Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Imagem Poemas da minha vida


A alma
trôpega
esvai-se em ondas
sem importância.

Cansada e lassa
deixou,
iridiscente
de fulgor mórbido,
a terrível lança
do azedume.


A alma só
a esvair-se,
trôpega
como um queixume.

Lisboa,  61

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que serei!


Quando,
sereno,
me sento e escrevo
e penso em ti,
a alma
esvai-se,
etérea,
feliz.

A calma
que me invade
anula por completo
o anuncio gritante
que a minha alma prediz:

- Serás o insurrecto,
o insubmisso,
o vencido,
mas serás sempre
o amável,
amoroso, esquecido.

Lisboa,  61

Choro


Porque não posso estar ao pé de ti
sem que me sinta inquieto,
com vontade de fugir
de me ir embora,
de ficar só.

Porque, quando me falas,
fico triste
e me apetece chorar.

Ah! chorar!...

Por ti,
abriria montanhas,
percorreria a terra,
fecundaria o mar.

Ah! como te amo!...

Como te amo
a chorar.

Lisboa  61

sábado, 29 de dezembro de 2012

Poemas da minha vida: Loucura 2




Sonho
louco,

(os loucos
também sonham)

que já estou bom,
que me curei.

Já ninguém,
ninguém,
repara em mim.


Lisboa,  61

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 13º episódio

Do Azerbeijão chegou-nos o seguinte comentário:

“Güclü yaxşı toxunma roman. Bütün süjet post aprel inqilab və aldatmacalardan və diatribes bütün növ gördüyüm kimi imkan careerists, fırsatçılar və digər "ists" tam yeni cəmiyyətdə door.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica.


Marcos Fonseca Álvares de Carvalho era efectivamente um fidalgo de antiquíssima cepa. Os pergaminhos, no entanto, estavam um pouco amarrotados pelas vicissitudes da vida.
Grande proprietário rural, possuía nos arredores de Beja uns milhares de hectares de boas terras de cultivo e razoável montado.
Tudo isto, porém, em lamentável abandono.
Depois do 'vinte-e-cinco-do-coiso’ e aconteceram coisas terríveis. A primeira foi a invasão da propriedade pelas hordas do Partido que, evidentemente, convencera a populaça de três coisas fundamentais:
A primeira: o povo estava cheio de fome;
A segunda: o povo era miseravelmente explorado pelos latifundiários;
A terceira: a terra a quem a trabalha.

Posto isto, assim, cruamente, parece lógico o que se seguiu: os proprietários expropriados do que era seu, esbulhados do que lhes pertencia, expulsos das suas casas.
Só que as coisas não correram muito bem porque partiam de um chorrilho de mentiras e pressupostos falsos.
Veja-se:
Quanto à primeira: o povo estava cheio de fome;
O povo não tinha fome, ao contrário de hoje em dia que os 'bancos alimentares' e as instituições de solidariedade não conseguem dar resposta ao sempre crescente numero de carenciados dos mais elementares meios de sobrevivência.
Quanto à segunda: o povo era miseravelmente explorado pelos latifundiários;
Os trabalhadores fixos de uma propriedade, pequena ou grande eram muito poucos porque a agricultura sendo sazonal, não dava emprego continuado nos mesmos locais.
A estes era por norma atribuída casa, acomodações, terreno para uma pequena horta, assistência médica e ajuda na educação dos filhos.
Nada de luxos, evidentemente, mas o suficiente para uma vida digna. A prova está na sucessão nas mesmas famílias com os mesmos patrões durante anos e anos de tal modo que os trabalhadores chegavam a ser conhecidos com o apelido dos patrões.
A grande massa dos trabalhadores agrícolas andava em deslocação permanente, aboletando-se em instalações apropriadas que os proprietários dispunham para o efeito. Normalmente eram pequenas casas com duas divisões, uma sala com lareira para cozinhar e uma outra para quarto de dormir. Havia outras um pouco maiores para os que se faziam acompanhar de um filho. Também havia camaratas de seis ou dez camas para homens ou mulheres solteiros.
O 'patrão' cedia a lenha para cozinhar e aquecer e a água necessária.

