Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

100 anos da vírgula!!!

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:

COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

* Se você for _mulher_, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for _homem_, colocou a vírgula depois de TEM...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Diferença entre um PSP e um PS

Um homem, voando de balão, dá conta de que está perdido.
Avista um homem, aproxima-se dele e pergunta-lhe:

- Pode ajudar-me? Fiquei de me encontrar às duas da tarde com um amigo, já estou meia hora atrasado e não sei onde estou.

- Claro que sim! - responde o guarda - O senhor está num balão, a 20 metros de altura, algures entre as latitudes de 40 e 43 graus norte e as longitudes 7 e 9 graus oeste.

- Você é da Policia de Segurança Pública (PSP), não é?

- Sou sim senhor! Como foi que adivinhou?

- Muito fácil: porque o que me disse está tecnicamente correcto mas é inútil na prática. Continuo perdido e vou chegar tarde ao encontro porque não sei o que fazer com a sua informação...

- Ah! Então você é socialista!

- Sou! Como descobriu?

- Muito fácil: porque você não sabe onde está nem para onde vai, assumiu um compromisso que não vai poder cumprir e está à espera de que alguém lhe resolva o problema. Com efeito, está exactamente na mesma situação em que estava antes de me encontrar só que agora, por uma estranha razão, a culpa é toda minha!...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fredriquinho

Nota: Tradução do original do Norte-Americano anthony moved magellanic, desconhecido autor de vários bestsellers ainda não vindos a público. Algumas palavras ou expressões são de difícil tradução, assim, optou-se por anotar as originais.

Pintura de Botero
O “Fredriquinho” [1] era um tipo “chatíssimo” [2], irritante, intratável.
Nascido com quase dez meses de gestação e com quase sete quilos de peso que iam matando a pobre mãe, evoluiu para uma autêntica bisarma que aos trinta anos media dois metros e picos e pesava para além dos duzentos e trinta quilos.
Com uma pele de um branco quase translúcido parecia um gigantesco “bolo de queijo” [3]. Fugia do sol como o diabo da cruz e pensar ir à praia era algo absolutamente fora de questão.

O "Fredriquinho" era um monumental inculto de difícil expressão já que ignorava completamente os mais elementares escritores, músicos, pintores, “sei lá”... [4]

Por exemplo: a uma pergunta sobre a Pietá de Miguel Ângelo poderia muito bem responder que se tratava de uma prima do um cantor português, ou, imaginemos, interrogado sobre o que é a Força Aérea poderia com convicção, dizer que se trata do esforço em dar um traque.

Enfim... O "Fredriquinho" era uma pessoa a evitar a todo o custo para salvaguarda do bom nome da raça humana em geral e dos Fredericos em particular.

Pois... Estou a usar tempos verbais passado porque o "Fredriquinho" morreu!

Em princípio, pareceu uma coisa boa, morrer um sujeito sem qualquer serventia mas, até na morte, o Fredriquinho se revelou um tipo "chatíssimo".
A trapalhada começou com o caixão cujas medidas completamente fora do “padrão feretral” [5], obrigaram a uma confecção específica tendo-se, inteligentemente, optado por um engenhoso sistema de dobradiças que permitia vestir o morto com o caixão em vez de, como é recorrente, colocar o cadáver no dito.

A segunda complicação foi arranjar forma de deslocar aquela meia tonelada de gente e madeira, ou seja, o falecidíssimo Fredriquinho mais o monumental caixão.
Um expert marceneiro mandado vir de táxi de "A dos Cunhados" [6] terra muito conhecida pelo gabarito da sua marcenaria e, não menos famosa, pela morcela de porco bísaro [7] - de que se pode fornecer, gratuitamente, a receita secreta - resolveu, como era de esperar, o magno problema colocando um conjunto de onze skates e meio que ajustado aos fundos do féretro, permitiu a sua deslocação com maior facilidade.
Outra situação bicuda [8] foi encontrar um veículo funerário capaz de transportar o informe “mastronço” [9] tendo uma comissão criada especialmente para estudar a coisa decidido alugar uma retroescavadora.
Esta decisão revelou-se brilhantemente prática já que permitia não só acartar com aquilo tudo como, quase ao mesmo tempo, escavar a enormíssima tumba e, ainda, depois de lá depositados os restos frios do “Fredriquinho”, tapar aquilo tudo num instante.
Ficou bastante cara a solução mas ganhou-se muito em tempo e mão-de-obra.
Um terceiro e não despiciendo problema foi decidir se as cerimónias fúnebres seriam, como é costume, num templo normal ou se, dadas as gigantescas dimensões do conjunto, féretro e falecido, seria preferível um pontifical celebrado numa basílica.

