Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Taxista inglês

 Que classe!!!! Mesmo à Inglesa -  100% British. 

Um muçulmano devoto entra num táxi. 

 Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir música, como decretado na sua religião, e porque no tempo do profeta não havia música, especialmente música ocidental, que é música dos infiéis. 

 O motorista do táxi, educadamente, desliga o rádio, sai do carro dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a. 


 O árabe pergunta: - "O que é que você está a fazer? 


 Resposta do taxista: - "No tempo do profeta não havia táxis; por isso saia e espere pelo próximo camelo" 


 
  

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Estava curada!!!



João e a Maria estavam internados num hospital psiquiátrico.
Um dia, durante o seu passeio habitual, o João saltou para dentro da piscina e afundou-se de imediato.
Maria saltou rapidamente para a piscina e conseguiu salva-lo.

Quando o director teve conhecimento do acto heróico da Maria, deu imediatamente ordem para que esta fosse dada como curada.
Mandou chamá-la e comunicou-lhe:

-Tenho boas e más notícias a comunicar-te:

-As boas são que vamos dar-te alta, visto teres demonstrado possuir capacidade racional para ultrapassares uma situação de crise, e salvares a vida de um doente. O teu acto mostra que estás recuperada!
-As más notícias são de que o João, depois de o teres salvo, enforcou-se na casa de banho com o cinto do roupão, Lamentamos imenso, mas está morto.
E a Maria respondeu:

-Ele não se suicidou, eu é que o pendurei a secar!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Poemas da minha vida: Pertença





Violento
talvez,
mas sensato,
calmo,
cordato,
quero-te
para mim
como quero
a mãe que Deus me deu.

Talvez mais,
pois sou já teu.

Lisboa,  61

Histórias para adormecer os meus netos, 13


Era uma vez…um Telemóvel!

Com é possível escrever uma história sobre um telemóvel?

Sim, porque, um telemóvel é uma coisa, aliás, um objecto que, hoje em dia, quase toda a gente tem e, por isso mesmo, está tão espalhado e é tão comum que contar uma história sobre um telemóvel tem de facto de ser algo muito especial.

Mas, os meninos já vão ver, ou melhor, ler, se é ou não uma história fantástica.

O telemóvel desta história estava há que tempos numa prateleira de uma loja muito pequenina e que ficava em “cascos-de-rolha”. Para quem não sabe, isto quer dizer que é para lá, muito para lá, do sítio onde o “diabo perdeu as botas” o que, é o mesmo que dizer, por “detrás-do-Sol-posto”, em “casa do caneco”…sei lá…longe que se farta, prontos!

O aparelhómetro estava ali há um ror de meses e ninguém o comprava. Não que fosse muito caro, até por acaso nem era dos mais caros, nem que tivesse algo especial, nada disso: era um telemóvel como os outros, banal, corriqueiro, um telemóvel muito…telemóvel, e mais nada.

Só que, é claro, com o passar do tempo, foi ficando desactualizado, quer dizer, iam saindo modelos mais recentes, com mais aplicações, software mais updated, etc. e tal e coiso.

No Sábado uma menina toda perliquitetes, tinha agarrado nele, olhado por um lado e pelo outro, perguntou o preço e acabou por largá-lo outra vez em cima do balcão dizendo:

_ Por acaso até é muito giro, mas a máquina fotográfica só tem 1,3 pixéis!

O telemóvel ficou “lixado” da vida! Que raio queria aquilo dizer, 1,3 pixéis?! Seria assim como se diz dos automóveis: Tem não sei quantos cavalos…e a gente não vê nem um burro quanto mais cavalos!

O pior é que não sabia como é que havia de resolver o problema porque, como se sabe, os telemóveis não falam, quer dizer, não falam como a gente e, portantos, não podia perguntar a ninguém que era aquilo dos pixéis.

Bem, o telemóvel tem memória, isto toda a gente sabe, e então começou a “memorizar” as características técnicas dos outros colegas telemóveis que estavam na mesma loja. Era uma trabalheira daquelas, porque cada telemóvel era diferente do outro: Um tinha vídeo, o outro tinha alta-voz, havia um com o ecrã de vinte e cinco mil cores, ao passo que o companheiro do lado só tinha mil e quinhentas…um inferno!

Um belo dia chegaram uma quantidade de telemóveis novos à loja, cada um metido numa caixinha muito gira, com muitos enfeites e lacinhos. Era altura do Natal e as lojas queriam vender cada vez mais e, portanto não poupavam esforços para tornar a mercadoria mais atraente.