Fim do 13º episódio

Aviso da redacção:
Aos Sábados, Domingos e Feriados por questões de programação a blogue-novela não se publica, o que é uma peninha…
Então até Segunda-Feira, se Deus quiser, neste mesmo local, à hora que mais lhe convier, que isto está sempre a dar…

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 12º episódio

Da Arménia (do Sul) chegou-nos o seguinte comentário:

Հզոր լավ հյուսված վեպը Ձեր ամբողջ սյուժեն unfolds in post ապրիլի հեղափոխության եւ նոր հասարակություն լի կարիերիստներ, opportunists եւ այլ «ists, որոնք թույլ են տալիս բոլոր տեսակի խաբեություններից եւ diatribes ինչպես երբեւէ տեսել.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica.


Mas, a coisa, não se revelou muito acertada porque, quando numa aldeola qualquer, escolhia cinco ou seis fulanos para darem uma voltinha na máquina, logo que aterravam pegavam-se todos ao estalo e à sacholada porque ninguém entendia o critério da escolha e todos queriam, também, dar uma voltinha o que, evidentemente, não era possível.

Foi o que aconteceu uma vez numa povoação no Montezinho. Os transmontanos quando lhes dá para serem brutos não as medem e o piloto e os cinco viajantes de ocasião levaram para tabaco e o Alouette ficou feito num oito com tanta sacholada. Nem os galões de Tenente pareciam safá-lo por isso tratou de dar corda às botas por montes e vales até à povoação mais próxima onde apanhou um táxi.
Estes acontecimentos não descoroçoaram o Comandante da 5ª Divisão que era um tipo muito persistente e teimoso [i], portanto… vá de graduar o Catorze em Capitão e tendo decidido que a 'psico' não tinha futuro em Trás-os-Montes, onde as carolas são mais duras e costumam dizer que para lá do Marão mandam os que lá estão, e enviou-o para o Alentejo onde as coisas, segundo o seu querido e íntimo amigo Barreirinhas, seriam muito mais favoráveis.
E o novel Capitão começou pela zona mais favorável de todas, o Distrito de Beja.
Correu tudo muito bem começando pelo Baleizão onde a recepção [ii] foi entusiástica.

Para tal não deve ter sido totalmente alheia a sardinhada e o monumental churrasco organizado pelo Partido, com especial queda para estas festanças, mas, de qualquer maneira foi um êxito. Então quando o Fernando Catorze mencionou, a propósito de nada, o sagrado nome de Catarina Eufémia os aplausos foram de tal ordem que parecia ao Catorze que jamais na vida sonhara com tal êxito, que a sua vocação de orador estava finalmente encarreirada.
Aquilo acabou às tantas da matina com vivas à Revolução, ao 'vinte-e-cinco-do-coiso', ao Catorze, aos Capitães, à democracia, e embora uns três ou cinco bêbados gritassem vivas à Catrina Eufrásia, Eulénia, Eugénia... enfim… à pobre moçoila que apanhara com o balázio do Sargento Fernandes - dizem - e pelo meio, também, uns vivas ao Benfica, ao Eusébio... enfim, coisas de borrachos, não deixou de ser um evento memorável.

Depois de Baleizão o Catorze e a sua equipa foram a outras localidades do Distrito. Com mais ou menos entusiasmo as reuniões corriam de feição. Só havia uma coisa que o Catorze já estava farto de gramar, a cantoria com que, a pretexto - ou sem ele - de qualquer coisa, aqueles madraços insistem em brindar os assistentes, de braço dado, andando parados, numa toada sem fim, monocórdica, quebrada de vez em quando por um deles que dá o mote. Claro que o Catorze tinha de gramar a pastilha até ao fim quando não as coisas podiam dar para o torto e ficar muito mal visto.

Fim do 12º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.



[i] Com tanta esperteza nunca se entendeu como o militar que, ainda por cima, era da Marinha, embora fosse médico dentista, foi morrer em Moçambique, no mar a vinte metros da praia quando o bote de borracha em que desfrutava a calmaria se esvaziou afundando-se. Consta que alguém o terá puxado para baixo até ficar definitivamente morto mas, isso, devem ser as más-línguas do costume.
[ii] Absolutamente por acaso, garanto, rimou outra vez.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 11º episódio

Da Alemanha chegou-nos o seguinte comentário:

“Leistungsstarke gut gewebten Roman. Ihre gesamte Handlung entfaltet sich in post April-Revolution und der neuen Gesellschaft voll von Karrieristen, Opportunisten und andere "isten ', die alle Arten von Betrug und Schmähungen als jemals gesehen zu ermöglichen.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica.