Já disse mas repito, chatíssimo em vida o Fredriquinho continuava, depois de morto a ser um “gigantesco pincel” [10] para toda a gente.

Voltemos um pouco atrás para referir que o “Fredriquinho” sendo filho único, neto único e único sobrinho de numerosos tios emigrados em diversos países e muito bem de vida, e, tendo havido uma hecatombe geral que afectou gravemente os familiares, [11] herdou uma fortuna colossal de acordo com o seu status de bisarma ambulante.

Restou um primo afastado [12] que é o autor destas linhas que, naturalmente, seria o seu herdeiro universal.

Fiz sempre o possível para não me encontrar com o primo porque, realmente, não conseguia aturar aquela monstruosidade de pessoa “burra como um tamanco” [13]. Mas é claro, como sou uma pessoa compassiva e de bom feitio, quando o “Fredriquinho” caiu na cama, que mais parecia um campo de futebol, com uma doença daquelas que não perdoam, passava por lá amiúde para ver como ia a coisa. Só que o primo continuava a revelar-se um “chato de primeira grandeza” [14] e, não obstante os médicos afirmarem que estava por pouco, ia resistindo dia após dia.

Os meus leitores hão-de compreender que um “homem não é de ferro” [15] de maneiras que tratei de arranjar uma solução para o problema e que, consistiu, dito de forma breve, em desligar por uns minutos a máquina que o mantinha “vivo da silva” [16].

Correu tudo muito bem.


Quer mesmo conhecer o final deste extraordinário "thriller"? Então:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Not me!!!

This is undoubtedly the most expressive picture I've ever seen of an animal.
            You can almost hear him say these words; 
         
"You want me to do what?"
               
The look on this dog's face is priceless...

You Can kiss my ass,,,"I'm not smellin' those!"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

POEMA DA MENTE

Recebido há que tempos!

Há um Primeiro-Ministro que mente.
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de modo tão pungente,
Que a gente acha que ele mente, sinceramente
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente.
E mente tão habitualmente
Que acha que, história afora, enquanto mente,
                                                Nos vai enganar, eternamente.

Resposta do poeta de serviço


É possível que sem ter em mente
venha a ser preso derepente
ou que pelo menos a gente
tenha a sorte de o ver ausente
e às nossas vidas indiferente
que a gente está tão farta
que vá pró raio que o parta!

Nota: Parece que foi

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

FALAR BEM PORTUGUÊS

Estava a Edite Estrela numa bomba da A2 a caminho do Algarve quando vê começarem a chegar muitas motos. Quando um dos motociclistas lhe passa ao pé, ela pergunta:
-Desculpe, mas onde vão todas estas motos?
- Vamos para Faro - diz o motociclista
Imediatamente a Senhora Dona Edite Estrela, com um sorriso condescendente, diz:
-Lamento, mas o que disse não está correcto.
-Ahn? (que é como quem diz: desculpe não percebi, importa-se de repetir)
-O senhor é de Lisboa?
-Sou. Porquê?
-Então deveria ter dito 'Eu vou a Faro', porque isso implica que vai e volta . Se disser 'Eu vou para Faro' isso implica que vai e não volta, o que não é correcto.
O motociclista começa então a fazer uma cara de concentração à Edite.

-Não está a perceber o que eu disse? Pergunta ela, muito solícita 

-Não, não! Eu percebi! Estou é a pensar se a mando à merda... ou para a merda...

domingo, 15 de janeiro de 2012

PECADO É PECADO...

U m Lisboeta, trabalhando no duro, suado, fato e gravata, vê um Alentejano deitado numa rede, na maior folga.
O Lisboeta não resiste e diz:
-Você sabia que a preguiça é um dos sete pecados capitais?

