço parte, quanto à segunda, a Herdade das Pretas propriamente dita porque… já não me pertence!
Se o Sol se tivesse despenhado lá do alto não teria feito menor efeito que as últimas palavras de Marcos.
Boquiabertos olhavam uns para os outros interrogando-se com o olhar sem se atreverem a fazer a pergunta que bailava [i] no espírito de todos. Mas, Marcos prosseguiu, ou, melhor dizendo, continuou a falar:

“Tomei a decisão, com a qual os meus filhos concordaram prontamente, que a Herdade das Pretas seria vendida às seguintes pessoas, aqui presentes e conhecidas pelos nomes de:

Ti Meloa; Albino Meloa; Ti Gaspar Sobreirinho; Ti Jacinto Marracho; Ti Manel Cebola; Josué Broa; Ti Bisnaga, pelo preço de 1 euro a cada um.”

Levantando rapidamente as mãos para interromper o alarido nascente [ii] continuou dizendo que a presença ali do Advogado Doutor Jubileu de Sousa se devia a isso mesmo. Tinha uma procuração sua para, amanhã mesmo, no Cartório Notarial de Beja proceder à transacção”.

Desta vez não foi possível deter as perguntas, a gritaria, as lágrimas. Mas Marcos estava mesmo decidido a não dar tréguas à assistência.

“Eu não quero deixar o Alentejo que tanto amo e, sobretudo deixar a convivência com vocês todos que são os meus verdadeiros amigos, aqueles em quem posso confiar nas horas boas e, sobretudo, nas outras.
Agora quero dizer-vos que acabei de comprar ontem mesmo a Herdade do Vale da Mula Cocha que confina com a das Pretas. É muito mais pequena mas tem tudo o que preciso para passar o resto dos meus dias dedicando-me ao que mais gosto de fazer e que é, como todos sabem, andar a cavalo e dar uns tiros numas perdizes.
Portanto, vamos ser vizinhos…”

O resto da tarde foi passado entre explicações e mais explicações sobre o assunto que, em resumo, definiu assim:

“A Sociedade de Caça tem uma série de fulanos – sócios e outros - com quem não me interessa nada manter relações, e, muito menos, com as pessoas que por hão-de aparecer para as caçadas. Seria quase impossível continuar proprietário da terra e ignorar os da Sociedade. Por outro lado, vocês têm muito jeito para lidar com qualquer tipo de gente e estão muito longe de se deixarem enganar pelo primeiro que apareça seja ele doutor, engenheiro ou um espertalhão das dúzias. Eu não quero meter-me em nada nem sequer fazer sugestões como é que hão-de fazer, mas, claro, que estou sempre disponível para o que de mim julgarem ser útil. Aqui o Dr. Jubileu de Sousa é muito experiente e de inteira confiança e ele vos aconselhará a melhor forma de concretizar as vossas ideias e levar para a frente a Herdade das Pretas e, também, como lidar com a Sociedade de Caça e os seus sócios”.

Visivelmente cansado Marcos disse que se ia embora. Dormiria, essa noite em Beja mais o Dr. Jubileu de Sousa que, lá, à hora aprazada, esperaria pelos novos donos da Herdade das Pretas. E começaram as despedidas, os abraços, as palmadas nas costas, as lágrimas.

O Ti Bisnaga estava como um cacho de tanta emoção e Bobadilha mas resolveu também meter-se a caminho não cedendo às insistentes recomendações para ficar a dormir em Borda de Baixo, de ir antes pela manhã que era mais seguro, enfim, teimoso como o mú, atrelou este à carroça e meteu-se a caminho.

O Bolo e o seu grupo estavam escondidos atrás de uns chaparros. Observavam a cena mas não ouviam nada. Quando viram o Ti Bisnaga arrancar… que é como quem diz, pôr-se em marcha tomaram posição ao longo do caminho preparados para o assalto combinado.

Quando o pobre homem chegou à vista saltaram-lhe em cima acertando-lhe com um marmeleiro entre as vistas que o deixou logo completamente estendido no chão e, também, completamente morto.

A seguir foi a pilhagem do fraco espólio. O que não roubaram desfizeram em cacos.

Quando já se preparavam para abandonar a cena do acto criminoso [iii] o Bolo teve uma das suas brilhantes ideias: “Eh pessoal! O mú ainda vale uns trocos no acampamento dos ciganos. Toca a levar o bicho.”

A justiça, às vezes não tarda, de modos que quando o Bolo desatrelou o mú da carroça, este acertou-lhe com um potente coice no alto da tola e, o Bolo… foi-se sem um pio.

O resto da pandilha fugiu em debandada sem olhar para trás.

O mú, deu meia volta e voltou o andado em direcção a Borda de Baixo. Só deram por ele de manhãzinha e logo foram ver o que se teria passado.

E deram com este triste espectáculo que coincide com o último episódio desta fantástica saga portuguesa, depois do ‘vinte-e-cinco-do coiso’:

O Bolo estava como era muito conveniente que estivesse: morto!
Ali o deixaram ficar, abandonado no plaino, não de balas trespassado como “O Menino de Sua Mãe”, (ver nota final) mas com a cabeçorra de malfeitor empedernido, completamente desfeita pelo coice do mú.

O Ti Bisnaga foi levado em braços para Borda de Baixo onde, dois dias depois, lhe fizeram um funeral como deve ser.

Fim do 72º episódio e fim desta léria toda.

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.
Nota Final: Como brinde aos nossos fiéis leitores, oferecemos esta excepcional e magnífica prenda:




[i] De facto esta expressão não é muito apropriada mas como ainda não tinha tido o ensejo de a aplicar… aqui fica.
[ii] Como o Sol também o alarido entrou em Poente.
[iii] Costuma dizer-se a ‘cena do crime’ mas, a mim, apeteceu-me usar esta expressão. Não sei porquê!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 71º episódio




Marcos fazia-se acompanhar de um sujeito que foi apresentado, que por lapso não se apresentou no episódio anterior o que agora se faz com um pedido de desculpas.

“Este é um meu amigo, o Advogado Doutor Jubileu de Sousa”, explicou Marcos sem acrescentar nada mais nem ao menos dizer a idade do homem.

O almoço correu como era de esperar: muitíssimo bem! As conversas fluíam à volta da grande mesa e, de vez em quando, uns olhares furtivos em direcção ao Advogado, demonstravam a curiosidade pela presença ali do indivíduo. Servido o café, passada à volta da mesa a botella de Bobadilla fez-se silêncio como se houvesse um acordo prévio. Marcos levantou-se e começou:

“Meus amigos! Agradeço a todos a vossa presença e o magnífico almoço com que me presentearam. A vossa hospitalidade é bem a imagem que guardo para sempre na minha memória.
Não vou falar de tudo quanto aconteceu nos últimos meses nem da recuperação fantástica da Herdade das Pretas, muito para além do que eu alguma vez poderia imaginar.

Neste tempo que decorreu, muita água o Guadiana levou para o mar e muitas coisas aconteceram. Acolhida a vossa sugestão, foi criada a ‘Sociedade de Caça Turística Herdade das Pretas’.”

Uma trovoada de palmas irrompeu à volta da mesa que era o local onde todos estavam sentados, menos Marcos que, como já se disse, estava de pé.

Acalmados os ânimos, Marcos prosseguiu:
“Entretanto dei comigo a pensar que não me interessa continuar com a gestão, ou melhor, a gerência, da Sociedade nem da propriedade”

Desta vez foi interrompido por comentários, perguntas, interrogações de toda a ordem que teve dificuldade em fazer parar.

Fim do 71º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

domingo, 24 de março de 2013

Tacanhez




A tristeza
que sinto
e me amarfanha,
não é
a causa directa
da minha inspiração
pobre
e tacanha
de sentimentos
reais,
quando,
por momentos,
deixo escapar meus ais.

Lisboa,   62

sábado, 23 de março de 2013

Sequestro



Este não é
o meu canto.

Este sentir
não é meu.

Não me pertence
a fama de tonto
com que me coroam
sem eu querer.

Este estro,
que dizem meu,
não me convence
que jamais acabo,
porque
o seu sequestro
há muito foi editado
pelas próprias mãos do Diabo.