Assim, num princípio de tarde, a equipa da psico instalada numa GMC lá abalou para fora do arame farpado e, passados poucos metros, o Alferes que mandava na coisa, subiu para o tecto da cabina e, de microfone na mão, começou a ler aos berros o papel que levava na mão.
Não chegou nem a meio da primeira página sem que um tiraço de canhangulo desfizesse os faróis da viatura. [i] Antes que se fizesse tarde, o Oficial deu por encerrada a missão e vamos andando a toda a mecha para o aquartelamento.
O Comandante ainda lhe perguntou se no outro dia desejava uma escolta mas o homem respondeu que não… as coisas não estavam ainda muito a jeito e, assim, na primeira coluna que foi ao Ambrizete buscar mantimentos… aproveitou a boleia e… nunca mais se viu.

Depois desta utilíssima informação, voltemos ao Fernando Catorze:

A princípio achou a coisa divertida principalmente porque o 'bom povo
Português' recebia o pessoal como costumava receber as autoridades do 'antigamente', ou seja com comezainas, foguetório e outras manifestações populares.
É claro que quando começava a arengar do alto do palanque, verberando o regime caído no 'vinte-e-cinco-do-coiso', que agora iria ser uma beleza, uma maravilha, a emigração definitivamente banida por desnecessária, educação gratuita ao alcance de qualquer um, - todos seriam doutores ou engenheiros - habitação para toda a gente, mas não uma habitação qualquer, casinhas novas em folha com água canalizada quente e fria, férias na praia, corridos os patrões e proprietários exploradores e péssimos pagadores de salários de miséria, enfim, toda uma arenga dactilografada em seis ou sete folhas A 4 que, em breve, sabia de cor e salteado, quando começava a arenga, dizia, a populaça a princípio de boca aberta, começava a abanar a cabeça e desandava.
Por isso foi graduado em Tenente e passou a deslocar-se de helicóptero que sempre chamava mais atenção.

Fim do 11º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.



[i] Os militares nunca dizem jeep, camião, ou outra coisa qualquer mas só, e unicamente: Viatura!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ti Bisnaga - Publicado até 21 de Dezembro de 2012



Ti Bisnaga






Nota: Acedendo gostosamente contrariada a mais de 1 pedido de leitores de fim-de-semana, a redacção publicará todos os Sábados, o publicado até então. (Está-se a perceber ou é preciso fazer um esquiço?) 
Lembra-se que Ti Bisnaga está em CARVID EX no livro da cara [1].


Aviso: Esta é uma poderosa blog-novela que tenta retratar o Portugal de hoje, dramaticamente ferido pelo ‘vinte-e-cinco-do-coiso’. Qualquer semelhança com a realidade é verdadeira – menos os nomes próprios, claro – portanto, é melhor o leitor preparar-se que, isto, é capaz de doer!
Alguns personagens (que não todos): [2]


Tu!




Como eu,
incorrecto
e insubmisso,
orgulhoso
de coisas falsas
que são nada.

Como eu,
apaixonado
por tudo o que não posso ter
como o fim,
o medo,
o morrer,
(tu és
para mim.)

Lisboa,  61

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 10º episódio


Da Albânia chegou-nos o seguinte comentário:

“Fuqishme dhe të endura roman. Komplot tuaj të tërë shpaloset në prill pas revolucionit dhe shoqërinë e re të plotë të careerists, oportunistë dhe të tjera 'ists' që lejojnë të gjitha llojet e mashtrimet dhe diatribes siç shihet ndonjëherë.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica


Já se abordou ligeiramente o assunto mas, agora, chegou o momento de nos determos com mais vagar nessa coisa que aconteceu em Portugal e que me recuso a apelidar de outro modo: ‘vinte-e-cinco-do-coiso’ e de que modo é que esta tristíssima ocorrência influenciou Borda de Baixo e os seus habitantes.

