Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 54º episódio


É claro que, agora, suspeitando que o ex-amigo precisava de ajuda e estava na ‘mó de baixo’ fazia de conta e nem sequer atendia o telefone.


Mas enganava-se. Monte Semedo era homem de vastos recursos e valiosíssimos conhecimentos.

O Alcino Freitas não ficara surpreendido com o seu telefonema, pelo contrário, pareceu esperar por ele há algum tempo.
Conheciam-se há anos desde que o Monte Semedo descobrira quem era o sócio com um dos camarotes principais no clube de que era presidente.
(Aliás, não fora o único, porque o Monte Semedo com a sagacidade que qualquer lhe reconhecia, entendera muito conveniente conhecer pessoalmente todos os sócios com camarote já que, obviamente, eram gente com posses o que poderia ser de grande conveniência num futuro qualquer).

Evidentemente que a empatia fora imediata e num ai o Monte Emedo estava a tratar dos truques legais que os negócios do Alcino Freitas tinham continuada precisão.

A conversa que tiveram a seguir no parlatório da prisão fora breve mas muito explícita. O Zuzarte Limão precisava de um ‘aperto’ que realmente o fizesse sentir a urgente necessidade de chegar à fala com o Monte Semedo.

Agora, frente a frente, Alcino Freitas e Zuzarte Limão, estudavam-se um ao outro como que tentando adivinhar o próximo passo a dar.

O Alcino Freitas começou:
“Bem doutor, como lhe dizia há um aperto financeiro que é urgentíssimo resolver e, o seu amigo, não está disposto a esperar muito mais tempo. Há duas hipóteses que ele põe em cima da mesa. A primeira é uma soma de dinheiro que ele escreveu neste papel que deve ser transferida para a conta cuja identificação também aí consta. O seu amigo manda dizer que, com esta transferência, o arquivamento de todo o processo que o mantém na prisão está garantido e, uma vez livre, propõe-se tratar, como só ele sabe fazer, do seu caso de forma a libertá-lo de vez das acusações que caiem sobre si e arranjar uma forma de poder pôr-se a andar para um local qualquer de onde não haja extradição. E, o doutor, bem sabe que el é muito capaz de fazer tudo quanto diz.”

Fim do 54º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 53º episódio


O Zuzarte ouvira tudo sem pestanejar e retorquiu:
“Pois, muito bem e, não que me interesse, qual é a segunda hipótese?”


O Alcino Freitas não se fez esperar: “A segunda hipótese é um tudo-nada radical – na minha opinião é claro – mas aqui vai: Trata-se de uma visita, digamos, ‘especial’ do Zurrón e sus muchachos”.

Fez-se um silêncio absolutamente silencioso, isto é, não se ouvia o zumbido de uma mosca.

O Zuzarte Limão passou um lenço pela careca perspirada de um súbito suor, [i] engoliu em seco e disse:

“Nem sequer pergunto se isso é a sério porque conhecendo o Monte Semedo não me custa acreditar que o assassínio seja uma das suas formas de actuar, mas…”

“Oh senhor doutor! Assassínio! Vala-me Deus! Olhe que nem todos recorrem aos mesmos métodos para resolver problemas – não sei se me entende -, acrescentou”.

O outro fez-se desentendido a este remoque e perguntou:
“Mas, então…?”
“O Zurrón e sus muchachos serão chamados - in extremis, já se vê – não para o liquidar mas sim para o raptar.”

Com a careca cada vez mais perspirada de copioso suor que já nem o lenço conseguia secar, Zuzarte Limão, interrogou: “Mas… raptar-me? Mas como? Para onde? Para quê?”
“Isso já não sei, nem faço tenções de saber, mas lá que o Monte Semedo sabe mito bem o que faz e para quê, lá isso…”

Fim do 53º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.



[i] Frase de grande impacto e peculiar oportunidade.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 52º episódio


“O doutor pensa que eu não sei muito bem isso tudo? Ora adeus… Então e as contazinhas na ilha em compadrio com o seu bom amigo Monte Semedo”


“Eh! Alcino Freitas! Você nem me fale nesse gajo. Se alguém suspeita sequer que nos conhecemos então é que está tudo perdido”.
Evidentemente que neste preciso momento, a produção desta blogue novela foca-se nesta figura Monte Semedo.
Este outro ‘chico esperto’, o Monte Semedo, era um sujeito com uma habilidade fora do vulgar para arquitectar esquemas inimagináveis.