E, o Alentejano, sem se mexer, responde:


- A inveja também!!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sniper

Poucos sabem, ou por outra, só os técnicos que se dedicam a estudar psicopatias e comportamentos estranhos conhecem, que uma das características de um atirador furtivo é uma calma fria, gelada absolutamente isenta de emoções. Não se sabe bem o que leva alguém com um comportamento aparentemente normal à urgente necessidade de matar. Nem talvez o próprio o saiba e, depois, irão tecer-se inúmeras teorias:

que tinha problemas familiares, desajustamento social, alguma adição escondida.

A investigação destes casos costuma ser algo errática e subjectiva e, Xavier pensava nisto tudo enquanto montava a arma no tripé. Uma nesga da persiana corrida deixava uma tira de fraca claridade no soalho do quarto completamente às escuras.
Montada a arma e ajustado o ponto de mira, colocou a bala de aço na câmara da potente espingarda calibre 22 munida de silenciador.

Até trinta e poucos metros era de uma eficiência mortal.

Àquelas horas da madrugada, ninguém passava na estreita rua da cidade.
Como sempre, o "trabalho", seria limpo, eficiente, perfeito.
Alberto assestou o olho direito no óculo - era esquerdino - e procurou o alvo.
Lá estava, na varanda da casa em frente, como de costume, a dormitar.
Não sabia a razão deste hábito do alvo que vinha observando há tempos.
Hoje tudo ficaria arrumado.
Definitivamente...

A nitidez do alvo no óculo era impressionante.
Lentamente, com uma perícia que rigoroso treino tornara possível, o dedo indicador esquerdo foi premindo o gatilho.
Um ligeiro "claque" assinalou o tiro e, o alvo sem um estremecimento caiu morto com a cabeça quase desfeita.

Com um suspiro profundo, Alberto fechou completamente a persiana, arrumou a arma no seu estojo e fechou o tripé num guarda-fatos.
Sempre com a mesma calma e contenção, vestiu uma gabardina larga, colocou um chapéu de abas largas, fechou cuidadosamente a porta do quarto, desceu as escadas sem o menor ruído que as grossas solas de borracha não consentiam e saiu para a rua.

Uma premente necessidade de ver o alvo abatido levou-o a atravessar a rua. Sempre olhando furtivamente para um lado e para o outro, aproximou-se do seu objectivo.

O corpo jazia imóvel na calçada.


Quer mesmo conhecer o final deste extraordinário "thriller"? Então:





sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Julgamento

Na Inglaterra um réu estava sendo julgado por assassinato...
Havia evidências indiscutíveis sobre a culpa do réu, mas o cadáver não aparecera.
Quase ao final da sua sustentação oral, o advogado, temeroso de que seu cliente fosse condenado, recorreu à um truque:
- "Senhoras e senhores do júri, senhor Juiz, eu tenho uma surpresa para todos!" - disse o advogado olhando para o seu relógio...
- "Dentro de dois minutos, a pessoa que aqui se presume assassinada, entrará na sala deste Tribunal."
E olhou para a porta.
Os jurados, surpresos, também ansiosos, ficaram olhando para a porta.
Decorreram-se dois longos minutos e nada aconteceu.
O advogado, então, completou:
- "Realmente, eu falei e todos vocês olharam para a porta com a expectativa de ver a suposta vítima. Portanto, ficou claro que todos têm dúvida neste caso, se alguém realmente foi morto. Por isso insisto para que vocês considerem o meu cliente inocente". (In dubio pro reo).
Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final.
Alguns minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto:
- "Culpado!"
- "Mas como?" perguntou o advogado... "Eu vi todos vocês olharem fixamente para a porta, é de se concluir que estavam em dúvida! Como condenar na dúvida?"
E o juiz esclareceu:
- "Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente..."
  "MORAL DA HISTÓRIA:  NÃO ADIANTA SER UM BOM ADVOGADO SE O CLIENTE FOR BURRO". 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DESABAFO DE UM BOM MARIDO

A minha esposa e eu andamos sempre de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
Ela tem um liquidificador elétrico, torradeira elétrica e uma máquina de fazer pão eléctrica.
Aí, ela me disse: 'Nós não temos lugar para sentar'. Então, comprei-lhe uma cadeira elétrica.

Acho q.me casei com a 'Sra. Certa'. Só não sabia que o 1º nome dela era 'Sempre'. Sempre certa.

Já faz 18 meses q não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.

Mas tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. 
Ela perguntou: 'O que tem na TV?' E eu disse 'Poeira'.

No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Ele, nem o homem, nem o Mundo tiveram + descanso.

Quando nosso cortador de relva avariou, a minha mulher ficava sempre dando-me a entender que eu deveria consertá-lo. E eu sempre encontrava outra coisa para cuidar antes: o camião, o carro, a pesca; sempre alguma coisa + importante para mim. Finalmente ela pensou numa forma esperta de me convencer.

Certo dia, ao chegar acasa, encontrei-a sentada na relva alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa.
Em alguns minutos, voltei com uma escova de dentes e entreguei -lha.
- Quando você terminar de cortar a relva, - disse-lhe, - 'você pode também varrer a calçada.'
Depois disso, não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida.

'O casamento é uma relação entre duas pessoas 
na qual uma delas está 
sempre certa e a outra é o marido...'

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Humor cubano! Estamos quase lá ........ 7

Cuba
PENSAMIENTO CUBANO
 
Pepe, estoy por creer que Adán y Eva eran cubanos.

Y eso por qué?

- Porque no tenían ropa, andaban descalzos, no los dejaban comer ni manzanas, y les insistían que estaban en el paraíso

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ASSASSINO - OFERECE-SE

Na chávena o café há muito que esfriara por completo. Sentado na cadeira de verga falsa, como agora são quase todas as dos cafés em esplanadas das praias, olhava, sem ver, as ondas de espuma branca que desabavam com fragor na praia.
Gostava muito do mar, sempre que podia ali vinha ele, sentar-se, lendo o jornal ou, simplesmente, ficando ali, sentado, a olhar a imensidão. O horizonte. Descansava-o, sentia-se grande, irreal, como que fora do mundo.
Naquela manhã de segunda-feira fora diferente. Ao pegar no jornal que alguém deixara aberto em cima da mesa, os olhos foram atraídos para um pequeno papel metido entre as páginas que dizia simplesmente: ASSASSINO - OFERECE-SE.

A princípio pensou que seria uma piada, uma graçola sem grande rasgo mas não pode deixar de ficar a matutar no caso: que quereria aquilo dizer?

Disfarçadamente olhou em volta tentando descobrir alguém que estivesse a espiar o pateta que lesse o papelucho para gozar com a reacção que tivesse. Mas não viu ninguém. O empregado do estabelecimento estava entretido a ver na televisão o resumo das partidas de futebol da véspera. Esta gente nunca se cansava! Era à Sexta-feira fazendo previsões para os jogos de Sábado, era ao Sábado, transmitindo jogos e expondo os vaticínios para Domingo, era ao Domingo, com os resumos das “jornadas” desportivas do dia; na 2ª Feira repetiam a dose… enfim, e, a verdade, é que havia sempre alguém que ficava pendurado no televisor vendo tudo, ouvindo tudo por mais repetitivo e desinteressante que fosse.

Seguro de que ninguém estava interessado na sua pessoa, pegou no papel e leu com mais atenção. Tratava-se de um destes papéis utilizados em pequenos anúncios de actividades desportivas, por exemplo, ou anúncio de abertura de lojas, daqueles que nos costumam enfiar pelas janelas do automóvel quando estamos parados num semáforo.
As palavras ASSASSINO - OFERECE-SE, estavam escritas em letras grandes, de um negro brilhante, talvez aí num corpo 48, que ele até entendia umas coisas de grafismo… Por baixo e em letra mais pequena dava-se uma morada e um número de telemóvel.

Aquilo era de facto muito estranho e só poderia ser uma brincadeira. Não lhe passava pela cabeça que alguém pudesse lembrar-se de tal coisa nem o intuito que o levara a tal, mas a sua curiosidade aumentava. Não tinha nada que fazer… a morada indicada no panfleto era ali perto… que tinha a perder?
Não era nenhum pateta destes que “embarcam” na primeira história que lhes contam. Não se via na pele de um desses desgraçados que trocavam um maço de notas de banco por um monte de papeis sem valor. Era, isso sim, um curioso por natureza, gostava de saber tudo, de ir até ao fundo das coisas, conhecer o que estava por detrás de muitas atitudes das pessoas. Passava a vida nisto, a observar, a congeminar… Nos últimos tempos então…

O primo já nem lhe ligava importância quando punha o boné vestia o blusão e saía porta fora; nem lhe perguntava para onde ia ou o que ia fazer. Já sabia a resposta a ambas as questões: ia para a esplanada observar os passantes arquitectando histórias, compondo personagens, visualizando dramas e tragédias, sucessos e acontecimentos.
Já uma vez lhe dissera:

"Tu devias era escrever, homem! Escrever todas essas histórias que passas os dias a inventar. Ganhavas um dinheirão! Mas… nem para isso tens jeito! Valha-te Deus!"

Gostava muito de usar termos ingleses, não por prosápia ou falsa cultura mas porque achava que alguns se aplicavam exactamente o que queriam significar. Assim, para ele, o primo era a “pain in the ass” e mais nada!

Estava tão farto… tão farto que mal conseguia encará-lo.
Saía de casa logo que podia, chovesse o fizesse sol, e regressava o mais tarde possível, às vezes indo directamente para o pequeno cubículo a que, pomposamente, chamava escritório, só porque tinha umas gavetas onde guardava, à chave, uns papéis que escrevinhava em letra miudinha no tampo irregular da mesa que comprara por uns patacos num adeleiro.

“It was is private place”, costumava dizer. Ali, ao menos, ninguém o aborrecia com perguntas ou remoques. Horas infindas a escrever folhas e folhas de papel que nem se dava ao trabalho de ler. Aliás, mal conseguia ler a sua letra miudinha e irregular, que ora subia ora descia, tornando, a maior parte das vezes, a folha num escrito de qualquer principiante de escola primária.

E, o primo sempre a atazaná-lo, chamava-lhe Steinbeck, Hemingway… sabia lá, os nomes desses tipos todos que andam na boca do mundo porque escreveram que se fartaram e ainda vendem livros às pazadas. Sempre no gozo, perguntava quando era o lançamento do famoso livro que, na sua imaginação retorcida, ele estaria a compilar.

Já não conseguia ter pena dele nem da sua triste condição de tetraplégico agarrado, para sempre, a uma cadeira de rodas. O enfermeiro permanente evitava-lhe o ter de servi-lo, pois nem isso tinha paciência para fazer. Aos poucos as relações tinham-se azedado de tal forma que, hoje, mal trocavam duas palavras, ou melhor, ele não dizia nada porque ele, o primo, arranjava sempre forma de troçar ou fazer algum remoque.

Considerava como era injusta a vida. Ele, um sujeito são e escorreito, ficara na maior miséria por causa de um pai que tinha perdido tudo num negócio mirabolante; ele, o primo, um destroço humano, condenado a uma vida de vegetal, era riquíssimo pela herança de um pai avisado e bem sucedido na vida. Ele sem um euro para gastar em coisa nenhuma, o primo sem possibilidade de gastar fosse no que fosse os milhões de que dispunha! Ainda por cima, forreta até mais não, incapaz de lhe dar uns míseros cobres, ainda lhe cobrava o que, supostamente, custava a sua alimentação e estadia na velha casa de família.
E ai dele quando se atrasava no pagamento!

De vez em quando, como hoje de manhã, ia até à sala vasculhar a gaveta onde se guardavam as contas e abria a pasta de cartão negro onde estava o testamento. Lá constatava ele como único herdeiro do primo. Nunca lhe dissera nada e ele também nunca revelara que sabia.
Às vezes dava consigo a pensar o que faria com a massa toda que o primo lhe deixaria quando, mais tarde ou mais cedo, morresse. A primeira coisa de todas era vender o casarão e ir viver para um hotel à beira-mar. Nada de espalhafatoso ou luxo, mas confortável e sossegado. “a private place on a private hotel” gostava de especificar.

Mas, não obstante a terrível condição em que se encontrava o primo dava mostras de uma saúde de fero. Também não era de admirar, bem tratado por médicos e enfermeiro, sempre vigiado, medido, analisado, não havia doença que o acometesse. Às vezes punha a pensar que, se calhar, ainda morria primeiro que o primo e, então, para quem seria a herança, sim que eles não tinham mais ninguém no mundo!
Alguma vez lhe ocorrera que, se não fosse o eficaz e super atento enfermeiro, talvez a cadeira de rodas já tivesse resvalado escada abaixo levando com ela o tolhido. Mas não, o homem parecia um polícia, sempre atento e por perto. Na verdade, o primo era totalmente dependente do enfermeiro que lhe pagava com uma solicitude e fidelidade extraordinárias.