Vamos então deter-nos e começar por um personagem:

Fernando Catorze é um antigo militar. Diz-se que ser militar é para a vida mas este não era o caso de Fernando Catorze. Entrou 'a fundo' no 'vinte-e-cinco-do-coiso' e com apenas vinte e cinco anos e o posto de Alferes de Infantaria, viveu dois anos de turbilhão alucinante. Constantemente de um lado para o outro, a sua missão era a 'psico', nome que davam à brigada da 5ª Divisão encarregada de percorrer o País a informar os desgraçados, incultos e sofredores habitantes do Portugal recém-libertado do fascismo odioso e aviltante, das maravilhas que a revolução tinha, gratuitamente, isto é sem que ninguém tivesse pedido tal coisa, trazido a este renovado País.

Esta coisa da psico tem a sua história nos idos dos anos sessenta e dois em Angola.
Um fulano qualquer, inspirado no livro de Jean Lartéguy, ‘Os Centuriões’ impingiu a coisa ao comando Chefe da Região Militar e logo se tratou de arranjar pessoal para tão excelente como benéfica missão.
Não foi coisa fácil porque o pessoal tinha de falar na língua dos pretos que eram várias, de maneiras que optou-se por dar início à ‘operação’ no coração da guerra, em Bessa Monteiro onde os das sanzalas falavam Quicongo.
O Comandante do Batalhão ali aquartelado esboçou um sorriso trocista por debaixo do bigodinho à Chaplin, e deu-lhes carta-branca.

É mister informar-se que, Bessa Monteiro, na altura, não passava de um enorme calhau que sobressaía altaneiro no meio da mole florestal da Mata Sanga. Para sair do aquartelamento para ir à fonte buscar água tinha de montar uma operação com um pelotão reforçado quando não, em vez de trazer bidons com água trazia-se uma quantidade de buracos nas viaturas e, às vezes, na fardamenta.

Fim do 10º episódio
Nota: Aos Sábados e Domingos por questões de programação a blogue-novela não se publica, o que é uma peninha…
Então até Segunda-Feira, se Deus quiser, neste mesmo local, à hora que mais lhe convier, que isto está sempre a dar…

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 9º episódio


Da África do Sul (Afrikans… presume-se) chegou-nos o seguinte comentário:

“Kragtige goed geweefde roman. Jou hele plot ontvou in 'n post April revolusie en die nuwe samelewing vol careerists, opportuniste en ander 'ists wat toelaat dat alle vorme van swendelary en diatribes as ooit gesien het.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica.


Além do mais também aquele negócio que mantinha com as gentes de Borda de Baixo era uma escapadela a uma vida xata e sem horizontes. Se um dia qualquer de Dezembro tivesse pachorra para fazer a contabilidade comercial do ano haveria de verificar que acabara por perder uma quantidade de massa. Mas, isso, não tinha a menor importância porque o Ti Bisnaga tinha de seu que lhe viera da venda de uns campos nos arredores de Beja que um pato-bravo se resolvera a comprar-lhe para fazer um bairro chique. Do bairro, que soubesse, só havia uns dois prédios de três andares porque um fiscal da Câmara descobrira que os campos eram considerados zona rural pelo que o PDM não autorizava qualquer construção.
Claro que o fiscal deixou o homem construir os dois prédios e, só depois o confrontou com o gigantesco problema.
Parece que – as más-línguas em Beja são como as dos outros locais – deixou entrever que se poderia – eventualmente – dar a volta ao assunto se o pato-bravo lhe passasse para as mãos ávidas umas quantas notas de mil.
O empreendedor ainda lhe propôs que ficasse com dois dos andares por um Euro cada um, mas, o da Câmara, não estava interessado em investimentos imobiliários pelo que, o pato-bravo desapareceu de Beja para nunca mais ser visto.
E para ali estavam os mastronços com o reboco a cair, portas e janelas roubadas por alguém que lhes deu outra serventia, as silvas num matagal impenetrável dominando o que estava destinado a serem aprazíveis jardins estando até previstas duas rotundas com obras de arte de artistas de gabarito.
Mas, todo este assunto, não tirava um segundo de sono ao Ti Bisnaga, porque o dinheirinho que recebera estava a bom recato.
O da Câmara ainda tentou falar com ele mas o Ti Bisnaga cortou cerce o paleio:

“Aquilo não é meu! Vá chatear a sua avó!”