Levava à certa os tipos mais batidos e desconfiados e não se tratava de trocos mas, sempre de muitos milhões que, ao fim de breves anos de laborioso empenho e dedicada malandrice, conseguira abarbatar em proveito próprio.

Aquilo foram assinaturas forjadas de clientes que lhe confiavam a gestão dos bens e que, de repente, se viam sem eles – os bens – fosse um prédio de doze andares nas avenidas novas ou uma quinta em Poiares. Tudo servia porque o Monte Semedo sempre empurrado pela excelente companheira que desposara ainda em tempos de faculdade, tinha um modus vivendi cada vez mais exigente como por exemplo: um excelente andar de seis assoalhadas que rapidamente se tornava exíguo e dava lugar a uma moradia no Restelo que, evidentemente, ao fim de dois ou três meses era trocada por outra com o dobro do tamanho, campo de ténis, ginásio, piscina com jacúzi e tudo o resto absolutamente necessário ao que se julgava, não se sabe com que razão, de pleno direito.

Para manter este modo de vida, mais os carros de marca, os motoristas, jardineiros etc. e tal e coiso, tinha de existir um fluxo monetário de constante fluir [i] o que, para o Monte Semedo não era problema difícil de resolver.

É claro que, tantas vezes o cântaro vai a fonte que um dia deixa lá a asa e o grande Semedo teve de alterar drasticamente o seu campo de batalha.
Num ar, trocava o extraordinariamente luxuoso gabinete de advogado pela presidência de um clube de futebol e, aí, sim, as coisas começaram a ser a sério. Muito a sério!

Havia sempre jogadores a contratar, treinadores a substituir, enfim… uma trabalheira de todo o tamanho a que o Monte Semedo metia ombros com uma dedicação que maravilhava os sócios mais pacóvios que a única coisa que queriam era que a equipa ganhasse jogos, os avançados metessem golos e os guarda-redes os defendessem (os do adversário, evidentemente).
Fim do 52º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.




[i] Acho que fica bem este fluxo a fluir. Não sei, mas… acho muito bonito e particularmente feliz

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 51º episódio



“Então que há, Vanessa?”

“Senhor doutor, está à porta um sujeito que insiste em falar com o senhor doutor. Bem lhe perguntei o nome mas ele só me disse que o senhor doutros o conhecia mito bem e que bastaria eu falar-lhe em Zurrón, que o senhor doutor já saberia quem era”.
O homem ficou um bocado embaraçado e articulou:

“Sim… pois… efectivamente… Não estou bem a ver mas, de qualquer modo mande lá entrar o homem”.

A diligente funcionária em breve reaparecia trazendo a reboque um homem de aspecto bem peculiar. Uma enorme corcunda deformava-lhe o corpo de forma horrível e as barbas hirsutas que lhe cobriam o roto acrescentavam algo sinistro ao conjunto.
O brilhante advogado levantou-se do órgão e ficou especado em frente do personagem sem saber o que dizer. Nem sequer podia meter os dedos pelo cabelo porque não tinha nem um pelo na calva luzidia.

O recém entrado, fechada a porta atrás da boa empregada, começou a agir de forma estranha.
Em primeiro lugar despindo o casacão que o cobria quase até aos pés, desapertou uma espécie de corpete que tinha agarrada uma almofada. A corcunda… desaparecia dando lugar a um sujeito normal de média estatura. Depois… foram as barbas arrancadas do rosto e retirados os óculos garrafais que revelaram um rosto normal, corrente e… bem conhecido do advogado que, não disfarçando o espanto quase gritou:

“Alcino Freitas? Mas você é doido homem? Então não sabe que a casa está sob vigilância e que ninguém pode saber que nos conhecemos?”
“Claro que sim, doutor, por isso usei este disfarce. Ninguém me reconheceu ou, sequer, perguntou o que fosse. Aliás eu é que perguntei ao polícia disfarçado de porteiro qual era o andar da Dona Elsa Ribeiro que tive o cuidado de me informar, mora mesmo por baixo de si.”

“Está bem.. está bem… mas que diabo pode haver assim de tão urgente para você pôr tanta coisa em risco?”

“Pois é Doutor… o assunto é mesmo urgente, tive mesmo de vir encontrar-me consigo. O que se passa é que preciso urgentemente de uma verba avultada e, neste momento, as coisas não estão fáceis.”

“A quem o diz… Mas você não sabe que eu tenho as contas todas congeladas e não posso movimentar um simples Euro?”

O Alcino Freitas Freitas, bem o sabemos, não era homem de se ficar, assim, à primeira. Estava mais que habituado a enfrentar estas situações e outras bem mais difíceis e delicadas, pelo que foi dizendo:

Fim do 51º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Mãos



As mãos esguias
que me afagavam,
perderam a cor
e a consistência.

E agora,
em meu redor,
passam os dias
sem que novas mãos
me afaguem
e façam perder a consciência
que existo.

Lisboa,   62

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Corrupção


Eis a tua obra!

Sou eu,
este ser
nojento
e soês.

Vem
e deixa que teus lábios
me corrompam
outra vez!

Lisboa,   62

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 50º episódio


Agarrado ao órgão o brilhante advogado deixava as mãos céleres voarem pelo teclado e, a música fluía poderosa e íntima nos acordes improvisados. Possuidor de uma técnica notável o homem compunha como se de um autómato se tratasse de tal forma o domínio sobre o instrumento era completo.
Na verdade nem parecia dar-se conta do que fazia pois os seus pensamentos não tinham nada a ver com música.


A pulseira electrónica no tornozelo direito incomodava um pouco os movimentos no teclado de pedais mas… paciência que se havia de fazer.
E ainda podia dar-se por muito feliz por estar no luxuoso conforto da sua casa e poder usufruir do órgão e todas as mordomias que os seus meses de prisão o tinham privado.
Fora um burro, bem o sabia, tinha abusado da sua sorte chegara mesmo a convencer-se que nunca seria descoberto mas, é claro, tinha os seus inimigos, que bem sabia quem eram, e sobretudo, a filha do falecido que não lhe fava tréguas.
Como iria acabar aquilo tudo? Não se arriscava a prever. Nos tempos que correriam a nova ministra que apostara em revolucionar a justiça queria fazer dele um exemplo.
É claro que ainda não usara todos os trunfos que tinha na manga, isso ficaria para quando a situação chegasse a tal ponto que não lhe restasse alternativa que negociar usando as valiosas informações de que dispunha. Aliás tinha a certeza que era isso mesmo que o juiz pretendia de forma a poder implicar definitivamente uns figurões que até à data ser passeavam imunes como cordeirinhos inocentes
O que sabia e podia provar sobre muita dessa gente e muitos outros que a justiça nem sequer desconfiava, haveria de ser uma excelente moeda de troca.
Entretanto ia gozando a vidinha com um passadio que fazia inveja muitos.
Zuzarte Limão era um tipo esperto, aliás, fino como coral, que subira a pulso na vida apoiado no jogo político e nas tricas de bastidores do poder, sempre atento às menores movimentações de modo a estar sempre ao par ou pelo menos muito próximo de quem mexia os cordelinhos.
A terrível doença que sofrera e ultrapassara dera uma boa ajuda na opinião pública a seu respeito embora soubesse como esta é volúvel e inconstante.

Fosse como fosse, não tinha motivos para grandes preocupações a bela almofada, aliás, enorme colchão, que tinha a bom recato numa ilha fiscal que do mesmo que dizer num paraíso bem abrigado dos sempre curiosos investigadores financeiros haveria de dar e sobrar para levar o resto de uma bela vida com o bom e o melhor.
A única maçada era o problema com o filho que em vez de seguir os seus conselhos cheios de experiência começara a fazer asneiras, a dar nas vistas de tal forma que acabara por destapar o que tanto trabalho lhe dera por em bom abrigo de indiscretos e curiosos. Fora um bocado duro com o rapaz quando decidira não lhe pagar a fiança pedia pelo juiz mas aproveitara para lhe dar uma lição, talvez a última, de como ser manter fora de água quando se está a ir ao fundo.