Só que, como já disse, a loja era em cascos-de-rolha e, portanto, pouca gente lá ia. Aparecia de vez em quando - muito de vez em quando – um curioso qualquer , mas que raramente comprava um telemóvel fosse ele qual fosse, muito menos iria comprar um telemóvel com um câmara de 1,3 pixéis.

E o tempo passava, passou o Natal, veio o Ano Novo e…nada, o nosso amigo telemóvel com a câmara de 1,3 pixéis continuava na prateleira da loja.

Mas aconteceu que, o dono da loja já estava farto daquilo. Quer dizer, fartinho de ter ali o nosso amigo telemóvel há um ror de tempo sem que ninguém o comprasse.

De maneiras que, uma manhã de Janeiro que até fazia um frio de todo o tamanho, não esteve com meias medidas: Foi-se à prateleira, agarrou no telemóvel e zás.. atirou com ele pela porta fora.

O telemóvel, é claro, ficou um bocado aborrecido com a coisa. Estava habituado ao quentinho da loja, ao seu lugarzinho na prateleira e, agora, estava para ali caído na borda da estrada para onde o dono da loja, furioso, o tinha atirado.

Mas aquilo durou pouco. De repente parou mesmo ali ao pé um carro todo modernaço, cheio de cromados e faróis por todo o lado, e de lá de dentro saiu um pivete de dez ou doze anos que estava muito aflito para fazer xixi.

Feito o xixi o rapazinho, enquanto abotoava os calções, reparou no telemóvel que estava ali abandonado, pegou nele, limpou-lhe o pó e…ala para dentro do popó. (Faz verso, reparam?)

De novo a caminho pela estrada fora, diz o pivete para a mãezinha que ia ao volante:

- Oh Mamã! Mamã!

_ Olha o que eu achei: um telemóvel novinho em folha!

- Ainda por cima, tem uma câmara de 1,3 pixéis!

- Fantástico!

_ Era mesmo o que eu queria!


Porto, Dezembro de 2006

domingo, 25 de novembro de 2012

Poemas da minha vida: Loucura





Sou louco,
não me canso de repetir
para que todos o saibam
e acreditem
e me desculpem
me não levem a sério
e não me julguem.

Lisboa,  61

sábado, 24 de novembro de 2012

Poemas da minha vida: Estar










Estou,
sem ser,
como rezo
sem orar,
como me detenho
sem ficar,
ou sorrir,
ou morrer,
ou chorar,
sem conseguir
ser verdadeiro
e ganhar num minuto
o que perco o ano inteiro.

Lisboa,  61

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

3 D


IMAGENS EM 3-D (NÃO PRECISA DE ÓCULOS)
                                  Em tela cheia, espetacular!!!...



 



__,_._,___

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Histórias para adormecer os meus netos, 12


Era uma vez... Um senhor chamado Joaquim.

À primeira vista, não parece ser assim uma coisa muito interessante para uma história, pois não?

Ele há tantos “Joaquins” por esse mundo fora! Joaquins portugueses, espanhóis, ingleses, do caneco; e ninguém conta histórias sobre eles pois não?

Mas, de facto, este senhor Joaquim merece uma história porque, o senhor Joaquim – o desta história – era um senhor Joaquim muito especial. Este senhor Joaquim – o desta história – nunca em toda a sua vida, e já tinha uns bons anitos, dera um traque!

Mas isso será possível? Alguma pessoa normal, crescida, saudável, bem formada, etecetera e tal, será possível que tal pessoa nunca tenha dado um traque?

Mas é verdade. O senhor Joaquim – o da história, caramba! – nunca, em toda a sua vidinha dera um traque, nem mesmo daqueles pequeninos que mal se ouvem, quanto mais daqueles que parece que deitam as paredes abaixo! Não senhores: O senhor Joaquim nunca dera um traque, fosse de que tamanho fosse porque, não sabia como é que dá um traque!

Parece impossível, não é? Mas é verdade, o senhor Joaquim – o da história, já disse! – nunca tinha aprendido a dar um traque e, pura e simplesmente, não sabia como se fazia.

Isto era uma coisa que o envergonhava muito e sentia-se, até, bastante diminuído quando estava com outras pessoas e uma delas dava um traque.
E, o pior, era quando estava com os amigos e estes se punham a contar histórias de traques, do género: - Eh pá! Outro dia dei cá um traque! Bolas, ia ficando zonzo! Ou outro que se gabava: - Eu, aqui atrasado, dei um traque que até partiu os vidros das janelas!