Mas, antes, temos a obrigação de apresentar os caracteres principais de Borda de Baixo e os ‘papeis’ que lhes cabem nesta emocionante blogue-novela:
Ei-los:
Ti Meloa viúva, tia do sobrinho preso em Alcoentre, Albino Meloa  sobrinho da Ti Meloa, preso (por enquanto) em Alcoentre, Manel Custódio Bezerra emigrante no Canadá que deixou uma fortuna aos conterrâneos, Ti Gaspar Sobreirinho  sabe ler e escrever, casado com Ti Marquinhas Sobreirinho, Ti Adusinda Marracho expert em fabrico de queijo, casada com o Ti Jacinto Marracho; Ti Manel Cebola antigo clarim na tropa casado com Ti Joaquina Cebola, Ti Marquinhas Sobreirinho casada com o Ti Gaspar Sobreirinho, Alcina Sobreirinho Broa filha do Ti Gaspar Sobreirinho casada com Josué Broa pescador do Guadiana, Ti Joaquina Cebola casada com o Manel Cebola, Ti Jacinto Marracho casado com a Ti Adusinda e o homem mais velho de Borda de Baixo

(acaba aqui o hiato aberto há não sei quantos episódios atrás)

Fim do 9º episódio
Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Blogue-novela: Ti Bisnaga 8º episódio


De Malta chegou-nos o seguinte comentário:

“Qawwija sew minsuġa ġdid. Plot kollu tiegħek tiżvolġi fil-post April rivoluzzjoni u s-soċjetà l-ġdida sħiħa ta 'careerists, opportunists u oħra "ists" li jippermettu kull tip ta' scams u diatribes bħala qatt seħħ.”

Deve ser muito interessante e, nessa convicção, se publica.

Também… que mal podia vir ao mundo se, anualmente, quatro ou cinco  animavam umas churrascadas imponentes que chegavam a durar dia e meio. É claro que o guarda-caça era muito bem-vindo à comezaina e ainda levava uns quilitos de carniça para o aconchego familiar.
Está bem de ver que aquela meia-pipa de tintol ficava-se à segunda churrascada.
O Tio do sobrinho da Ti Meloa era, como já se viu, homem de recursos insuspeitados pelo que tratou logo de resolver o momentoso problema. Metera-se no barquito e ao fim de hora e meia estava no posto da Guardia Civil que, como se entende, estava a hora e meia de distância na margem espanhola. O graduado responsável fora muito compreensivo com relação à proposta do Tio do filho da Ti Meloa:

“ustedes van a comer con nosotros y levan un vinito. Además les regalamos las patitas del cerdo. Qué tal hombre?”

É claro que a coisa ficou acertada a contento das partes e funcionava que era uma beleza. Os da Guardia eram uns bacanos e não se cortavam na vinhaça além do mais, ainda traziam uns paivantes para matar o viciozito do Ti Manel Cebola que desde que estivera em Angola como clarim de um regimento de Artilharia, apanhara esse costume péssimo – segundo dizem – para a saúde e para carteira.
Como o Ti Manel Cebola tinha aprendido umas quantas notas de música, a comezaina acabava sempre com uns boleros e uns pasodobles dedilhados numa velha guitarra.
E as vozes sempre afinadas dos alentejanos que têm uma tradicional queda para a música, ecoavam à volta da fogueira até que, estafados e avinhados, adormeciam de boca aberta ao abrigo de um chaparro.

O Ti Bisnaga participava nestas agradáveis reuniões comunitárias e, às vezes, a borracheira era de tal ordem que se esquecia de cobrar o material comprado pelos de Borda de Baixo o que, também, e diga-se de passagem, era bastante conveniente para os clientes que nunca se tinham queixado. Até – as verdades têm de ser ditas sem rodeios – rodeavam o Ti Bisnaga de atenções mantendo-lhe a caneca sempre cheia até à borda não fosse o almocreve lembrar-se das contas por acertar.
Mas o Ti Bisnaga era um porreirão e, vivendo sozinho, sem família chegada, aqueles dois ou três dias que passava em Borda de Baixo eram um saboroso devaneio na sua solitária vida. Como as suas conversas com o macho não passavam de monólogos, ter alguém que respondesse ou perguntasse era um bálsamo.

Fim do 8º episódio

Nota: A criação, o grafismo, a composição… enfim… tudinho desta pepineira é da exclusiva autoria de ama.