A entrada de Vanessa na sala distraiu-o dos seus pensamentos. A empregada, impecavelmente fardada, era uma boa mulher, [i] muito dedicada e prestável. Talvez tais predicados tivessem algo a ver com o chorudo ordenado que lhe pagava mas… nunca se sabe.

Fim do 50º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.



[i] Alguns ordinários e malcriadões costumam associar esta apreciação a um cereal muito utilizado por exemplo, em fazer broa do dito cujo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 49º episódio


Um quarto, não obstante os mandatos de captura internacionais emitidos com enorme regularidade e igual insucesso continuava a viver pobremente em Londres, num apartamento com porteiro e tudo, mais um carrinho à porta, com motorista fardado, como mandam as boas regras.


Com este, o Alcino Freitas, só falara pelo telefone porque também não era mister correr riscos desnecessários, já que o sujeito andava sempre rodeado de televisões e jornalistas ansiosos por apanharem o quer que fosse para escarrapacharem nos jornais escritos e falados.
De qualquer modo, o tipo, que tinha uma lata maior que a Légua da Póvoa, resolvera fazer-se sócio do Couto, porque, dizia ele, em pouco tempo se haveria de provar que já pagara o suficiente pelos seus equívocos e poderia voltar em paz e sossego.

Quer dizer… sossego talvez não viesse a ter muito porque há para aí uns quantos que lhe querem a pele para fazer dela tambor de vinganças mesquinhas.

Um destes, tinha levado muito a mal que o sujeito, sendo seu advogado, o tivesse feito assinar uma quantidade de papeis no meio dos quais estava uma procuração de plenos poderes para vender, doar ou de qualquer forma alienar um prédiozito de dezoito andares de que era proprietário que o diligente causídico tratou logo de vender por uns milhões encaixando o recebido.
Parece que também uns quantos outros demonstravam muito empenho em saber o destino de uns outros milhões originados na venda de jogadores de um clube de futebol do qual, na altura, era o presidente, e que tinham levado sumiço.
Enfim... pessoas de maus fígados que não conseguiam engolir terem sido trapaceadas por um espertalhão de óptimas entranhas.

De qualquer maneira Monte Semedo não tinha ilusões. Conhecia demasiado bem os truques e triques da justiça e que, embora fosse possível ludibriar o sistema por uns tempos mais ou menos longos, uma vez tendo os media à perna como cães de fila que não largam o osso, tudo acabava como o costume: prisão!

Fim do 49º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 48º episódio


Tem de dizer-se que ao assunto era de enormíssima gravidade até pela cobertura mediática que lhe era dedicada.


Não se percebia muito bem se estava naquela situação por umas ‘coisas’ acontecidas nos Brasis, por umas avultadas quantias emprestadas por um Banco de amigos e compadres, a compra de uns terrenos por uma bagatela que depois foram vendidos por uma fortuna de todo o tamanho se… o rol era extensíssimo e o Juiz, por via das dúvidas, mantinha o homem no sossego do lar sem poder dar um passo para onde quer que fosse sem uma autorização sua que, evidentemente, não dava.

Mas o que se diz nem sempre corresponde à verdade ou, pelo menos, à verdade completa e muitos já preconizavam que tudo acabaria em ‘águas do fiel amigo’ que é como quem diz, de bacalhau.
Que o sujeito além de advogado, tinha relações e deveria saber muita coisa a respeito de muita gente era a ‘voz pequena’ dos mentideiros lisboetas e que, nestes casos é sempre conveniente ir dando corda ao papagaio a ver se ele se solta do cordel e voa para longe.

Um outro tinha viajado subitamente para o estrangeiro e por lá andava a fazer ninguém sabia bem o quê nem até quando. Parece que tivera uns problemazitos com uns fundos de investimento, que tinham acabado nos seus bolsos sem fundo, e os crentes credores a berrar por todos os lados não lhe davam descanso de qualidade nenhuma.
Tinha muitas saudades da terra de palermas que o vira nascer e lhe proporcionara o estatuto de grande banqueiro e sagaz investidor de dinheiros alheios, mas, por enquanto, era melhor manter-se aparte do assunto, aproveitando o tempo para não fazer absolutamente nada a não ser gastar paulatinamente o arrecadado com tanto esforço e não menor sucesso.
Aliás, para si próprio, estando em paz com a sua consciência porque, como não tinha – consciência – só não percebia como é que havia outros – bastantes – a fazer o mesmo e nada lhes acontecia o que lhe parecia uma enormíssima injustiça!
Até não deixava de ter uma certa razão porque basta ler um jornal ou ouvir uma televisão que lá vêm, com assiduidade regular, estampados em letra de forma ‘casos’, ‘suspeitas’, ‘alarmes’ a respeito de muito boa gente ligada ao sector.

Claro que estes são os espertos e os lorpas são os que se deixam apanhar. A maior parte das vezes nem são descobertos, ‘descobrem-nos uns insatisfeitos e mal-agradecidos que não receberam a ‘comissão’ que contavam receber e, vai daí, põem a ‘boca no trombone e é uma festa.

Isto era práticamente impossível acontecer ao Alcino, que, em primeiro lugar não pagava comissões a ninguém e, depois, mantinha o low profile de que já demos notícia.

Fim do 48º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 47º episódio


Você está a ver? Convida uns Juízes, uns Delegados do Ministério Público, uns fulanos das ‘Secretas’ e está o assunto resolvido. Os seus processos vão andando de Tribunal em Tribunal, um declara o outro incompetente, um Juiz afirma que está impedido por razões processuais – seja lá o que isso for – de pegar na coisa e… vamos andando até que, um belo dia, o caso prescreve e acabou-se.


“Mas é que eles não vão aceitar um convite meu!”, aventou o Isaurino.
“Pois, se calhar não! Mas quem lhe disse que será você a fazer os convites? Não! Há-de ser um outro qualquer que não suspeite de nada e, quando lá chegarem e toparem consigo… já será tarde demais.”
“Será tarde demais?”
“Sim, homem! Nessa altura hão-de lá estar uns três ou quatro fulanos armados em jornalistas e repórteres de televisão entrevistar o pessoal e a colher imagens o que vai ser um grande sarilho não só para esses ‘seus convidados’ como para alguns outros que tudo o que podem querer é que ninguém saiba por onde andam, com quem, e a fazer o quê.
Evidentemente que, na altura própria, eu que sou um tipo porreiríssimo, sossego os ânimos dizendo que vou falar com o pessoal das notícias para os dissuadir de publicar seja o que for. Depois é só informar que, a muito custo, consegui o desejado e que há que dar umas massas aos tipos para entregarem as fotos e as gravações, claro que ninguém vai precisar que lho diga duas vezes e, cá o Alcino, mete ao bolso uns carcanhois para compensação das despesas efectuadas que isto, hoje em dia, ninguém dá nada a ninguém. Compreende agora?”
O Isaurino compreendeu e, sem mais comentários lavraram o acordo cinegético.
Naquela ocasião, o Alcino ainda apresentou mais uns quantos figurões, cada qual mais conspícuo.
Um deles, um advogado e político de peso estava em casa com pulseira electrónica e não se previa quando acabaria a coisa.
Aquilo era um caso muito sério porque o Juiz encarregado do caso tinha o homem de ponta – segundo ele dizia – e não havia meio de o deixar em paz.
Não que em casa não estivesse a passar muito bem – aliás, muitíssimo bem – instalado rodeado dos seus valiosos pertences, mobiliário, quadros de valor estratosférico e, evidentemente, o mais moderno órgão electrónico onde passava horas a tocar peças de autores famosos, a maior parte deles já falecidos.

Fim do 47º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dia da Mãe


A Mãe
Ah!... a Mãe!

Quem me dera
ser poeta
ou
saber cantar,
dizer versos,
recitar quadras...

Só pobreza
e muita veleidade:

Bem pouco
na verdade...

Lisboa  61

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Solidão: Porquê?


Porque sou só?
Porque a minha mão
não alcança esferas lisas
onde se enclavinhe
ou deslize irada.

Porque não há caixa fechada
para que adivinhe
o que contém.

Porque não há olhos com sono
para ver se dormem.

Porque não há torpor.

Porque não há abandono,
nem dor,
nem nada,
nem nada...

Há só o estro essencial,
aquilo que é
sem pretender ser.

O que foi
porque nasceu assim.

Aquilo que, depois
e antes de tudo,
fez parte de mim
e que estudo
desde o começo
até ao fim,
desde que me conheço
até me finar,
só,
em mim.