O senhor Joaquim, neste último, não acreditou muito, mas, de qualquer maneira ficava sempre roidinho de inveja e sentia-se quase como que um desgraçado, um pária, uma rejeição da sociedade…enfim…uma pessoa sem classificação.

E, claro, tinha muita vergonha desta sua limitação, mas era incapaz de revelar ou sequer falar com os outros sobre o assunto.
Ficava a remoer por dentro, numa angústia terrível que lhe fazia mal e até lhe dava dores de cabeça.

Mas que havia de fazer? O senhor Joaquim – é a última vez que digo que é o desta história! – pensou ir ao médico e dizer-lhe a verdade, por muito que lhe custasse, não obstante a enorme vergonha que sentia, e pedir-lhe, além da sua opinião profissional sobre a sua incapacidade fisiológica, implorar um remédio para a coisa.
Mas, é claro, isto é muito fácil de dizer e de se pensar; o pior é fazer!

Sim…porque não podia ir a um médico qualquer. Tinha de ser um especialista, um técnico do traque.

Fartou-se de procurar nas Páginas Amarelas, na lista telefónica, até foi ao Anuário da Ordem dos médicos e à Internet, mas nadinha…não encontrou nenhum médico especializado em traques. Não havia…pura e simplesmente…não havia!
Ficou muito admirado porque pensava, e como muita razão, que um assunto tão importante deveria ter especialistas, técnicos formados no assunto. Enfim, pessoas que dedicassem muito do seu saber e da sua técnica ao importantíssimo assunto do traque em geral e da incapacidade de traquejar em particular.

Se calhar, pensou o senhor Joaquim – volto a repetir que, este senhor Joaquim, é o desta história e espero bem que isto fique claro de uma vez por todas! – o melhor é ir a um médico de Clínica Geral porque, pelo menos, deve saber alguma coisa do assunto.

E lá se resolveu. A coisa foi difícil; cheio de nervoso miudinho tomou não sei quantos comprimidos, fez uma massagem aos pés, emborcou quatro chávenas de café descafeinado, outras tantas de café com cafeína, comeu cinco pastéis de nata e três éclaires de chocolate, deitou abaixo meio quilo de pão-de-ló de Ovar, bebeu um litro e meio de água do Luso, calçou meias lavadas, vestiu umas cuecas novas em folha, pôs um fato ás risquinhas azuis escuro, uma gravata ás bolinhas verdes, colocou no pulso o seu “Swatch mariner” de quase meio quilo de peso e com vinte e sete ponteiros e que já lhe tinha provocado uma distensão muscular, e…prontos…abalou a caminho do consultório do Dr. Quepivete.

Quando lá chegou, estavam umas dez pessoas na sala de espera e o senhor Joaquim sentou-se numa cadeira e pegou numa revista toda rasgada que estava ao pé de outras igualmente rasgadas e todas do ano passado. Mas o senhor Joaquim, queria era passar o tempo e, portantos, a revista não interessava para nada.
Estava nesta grande maçada, quando começou a sentir uma sensação esquisita a subir e a descer pela barriga. Era uma espécie de uma bola de ar que ia ganhando volume, tamanho e velocidade. É claro, pensou logo o senhor Joaquim, com a tralha toda que tinha comido e bebido seria para admirar não se sentir alguns efeitos.

Aquilo estava a atingir proporções assustadoras, o senhor Joaquim levantou-se da cadeira, fez uma flexão de pernas, desapertou o nó da gravata, limpou o suor da testa e…deu um traque de um tamanho tal que todas as pessoas que estavam na sala ficaram com os cabelos em pé como se tivessem levado uma descarga eléctrica. A recepcionista, que estava a arranjar as unhas, caiu da cadeira abaixo partindo os óculos. Os vidros das janelas abanaram, o soalho estremeceu, a luz dos candeeiros tremelicou.

O senhor Joaquim ficou extasiado, feliz, radiante e, no meio desta confusão toda gritou saindo pela porta fora: - Estou curado! Já sou capaz de dar um traque!


Porto, Novembro de 2006

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Terramoto no Japão

AS 10 LIÇÕES QUE O JAPÃO DEU AO MUNDO APÓS O TERRAMOTO

1. A CALMA
Nem um único sinal de pânico. A tristeza foi crescendo mas a atitude positiva manteve-se.

2. A DIGNIDADE
Foram feitas longas filas para a água e mantimentos. Nem uma palavra áspera ou um gesto bruto.

3. A CAPACIDADE
Arquitectura incrível e engenharia irrepreensível. Os edifícios oscilaram, mas nenhum caiu.

4. O CIVISMO
As pessoas compravam somente o que precisavam para o presente, para que todos pudessem ter acesso aos bens.

5. A ORDEM
Não houve saques nas lojas. Não houve buzinões nem ultrapassagens nas estradas. Apenas a compreensão pelo momento pelo que todos passavam.

6. O SACRIFÍCIO
Cinquenta trabalhadores não foram evacuados das instalações da central nuclear para assegurarem que a água do mar fosse bombeada para os reactores. Nunca serão reembolsados!

7. A TERNURA
Os restaurantes reduziram os preços. Uma ATM foi deixada sem segurança. Os fortes cuidaram dos fracos e a entreajuda estava na rua em todos os locais.

8. O TREINO
Os idosos e as crianças sabiam exactamente o que fazer. E fizeram exactamente o que era pressuposto fazer.

9. A COMUNICAÇÃO SOCIAL
Os jornalistas mostraram dignidade e contenção no modo como reportaram as notícias. O sensacionalismo foi rejeitado. Somente reportagens serenas.

10. A CONSCIÊNCIA
Quando, numa loja, a energia eléctrica falhou as pessoas colocaram as coisas que tinham na mão nas prateleiras e saíram tranquilamente.



QUANDO FORMOS CAPAZES DE APLICAR EM NÓS E EM PORTUGAL ESTES DEZ AUTÊNTICOS MANDAMENTOS, SEREMOS UM POVO CIVILIZADO.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mona Lisa!!!

BAIXE ATÉ VER O INACREDITÁVEL..
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Alguma ideia ?
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Alguma ideia agora???
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E agora???
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Em Sydney - Austrália, artistas colocaram 3064 copos com café, preenchidos com leite em proporções adequadas para criar as nuances necessárias para formar o famoso quadro do Leonardo da Vinci!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Nalgésicos!!!


Descrição:
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Novos medicamentos genéricos ministrados gratuitamente pelo SNS:



Isto é que são ANAL… GÉSICOS !!!

domingo, 18 de novembro de 2012

BOMBÊROS DA VIDIGUÊRA...


Um fogo deflagra numa grande herdade Alentejana.

Os bombeiros foram imediatamente chamados para extinguir as chamas.

O fogo estava cada vez mais forte, e os bombeiros não conseguiam dominar as chamas.

A situação já estava a ficar fora de controlo, quando alguém sugeriu que se chamasse o grupo de voluntários da Vidigueira.

Apesar de alguma dúvida quanto às capacidades e equipamento dos voluntários, sempre seria mais uma forma de auxilio. Assim foi.

Os voluntários chegaram num camião velho, desgastado pelos anos e operações de combate. Passaram em grande velocidade e dirigiram-se em linha recta para o centro do incêndio! Entraram pelo fogo adentro e só pararam mesmo no meio das chamas.

Estupefacta, a população assistiu a tudo.

Os voluntários saltaram todos do camião e começaram a pulverizar freneticamente em todas as direcções. Como estavam mesmo no meio do fogo, as chamas dividiram-se, e restaram duas porções facilmente controláveis.

Impressionado com o trabalho dos voluntários da Vidigueira , o latifundiário dono do monte respirou de alívio quando viu a sua herdade ser poupada à devastação das chamas. Na hora puxou da carteira e passou imediatamente um cheque de 5000 euros à corporação voluntária.

Um repórter do jornal local perguntou logo ao comandante dos bombeiros:

- 5000 euros! Já pensou o que vai fazer ao dinheiro?

- Penso que é óbvio, nã? - responde o comandante ainda a sacudir a cinza do capacete. - A primeira coisa que vamos fazer é arranjar a porra dos travões da camioneta!!!

sábado, 17 de novembro de 2012

Histórias para adormecer os meus netos, 11


Era uma vez... Uma Piscina!

Pois… uma piscina daquelas de tomar banho e tudo. Eu conto.

Piscina quer dizer (segundo o Dicionário da Porto Editora): Reservatório de água onde se criam peixes; tanque de água para lavagem, natação, bebedouro de gado; pia baptismal; (em Latim piscina).

Fiquei muito satisfeito por ter descoberto estas definições de piscina, porque toda a gente me dizia que havia de fazer uma no jardim da minha casa. É claro que não precisava de um tanque para lavagem; também não ia baptizar ninguém no jardim – que disparate! -, e, muito menos, fazer uma para dar de beber a vacas e ovelhas que, como se sabe, não tenho em casa. Mas como o dicionário diz que serve para natação, isso sim, interessava-me pois eu gosto muito de nadar.