ASSASSINO - OFERECE-SE”, gritava” o papelucho que tinha entre mãos.
Foi-se instalando um ideia na sua cabeça, que, por mais que se esforçasse por afastar ia tomando corpo e ganhando volume. E… se fosse verdade? Quer dizer, se houvesse alguém, profissional, claro, que se encarregasse do caso?
Reparou que, no seu íntimo, já admitia ter “um caso” para resolver.

Marcou o número do telemóvel: do lado de lá respondeu a voz metálica de um atendedor de chamadas informando que estaria disponível das treze e trinta às quinze horas. Como ainda eram duas da tarde resolveu-se.
A morada indicada era bastante perto pelo que demorou poucos minutos a encontrar a porta de um edifico, novo, de três andares. Tocou á campainha do andar indicado e o funcionamento quase imediato do trinco metálico indicou-lhe que a porta fora aberta.
O anúncio indicava o rés-do-chão esquerdo por isso lá se dirigiu para a respectiva porta.
Nem teve tempo de bater pois esta foi aberta de imediato.
A sua fértil imaginação tinha visionado mil e uma caras, de mil e um sujeitos com quem se depararia. Caras patibulares, rostos fechados, olhos duros e argutos, rostos com cicatrizes possivelmente de facadas, tudo isto esfumado num ambiente ambíguo, claro-escuro, indefinido.
Porém, o que aconteceu, o que podia ver através da porta escancarada não era nada disso. Absolutamente.
Uma sala simples, mobilada com comodidade, paredes claras e luzes suficientes para iluminar todo o interior de uma forma agradável e acolhedora. E, o “sujeito” que abrira a porta, bem… o “sujeito”… era uma rapariga dos seus trinta e poucos anos, bem vestida, agradável, bonita. Não era nenhuma beleza estonteante, nem se vestia como tal. Uns discretos jeans e uma camisola de cor azul claro, o cabelo loiro, bem tratado e apanhado num “rabo-de-cavalo”.
Apercebeu-se que estava de boca aberta, atónito, sem saber o que dizer ou fazer. Antes que pudesse esboçar uma desculpa qualquer, a rapariga, apontando para o folheto que tinha na mão, disse vivamente:

“Veio por causa do anúncio não é verdade?”
“Bem, eu… quer dizer…”

“Mas entre, entre por favor e queira sentar-se.”

Sem saber muito bem o que fazia entrou e sentou-se no cadeirão forrado de vermelho. A mulher sentou-se na sua frente e começou:

“Calculo que esteja duplamente espantado, quer dizer, em primeiro lugar com o anúncio propriamente dito e, depois por o interlocutor se ter revelado, talvez, alguém muito diferente das suas expectativas. Acertei?”

“Bem… na verdade… balbuciou.”

“Eu posso tranquilizá-lo. No que respeita ao folheto eu sou daquelas pessoas que acredita na força da publicidade directa e simples: expor o assunto de forma clara e decidida. Quanto ao facto de eu ser uma mulher não acho que deva nenhuma explicação, sou uma profissional, bastante eficiente, devo acrescentar. A abordagem… bem é tudo uma questão de treino. Percebi imediatamente que o senhor era alguém há procura dos meus serviços, talvez nunca tivesse pensado nisso mas, o folheto despertou-lhe a atenção e levou-o a pensar em algo que, talvez, estivesse há muito no seu subconsciente.”

“Bem… eu…”

“Não, não diga nada, não é preciso. Mas continuando: a minha eficiência fala por si mesma.”


Quer mesmo conhecer o final deste extraordinário "thriller"? Então:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O ATENDEDOR DE CHAMADAS DOS AVÓS

Bom dia!  De momento não estamos em casa mas por favor deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal sonoro:

- Se é um dos nossos filhos, prima 1
- Se precisa que lhe guardemos as crianças, prima 2
- Se quer que lhe emprestemos o carro, prima 3
- Se quer que lavemos a roupa e a passemos a ferro, prima 4

- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, prima 5
- Se quer que os vamos buscar à escola, prima 6
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, prima 7
- Se querem vir comer cá a casa, prima 8
- Se precisam de dinheiro, prima 9.
 - Se é um dos nossos amigos, pode falar!"