Lisboa,   61

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 46º episódio


As almas gémeas reconhecem-se quase sempre nesta vida e foi o que aconteceu. Estabeleceu-se uma amizade e compadrio que ia muito para além das panelas e dos tachos do Alcino e das necessidades fiduciárias do Isaurino.


Uma vez, disfarçado com uma cabeleira postiça para não ser reconhecido, aceitou um convite do Alcino para ir passar um São João ao Porto e divertiu-se a valer.
Veio de lá com a ideia de montar um esquema semelhante lá na terra onde presidia aos destinos camarários mas por mais que perguntasse não se arranjava um santo padroeiro com o gabarito e popularidade do da Invicta.
Assim, ficou-se de parceria com uma empresa de comunicações móveis por organizar uns concertos ao ar livre que levavam, todos os anos, uns milhares de promitentes bêbados e assumidos porcalhões, a passar três ou quatro noites a beber cervejas e a fazer asneiras e poucas-vergonhas com direito a televisão e tudo.
Tudo isto em nome da liberdade de expressão e da juventude prafrentex, não importando para nada que uma grande parte daqueles meninos e meninas tenham chumbado nos exames e não tenham a menor intenção de não reprovar também no ano a seguir, sim, que eles coitados não têm culpa que os paizinhos tenham uma broa em cada olho e em vez de os pôr a trabuquir a acartar massa para as obras ainda lhes deem dinheiro para se embebedarem nestes ‘festivais de verão’

Quanto a elas… a mesma coisa, vêm com aquele risinho alarve para a frente das câmaras dizer que estão a ‘curtir’, que é bué de bom e outras grandes tiradas do género enquanto tentam esconder as borbulhas do acne por debaixo de umas pinturas sioux.

Mas todo este bem-fazer a que o Isaurino se dedicava com pertinácia futebolística, não afastava o espectro do isolamento social a que era votado.

O que mais lhe custava era entrar num restaurante para comer um pargo no forno que era um dos seus pratos predilectos e toda a gente sentada às mesas fingir que não o via.
Bem… a continha era sempre paga por um tipo qualquer mas, a verdade, é que só lhe falavam a medo e como que de passagem quando não podiam de todo evitá-lo.

Era muito triste e o Isaurino que era um homem de relações e multidões sofria muito com esta situação que tendia a eternizar-se pelo menos tanto quanto os processos judiciais que carregava aos ombros.

Mas, o amigo Alcino Freitas, parecia ter a solução: Fazer-se sócio da Sociedade de Caça.
“Mas eu nunca dei um tiro na vida!”
“Mas que é que isso interessa, ó Isaurino?”

Fim do 46º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 45º episódio

Pois a este Julinho, que nem por ser multimilionário tinha grande aceitação na sociedade, antes era olhado de lado suspeitosamente, o Alcino falou na hipótese de pertencer à Sociedade de Caça.
O outro nem pensou muito, já estava habituado às ideias do Alcino que eram sempre boas e de óptimos resultados, tratando de anuir ao convite, acrescentando até:



“Até ofereço para lá uma f… da p… de uma pintura qualquer” ao que o Alcino com urbanidade respondeu que não era preciso chegar a tanto!

Desde o 28º episódio que nos vimos deter nas apresentações do Alcino e, só para avisar, vamos continuar a deter-nos:

O Alcino prosseguia nas suas apresentações:

Ora aqui está o meu queridíssimo amigo Isaurino Mortais:

O Isaurino era, de facto, uma figura. O cabelo empastado em brilhantina, o bigode farfalhudo, a pele da cara luzidia, a barriga proeminente, o havano pendurado na mão direita era a imagem do parceiro bem instalado na vida, bem comido e melhor bebido, enfim, com um passadio do melhor.
A história deste sujeito era um bocadinho complicada e difícil de contar em poucas linhas. Parece que uns terrenos quaisquer tinham sido vendidos por uns milhões a um sobrinho que vivia na Suíça onde era taxista e que uns picuinhas quaisquer tinham resolvido perguntar como é que um taxista tinha, assim, ao canto da gaveta, mesmo que fosse uma gaveta suíça, esses mesmos milhões.
E embora o Isaurino explicasse até à exaustão os meandros do negócio, o facto é que ninguém parecia perceber a maravilha da coisa, e, continuavam a massacrar o pobre do homem com perguntas e processos e inquirições, enfim, um aborrecimento de todo o tamanho que mal lhe deixava tempo para se ocupar daquilo que mais gostava de fazer e que era inaugurar pracetas, viadutos, jardins públicos e pistas para ciclistas urbanos.
O pior disto tudo é que já quase ninguém queria ser visto com o Isaurino e o homem se via prostergado por uma sociedade onde espalhara o bem às mãos cheias.
Uma destas obras de magnífico impacto tinha sido a inauguração de uma cantina onde se serviam refeições por uns cêntimos a pobres e, graciosamente, a outros ainda mais pobres que nem cêntimos têm.

