Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



domingo, 22 de abril de 2012

Oh Philip!!!


Procissão

Cerca de trezentas e trinta e duas pessoas das quais a grande maioria era do sexo feminino e as outras não, aguardava com notória impaciência e algum mal contido nervosismo que passasse a procissão do orago da capela.

O meio-dia não soara nos sinos da torre [1].

Em pleno Agosto o meio-dia tem que se lhe diga.
O Sol está a pino e os seus raios abrasam tudo.

Mas, naquele dia, não era o caso porque estava de chuva o que era uma maçada muito grande porque, como abundantemente se sabe, 'quem anda à chuva... molha-se' e das trezentas e trinta e duas pessoas mais de metade não tinha guarda-chuva e as outras também não o que torna muitíssimo fácil entender que o pessoal estava encharcado e a impaciência começava a ganhar vulto.

De facto a procissão já tardava em arrancar e, de vez em quando, um sacristão esbaforido ia a correr à da curva da estrada para logo voltar com a preciosa informação que ainda não havia procissão à vista.

A dona Eleutéria, única esposa do único farmacêutico da terra, mesmo sem ninguém lho pedir, emitiu um parecer:

"Acho que deve ter havido um atraso!"

De facto este foi um parecer muito a propósito, inteligente e profundo já que toda a gente pareceu concordar.

Bem... toda a gente não porque a senhora Emília, bisneta do General Faria, herói da guerra dos boers, tinha tirado uma pós graduação em procissões o que lhe garantia a certeza absoluta de que as procissões não se atrasam nem adiantam.
Ou há procissão ou, então, não há. E prontos, sobre este assunto não admitia discussões.

Mas, as coisas são como são e, o facto era que procissão... nada, zero, nem pó!

Façamos uma pausa...

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Feita a pausa, retomemos a emocionante narrativa:

O meio-dia já não era, quer dizer, eram quase vinte para as duas da tarde e as trezentas e trinta e duas pessoas continuavam sem procissão e, agora, também, sem almoço.

Como quase sempre acontece em casos destes, tudo se resolveu de forma inopinada.

Da janela de um automóvel que parou junto ao pessoal aguardante [2] debruçou-se uma cabeça coberta por abundante cabeleira:

"O que faz por aqui tanta gente?" perguntou o personagem.

Foi informado e reagiu:

Querem mesmo conhecer a reacção?
                                                              

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Adolfo Boutifar Najique

Devido à pressão dos media [1] o Director do Departamento Central de Investigação Criminal - a partir de agora e lá mais para a frente referido por: DDCIC - resolveu reunir todo o pessoal envolvido nas investigações para um briefing [2]
Na sala encontravam-se quatro ou cinco pessoas - um terço das quais eram mulheres e os outros dois terços, homens - sentados a uma mesa rectangular com o tampo de madeira bastante riscado [3] sendo que um dos homens não estava sentado porque se encontrava de pé [4] com um ponteiro na mão esquerda porque era canhoto [5] com o qual apontava [6] para uma interminável série de mais de oito fotografias pregadas na parede.
"Esta - dizia o sujeito - é uma panorâmica da cena do crime. Pode ver-se a vítima absolutamente morta caída no meio do tapete de Cashemira, de resto inutilizado pela tremenda quantidade de sangue e pelos miolos da vítima".

A fotografia era, de facto impressionante e não destoaria num cartaz da Fantasporto.

"Aqui - prosseguia o canhoto - pode ver-se a arma do crime que não revelou quaisquer impressões digitais ou outras. Parece evidente que o perpetrador do crime - o canhoto atrapalhou-se um bocado com a palavra mas todo o pessoal, incluindo o Director Geral do DDCIC, percebeu que se referia ao autor do crime - agiu com frieza e determinação impressionantes. Uma coisa que pareceu óbvia desde o primeiro momento, foi que a vítima terá sido apanhada desprevenida o que pode significar, pelo menos três coisas: o perpetrador do crime - o canhoto atrapalhou-se, novamente, um bocado com a palavra mas, como da outra vez, todo o pessoal, incluindo o Director Geral do DDCIC, percebeu que se referia ao autor do crime - e a vítima conheciam-se"
O Director Geral do DDCIC, acabou de estar calado e perguntou:

"E as outras duas hipóteses?"

O canhoto respondeu com brevidade:

"Não faço a menor ideia quais sejam!"