Lisboa,   62

sexta-feira, 22 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 70º episódio


Assim e só para lembrar e, também, gastar um bocadinho mais de tempo o que também convém muito nas novelas para aumentar o tédio dos espectadores, enumera-se quem estava presente:


Ei-los:
Ti Meloa viúva, tia do sobrinho preso em Alcoentre, Albino Meloa  sobrinho da Ti Meloa, já libertado de Alcoentre, Ti Gaspar Sobreirinho  que sabe ler e escrever, casado com Ti Marquinhas Sobreirinho, Ti Adosinda Marracho expert em fabrico de queijo, casada com o Ti Jacinto Marracho; Ti Manel Cebola antigo clarim na tropa casado com Ti Joaquina Cebola, Ti Marquinhas Sobreirinho casada com o Ti Gaspar Sobreirinho, Alcina Sobreirinho Broa filha do Ti Gaspar Sobreirinho casada com Josué Broa pescador do Guadiana, Ti Joaquina Cebola casada com o Manel Cebola, Ti Jacinto Marracho casado com a Ti Adosinda e o homem mais velho de Borda de Baixo e, evidentemente, Ti Bisnaga o macho e o Xalite. [i]

Além destes… não estava mais ninguém.

Era perto do meio-dia [ii] e o Sol a pino rachava pedregulhos e as cabeças circunstantes.

No meio de uma nuvem de poeira apareceu Marcos Fonseca Álvares de Carvalho, fidalgo já não arrebentado e, novamente, dono da Herdade das Pretas. Como já vai sendo hábito os vivas, abraços, beijos, apertos de mão e palmadas nas costas demoraram uns bons minutos. O pessoal estava vestido com a roupa de ver a Deus e Marcos também não destoava.

Estava mais gordo, mais bem-parecido, mas não estava mais alto.

A cabeleira aloirada estava agora um pouco mais rala e os olhos de um azul claro – à Rei Dom Carlos de grata memória - continuavam de um azul claro – à Rei Dom Carlos de grata memória -.

O almoço não o foi. Antes um banquete onde nada faltava e o que não havia não fazia falta nenhuma. Houvera tempo para os da Guardia contribuírem como umas botellas de Sangre de Toro que - es un vinito muy bueno del Duero español, qué me lo perdonen los portugueses pero las verdades hay que decirlas - [iii].

Fim do 70º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.



[i] Estes dois últimos não estavam no telheiro mas noutro local.
[ii] Que no Norte se diz ‘meia-hora’ não sei porquê nem ao que se deve.
[iii] Que bem que fica esta demonstração poliglota.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 69º episódio




Está-se a ver que o Bolo nunca mais se esqueceu nem de Borda de Baixo nem do Albino da Cebola e jurava entre os dentes sujos de cerveja e de haxixe, que haveria desforra. Mas, é claro, nunca mais se aproximou de Borda de Baixo porque sabia que o Albino da Meloa era muito mais perigoso com ‘a calibre doze’ que com o cacete e os efeitos… bastante diferentes.

Ora aconteceu que o Bolo estava com o grupo a aborrecer uns coitados sentados [i] na esplanada de um café quando ouviu esta conversa telefónica do gerente bancário com um tal Senhor Doutor que ele não fazia a menor ideia quem era. Ficou a entender que haveria uma reunião, uma festa, fosse lá o que fosse, muito importante em Borda de Baixo, daí a uns dias, e que estaria lá bastante pessoal. Logo começou a engendrar um plano que lhe parecia simples e eficaz, segundo explicava aos outros energúmenos que não desviavam dele os olhos ramelosos.

Aquilo deveria meter copos e comezaina. O pessoal aguardava escondido que a coisa acabasse e, depois, à medida que os convivas se fossem indo embora, bem bebidos e meio apalermados, caíam-lhes em cima e limpavam-lhes tudo quanto levavam. Isto… para já porque, depois logo se veria como tocaria a música.
Não se excluía a hipótese de apanhar o Albino da Ti Meloa suficientemente borracho para lhe poder devolver, com juros, a cacetada cuja marca trazia nas trombas.
Logo nomeou estafetas e vigias encarregados de espiar as movimentações do pessoal e tentar saber a data do evento. Outros ficaram encarregados de fanar umas motoretas para o devido transporte da tropa fandanga. Enfim, um plano de guerra ou, se se quiser, um planeamento de acção furtiva e… punitiva. [ii]

O Ti Bisnaga deu conta do recado e, no dia aprazado, [iii] estavam todos reunidos debaixo de um grande telheiro (por favor ver a importante nota 9).
Acaso os leitores já se tenham esquecido e, também, como é costume nas novelas reunir todo o pessoal, menos os entretanto falecidos de morte natural ou outra, que nas novelas há de tudo e morre-se por dá cá a aquela palha sendo muito raro nascer alguém o que é muito conveniente porque as cenas de parição são tão violentas, no meio de tanto esforço, sofrimento e angústia que tiram a qualquer jovem a vontade de ser mãe.

Fim do 69º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.




[i] Olha… rimou!!
[ii] Outra vez! Já é demais!
[iii] Prometo que, esta, é a última vez!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 68º episódio


À tia, Marcos dissera, por sugestão do Alcino Freitas, que lhe saíra a lotaria no que ela acreditou ou fingiu acreditar.
Mas, Marcos não se decidia sobre o que fazer em relação à herdade das Pretas. Parecia-lhe que, se ‘entrasse’ no jogo ficaria ao mesmo nível do Alcino Freitas e seus apaniguados e, tal, não lhe agradava.

Mas, o Alcino Freitas, fazia pressão para que se desse corpo ao projecto da sociedade de caça e algo tinha de ser feito e, como nisto tudo já lá ia mais de um mês e meio, teve de chegar-se à fala com o Ti Bisnaga. Assim falou para ao gerente do banco para lhe dar o recado de avisar para Borda de Baixo que iria lá dentro de quatro dias pois tinha algo muito importante e dizer a todos. Que o Ti Bisnaga fizesse o favor de também estar presente.

Sim… o Ti Bisnaga era indispensável na reunião que desejava fazer. O seu papel em toda esta história e, mais, no bom caminho que as coisas tinham levado, era tão importante que não poderia esquecê-lo.

Havia em Beja, como há em todas as cidades, uns dois ou três grupos de meliantes, quase todos rapazelhos de dezoito a vinte anos que se entretinham a roubar umas galinhas e uns coelhos para umas patuscadas, a assustarem as pessoas e, se houvesse ocasião, deitar a mão a uma roupa nova pendurada nos varais a secar.
O pior de todos era o grupo do ‘Bolo’, um, rapagão de dezoito anos, forte como um toiro e bruto como as casas, tinha a cara feita num bolo – daí lhe veio a alcunha – por vias de uma cacetada que o Albino da Ti Meloa lhe acertara mesmo no meio da testa, quando o apanhou a tentar roubar um borrego em Borda de Baixo.

Não morreu porque pessoal deste calibre raramente morre com a primeira cacetada que apanha. São sempre precisas mais duas ou três para a coisa dar algum efeito permanente.

Fim do 68º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

terça-feira, 19 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 67º episódio


Muito satisfeito da sua vida o Alcino Freitas volta-se para o Marcos e diz-lhe:


“O amigo está a ver? Eh! Tudo gente de gabarito, com os bolsos cheiinhos de Euros, Dólares, Quanzas e Libras. O que é que se há-de pedir mais?”

E o amigo Marcos viu, de facto, como é que funcionam os meandros da alta política, os jogos de influências, de favores, compadrios, ‘uma mão lava a outra’ etc. e tal, e começou a pensar que aquilo não lhe interessava e que, o Alcino Freitas mais os seus amigos, eram gente que não lhe convinha.

Passaram uns meses e a transformação na Herdade das Pretas foi radical. Marcos mal podia acreditar que os planos e projectos que lhe mostraram e aos quais pouquíssimas alterações tinha sugerido, se tinham concretizado em tão breve espaço de tempo. Fora uma única vez à propriedade ver como iam as obras e ficara abismado com a quantidade de maquinaria e as centenas de trabalhadores em ebulição. Resolvera não voltar porque entendeu que pouco ou nada tinha a ver com tudo aquilo.

Entretanto a venda da cortiça revelara-se um sucesso muito para além do imaginado pelo Ti Gaspar Sobreirinho. O Alcino Freitas não deveria ser totalmente alheio ao caso uma vez que, segundo lhe contara, resolvera sugerir ao Catorze que tivesse uma breve conversa com um tipo qualquer, falou num tal Amorim e, o que é certo é que, além de adiantar uma grossa maquia por conta do negócio o fulano mandara tirar a cortiça, limpar o montado e num ápice as gigantescas pargas de 'Amadia e 'Segundeira' tinham desaparecido carregadas em dezenas de camiões.
O sobral estava um brinco.

Por sua vez o olival tinha sido totalmente recuperado e antevia-se que dentro de um ano voltasse à plena produção.
Marcos era, agora, um homem rico senhor com uma confortável conta bancária.

Não se esquecera da Tia que o acolhera nos maus dias que passara e, como esta se opusesse terminantemente a aceitar um euro que fosse, entregou-lhe passagens - para ela e para a sua filha, que entretanto tinha ido viver com ele - num cruzeiro de um mês pelas ilhas da Polinésia que a boa senhora tinha aceite.

Fim do 67º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Bloguenovela: Ti Bisnaga 66º episódio


(Consta nesta redacção que estas edificantes cenas são muito frequentes em países atrasadíssimos da América Latina e das Áfricas mas que, por cá, nunca se tivera a certeza absoluta nem se confirmaram algumas suspeitas que as más-línguas do costume teimam em, de vez em quando, insinuar.)
‘Entalado’ desta maneira o Zuzarte Limão vá de abrir o saco e contar tudo – ou quase – ao Alcino Freitas. Tudo em surdina, que o receio de microfones disfarçados no mobiliário da cela de visitas da prisão que – sempre as más-línguas – não se tem a certeza de não haver.
Era muito difícil apanhar o Alcino desprevenido ou espantá-lo com fosse o que fosse mas, neste caso, estava de boca aberta. O esquema montado pelo Zuzarte Limão era de génio e de uma ‘limpeza’ estonteantes. Mais estonteante ainda era a minúcia e frieza como levara todo o plano a cabo.
Deixemos estas ‘trapalhadas’ com gente de pouco mérito e escasso interesse e voltemos antes à narrativa, tão absorvente como importante, da novela blogueira.
Tínhamos quedado na apresentação, ou melhor, na nomeação dos ‘amigos’ do Alcino Freitas que este tinha aliciado e convencido a fazerem parte da Sociedade de Caça Turística da Herdade das Pretas.
Voltemos portanto, e já agora, onde nos tínhamos quedado antes que o génio criativo do autor desta pepineira desse largas asas ao estro irrefreável.
Voltemos…
Havia ainda mais uns cinco ou seis fulanos que Alcino Freitas tinha apalavrado mas que por razões várias mais ou menos do mesmo teor e variada gravidade, não puderam comparecer.

Fim do 66º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

Bloguenovela: Ti Bisnaga 66º episódio



(Consta nesta redacção que estas edificantes cenas são muito frequentes em países atrasadíssimos da América Latina e das Áfricas mas que, por cá, nunca se tivera a certeza absoluta nem se confirmaram algumas suspeitas que as más-línguas do costume teimam em, de vez em quando, insinuar.)
‘Entalado’ desta maneira o Zuzarte Limão vá de abrir o saco e contar tudo – ou quase – ao Alcino Freitas. Tudo em surdina, que o receio de microfones disfarçados no mobiliário da cela de visitas da prisão que – sempre as más-línguas – não se tem a certeza de não haver.
Era muito difícil apanhar o Alcino desprevenido ou espantá-lo com fosse o que fosse mas, neste caso, estava de boca aberta. O esquema montado pelo Zuzarte Limão era de génio e de uma ‘limpeza’ estonteantes. Mais estonteante ainda era a minúcia e frieza como levara todo o plano a cabo.
Deixemos estas ‘trapalhadas’ com gente de pouco mérito e escasso interesse e voltemos antes à narrativa, tão absorvente como importante, da novela blogueira.
Tínhamos quedado na apresentação, ou melhor, na nomeação dos ‘amigos’ do Alcino Freitas que este tinha aliciado e convencido a fazerem parte da Sociedade de Caça Turística da Herdade das Pretas.
Voltemos portanto, e já agora, onde nos tínhamos quedado antes que o génio criativo do autor desta pepineira desse largas asas ao estro irrefreável.
Voltemos…
Havia ainda mais uns cinco ou seis fulanos que Alcino Freitas tinha apalavrado mas que por razões várias mais ou menos do mesmo teor e variada gravidade, não puderam comparecer.

Fim do 66º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

domingo, 17 de março de 2013

Cansaço




Cansado de saber
que não presto
e que de mim
não se aproveita
um resto
que valha a pena.

Cansado da receita
que me dou para me enganar,
cansado de te sentir
sem te poder amar.

Lisboa,   62