Não se sabia que o maior fornecedor de frangos era um cunhado do Isaurino que possuía um aviário lá para os lados de Santa Cita, e que as batatas, cebolas e outros produtos da horta do amigo desse cunhado apareciam com regularidade pendular às portas da cantina.
Mas, é claro, uma coisa deste gabarito, tem de ter um mínimo de suporte, tal como mobiliário apropriado, trem de cozinha etc.

Alto e paira o baile! Falou-se em trem de cozinha e, está-se mesmo a ver, que aqui entra o nosso amigo Alcino Freitas.

Fim do 45º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Blogue-novela: Ti Bisnaga 44º episódio


Passados um ano - ou mais - já vamos encontrar o casal a viver num belo andar em pela Avenida da Boavista e com um negócio montado em plena Baixa portuense num primeiro andar sob o letreiro:


 ‘Borrego’s’.

Este foi um toque de génio porque o ar ‘britânico’ do nome era mesmo a propósito!
Agora já não vendiam as pedras em bruto mas sim já trabalhadas e polidas e, os ganhos, subiam mais rápido que o funicular do Sacré Coeur, em Paris. [i]
Tinham contratado um génio de contabilidade para - como dizer – tomar conta das contas, mas chegou uma certa altura em que o homem teve de confessar a sua incapacidade para a cosmética cada vez mais exigente que se lhe deparava. Que fazer?

Foi então que, surgiu o Alcino Freitas na figura de um comprador de uma pedra qualquer para oferecer a uma das amásias. Conversa daqui, conversa dacolá acabaram numa jantarada de marisco ali para os lados de Leça onde este comestível é muito vulgar e acessível. [ii]
O Julinho era um tipo cheio de cautelas, manhoso e fino como coral e não abria o jogo ao primeiro Alcino que se lhe deparasse mas, este Alcino, era da sua estirpe, quer-se dizer, entendiam-se às maravilhas e acabou por lhe contar o magno problema que enfrentava.

É claro que o Alcino tinha, na manga, a solução: Uma galeria de arte!

“Oh com um c… - solta-se o Julinho -, mas eu não entendo nada disso, pá!”

“Nem precisa - dizia-lhe o Alcino -, tem é que se arranjar quem saiba e…prontos… monta o estaminé, de preferência uma coisa em grande, com estilo, e já está!”

Eis aqui a maravilhosa explicação da Galeria de Arte do Julinho Borrego: A Borrego’s!

Mas, a notoriedade tem o seu preço [iii] e o Julinho passou a andar de um lado para o outro rodeado de dois brutamontes, supostamente empregados de escritório mas, na realidade, guarda-costas dos tesos.
Até, por via das cautelas, nem tinha a chave do portão da Borrego´s, não fosse haver algum pincel dos grandes e ter de abrir a porta a alguém interessado em arrecadar-lhe o espólio.
A Borrego’s tinha um sistema de vigilância com inúmeras câmaras e outro equipamento sofisticado, polícia à porta e mais uns quantos matulões que por lá andavam a palitar os dentes ou a limpar os cascos com umas naifas de tamanho respeitável.
A ‘casa-forte’ era-o, quer dizer, um autêntico forte ou melhor, um bunker em com paredes de cimento de meio metro de espessura que nem uma carga de dez quilos de trotil faria mossa.

Fim do 44º episódio


Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.


[i] Sim… já lá andei que, eu… sou viajado!
[ii] Como toda a gente sabe.
[iii] Não o sei por experiência própria mas por ouvir dizer