Assim, um belo dia, dei ordens ao jardineiro, um “brutatis” chamado Botelho, para se pôr a cavar num sítio do jardim dentro de um desenho que eu fizera no chão, em cima da relva, com uma corda da roupa. Disse-lhe assim:

_Oh! Botelho: Você ponha-se para aí a cavar à volta desta corda até eu dizer que já chega, percebeu?

E o “brutatis”:

_ Mas ó Sinhor Mexiaeialbes, onde é que eu ponho a terra que dali vai sair?

_ Oh homem, digo-lhe eu, atire-a para o vizinho e prontos. Sim que aquilo está abandonado e ninguém quer saber se aparecer lá um montão de terra.

Prontos… o Botelho desatou a cavar como um maluquinho que até deitava fumo: parecia uma escavadora o raio do homem!

É claro que eu não sabia o que iria sair dali. As piscinas podem ter os tamanhos e as formas que a gente quiser. Eu tinha decidido que a minha havia de ter a forma de um feijão – mais ou menos, tá-se a ver -,e por isso quando a cova começou a ficar mais funda eu disse ao Botelho:

_ Você cava aqui um bocado mais fundo, da altura desta ripa que tem mais ou menos dois metros e vinte e depois aqui para este lado vai deixando até uma altura de mais ou menos um metro, está a perceber?

Ele não percebeu nada, mas fez como eu mandei e… foi limpinho, numa semana ficou aquilo pronto. Foi então a vez de entrarem em funções os trolhas – como dizem cá nesta terrinha – e demais técnicos de construção. Lá expliquei o que queria e, a coisa saiu, por acaso bastante bem.
A vossa Mãe e as Tias mais eu, claro, inaugurámos o equipamento com vários mergulhos e nadadelas em todas as direcções. Eu, cansado, sentado numa cadeira, dizia para a Avó que já estava a ver aquela piscina cheiinha de netos a nadar, a mergulhar, a fazer piruetas, a dar “bombas”, enfim, uma piscina cheia a rebentar.

Muito bem, agora já só faltam aprender a nadar: a Madalena, a Leonor e o Luís. Este ano, se Deus quiser, já se dará um adianto na coisa, talvez o Luís é que demore um bocadinho mais, mas esperto e atleta como é não há-de tardar muito a aprender.

Isto, não é bem uma história, pelo menos até aqui, mas, agora, vou contar uma coisa que aconteceu.

No fim do Verão passado, estava eu no jardim quando comecei a ouvir uns suspiros muito grandes. Não me apercebi o que era aquilo até que, reparando bem, vi que os suspiros vinham da piscina. Fiquei muito intrigado com a coisa e perguntei à piscina o que é que se passava.
Para meu espanto, a piscina respondeu – eu sabia lá que a piscina falava!

- Eu estou muito triste, muito triste.

Eu pensei que aquilo se devia a uns traqezitos que de vez em quando os meninos dão na água – até é muito engraçado, porque faz umas bolhinhas de ar – e um ou outro chichizinho. Bem… os meninos e os grandinhos que eu bem sei… Por isso perguntei?

Mas porquê? Estás aborrecida com os traquitos e os chichizes?

_ Não, não, nada disso. Eu até acho piada. Não, eu estou triste porque agora os meninos já não vêm nadar nem saltar dentro de mim como dantes. Só cá vêm de vez em quando e eu tenho muitas saudades deles. E desatou a chorar.

Eu fiquei banzando com aquilo e depois reparei que as piscinas choram de uma forma muito especial: abrem uma racha na parede e a água vai-se toda por ali!

Foi o que aconteceu! E a piscina fartou-se de chorar, chorar, chorar…

Bem, eu cá vou arranjar a fenda por onde a piscina tem chorado este tempo todo com saudades dos meus netos – todos! -, mas têm de me prometer que vêm cá muitas vezes no Verão, tomar banho, nadar, dar bombas, cambalhotas, enfim… o que vos apetecer. Combinado?

Portantos… façam-me o favor de combinar muito bem com os Pais como é que vão fazer no Verão e… não se esqueçam de uma coisa muito importante:
È que se não, quer dizer, se não houver meninos, a piscina desata-me a chorar outra vez e lá se abre outra rachadela, se calhar muito maior que esta. Estão a perceber?


Porto, Março de 2006