O Director Geral do DDCIC fechou a boca que tinha aberto e disse:

"Bem... continuemos."

O canhoto cedeu o ponteiro a um dos investigadores femininos e sentou-se. Aparentemente a sua intervenção no briefing [7] terminara.
Com voz sincopada, rápida, muito profissional, o inspector feminino, começou:

"O nome da vítima é - o tempo verbal está correcto já que, não obstante o tempo decorrido, a vítima continuava a sê-lo - Adolfo Boutifar Najique o que condiz com a cor da pele, isto é, com a origem paquistanesa. Vivia neste palacete - ponteirava uma das fotografias - com um cozinheiro, um empregado de quarto, um mordomo e um gato siamês. Dos quatro o único que não é indiano é precisamente o gato. É bem conhecida a antipatia que os indianos nutrem pelos paquistaneses que lhes retribuem de igual modo.
O Boutifar não era tão rico como o Carlos Slim mas para lá caminhava a passos largos. Investigações posteriores indicam que se dedicava a negócios pouco claros, isto é, escuros como drogas e etc., e tal e coiso."

Cansadíssimo o investigador feminino passou o ponteiro a um colega bastante alto e com olhos castanhos [8] que, não obstante não usar gravata, começou:

"Temos assim, e para começar, três suspeitos que conheciam muito bem a vítima e vice-versa: o cozinheiro, o empregado de quarto e o mordomo cujos motivos para o crime podem classificar-se de políticos ou rácicos.
Destes o principal suspeito é evidentemente, o mordomo.
Ao mesmo tempo não se descarta a hipótese de um criminoso do circuito das drogas que, como se sabe, é bastante instável em termos de relações pessoais."

“Essa agora! Expendeu um dos circunstantes, porquê o mordomo?”

Com um ar de quem explica algo óbvio a um atrasado mental, o outro informou:

“ Porque é o costume, ora essa! Você conhece alguma história de crime onde haja um mordomo que não seja este o principal suspeito!”

O Director Geral do DDCIC, sem que alguém o autorizasse disse:

"Muito bem, estamos esclarecidos. Mas, o facto é que, até agora não se descobriu o prepreta… ta... o coiso"

Um dos inspectores que não era o mais novo de todos, respondeu:

"O facto, senhor Director Geral do DDCIC, é que estamos num impasse, quer dizer, não passamos para lado nenhum. Tenho reflectido muito sobre o caso e, parece-me que só haverá uma pessoa que saiba a resposta."

"Ai sim! Disse o Director Geral do DDCIC. E quem é essa pessoa, pode saber-se?"

"Pode - respondeu o tal inspector sem gravata - a única pessoa que pode saber a resposta é... o autor desta história!"

O Director Geral do DDCIC, com um ar sumamente inquiridor, voltou-se para o autor da história que respondeu:

Quer saber qual foi a resposta? Quer? Então...




Automóvel: Macaco obrigatório 4

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Terror em Houxa La

O que se segue foi traduzido de um documento inédito encontrado no espólio de um Green Beret [1] em Houxa La [2]. Tentou-se manter o estilo algo anódino e superar as dificuldades do jargão típico dos militares.

Ao tiro sucede-se um inferno. Uma fuzilaria rebentou por todos os lados. De repente tudo cessou e um silêncio de morte - de facto estavam todos mortos, amigos e inimigos tinham-se aniquilado uns aos outros - estendeu-se como um manto mortal [3] sobre a cena dantesca.

Estava ileso o que, por outras palavras quer dizer, que estava incólume [4].

No meio daquele caos o rádio preso - ainda - às costas do operador de rádio [5] crepitava: Foxtrote... Papa... Zulu... e outras coisas do género que os militares insistem em utilizar nas comunicações de rádio [6].
De rádios percebia ‘nozes’ [7] mas tinha uma ideia de como activar o sistema automático de emissão de sinal ‘SOS’ [8].

Foi o que fiz.

Depois agarrei no ferido pela ‘motor de chuva’ [9] e arrastei-o para este local.

Ou seja daquela confusão tinham sobrado exactamente dois, a saber: eu, incólume como já se sabe e um VC com um joelho desfeito e um bocadinho amarrotado (no original) por via de uns tabefes bem puxados que acabei de lhe pespegar só para sublinhar o meu desejo já por várias vezes expresso que acabasse com a lamúria.


Quer mesmo conhecer o final deste extraordinário "thriller"? Então: