Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LUKKY ME

Finalmente conseguira atracar o barco.


Bom… chamar barco a um Super Mariner Eagle Star de 18 metros e mil e quinhentos cavalos de potência era a mesma coisa que chamar “carro” ao Lamborguini Diabolo que tinha na garagem!

Não fora fácil não obstante a panóplia de instrumentos que o “barco” dispunha e que praticamente resolviam qualquer situação, mesmo que fosse a de atracação numa marina repleta de embarcações de todos os tipos.
Evidentemente que para que a coisa funcionasse era preciso saber ler os instrumentos e, sobretudo, saber qual a serventia de cada um e, isso, ele não tinha uma pálida noção.

O “patrão” não obstante os extensos ferimentos que o mantinham numa espécie de torpor comatoso, conseguira com palavras entrecortadas com gemidos, dar-lhe as indicações suficientes para conseguir chegar à entrada da marina. Avisara por rádio o centro de controlo esperava-o um bote de borracha de onde subiu a bordo um piloto que tomou conta do resto.
Atracado o “barco”, desligado motor, deixou-se cair numa das poltronas do deck absolutamente arrasado.

Alagado num suor frio que não tinha nada a ver com a brisa fresca do fim de tarde, sentia um tremor incontrolável que o sacudia dos pés à cabeça.

Enquanto os socorristas que subiam a bordo e colocavam o “patrão” numa maca e o transportavam para a ambulância que esperava na marina, com as luzes azuis girando e piscando atraindo os passeantes como borboletas, o oficial da polícia marítima, na sua farda impecável, esperava pacientemente com um bloco de papel numa mão e uma esferográfica na outra que recuperasse o suficiente para dar início ao inevitável interrogatório.
Outro policial já recolhera os documentos da embarcação e os seus próprios e conferia dados e elementos com os que como era evidente, constavam no PC portátil que outro funcionário da marina transportava consigo.
Consultando o seu bloco o Oficial da Polícia começou:
“A saída da marina está registada às doze e vinte e cinco de ontem. Também consta do registo o abastecimento de 500 litros combustível e a previsão de regresso para as dezassete e trinta.
Esta quantidade de combustível parece exagerada para uma viagem de cinco horas!”
O oficial fitava-o nos olhos à espera de uma explicação.
Sem resposta, continuou:
“A gravação da sua conversa por rádio com centro de controlo diz, e passo a citar: «O arrais sofreu um acidente grave, não sei o que fazer para regressar…» depois segue-se o resto da conversa sobre a localização da embarcação e as instruções para o regresso. Segundo o registo encontrava-se nessa altura a cerca de oitenta e cinco milhas da marina”.

A única resposta que obteve foi um pesado aceno de cabeça confirmando o que dissera.
O oficial mantinha a compostura mas parecia começar a agastar-se com a falta de colaboração.

“Senhor Doutor Amílcar Silva – disse lendo os apontamentos do caderno do outro policial – compreendo que esteja a passar um momento difícil mas é urgente e imperioso saber o que se passou caso haja necessidade de actuação rápida das entidades oficiais; os ferimentos do arrais foram provocados por arma de fogo e há no casco da embarcação sinais evidentes de impactos de projecteis. Isto configura uma situação grave que é urgente esclarecer.”

Outros policiais tinham subido a bordo e era óbvio que procediam a uma revista minuciosa do “barco”. Um deles, um jovem de cabelo rapado, dirigiu-se ao oficial e murmurou ao seu ouvido.
O oficial fez um sinal de assentimento e continuou a dirigir-se-lhe, desta vez com um tom mais autoritário e nada deferente:

“Consta no registo de saída que a deslocação se destinava a pescar, contudo acabei de ser informado que, a bordo, não se encontra um único artefacto de pesca. Como se explica tal coisa?”

Já tinha recuperado um pouco da sua prostração, o tremor já não o sacudia e sentia que lhe voltavam as forças e a calma fria e determinada que o caracterizava. Endireitando-se na poltrona, encarou o oficial e disse:

“Vamos a ver se consigo responder a todas as suas perguntas: Primeiro: Como se explica que tenha saído para a pesca sem equipamento, é simples… um esquecimento que só tarde demais me dei conta;
Segundo: Porque abasteci quinhentos litros de combustível, também é simples… porque era exactamente a quantidade que faltava para o pleno dos tanques do “barco” e nunca saio sem os tanques completamente cheios, nem que seja só para ir almoçar a meia hora de navegação;
Terceiro: Os ferimentos do arrais e os impactos de projecteis… pois, infelizmente, também é fácil de explicar fomos atacados por um outro barco que nos abordou quando já iniciávamos o regresso;
Quarto: A longa demora explica-se porque os bandidos que nos atacaram nos retiveram todo esse tempo em seu poder.”

Mesmo habituado a muitas histórias do mar e dos marinheiros mais estranhos que o sulcam, o oficial não pode deixar de se mostrar surpreso com as respostas e com a frieza que se sentia no tom de voz do homem.

Afastou-se um pouco e começou uma conversa via rádio, obviamente com algum comando superior da Polícia Marítima.

Acabada a conversa, retornou:

“Senhor Doutor: o comando requer a sua presença imediatamente. A embarcação ficará sob a guarda da Polícia e interdita até novas ordens. Queira fazer o favor de me acompanhar”

Olhando para o relógio – o último modelo da ROLEX em ouro maciço, (evidentemente), levantou-se para seguir o policial, só que, ainda um pouco tonto, cambaleou um pouco o que levou o outro a segurá-lo por um braço.

….


Quer mesmo conhecer o final deste extraordinário "thriller"? Então:


terça-feira, 15 de novembro de 2011

CSI - LEIRIA

Debruçado sobre o corpo, Matias Augusto tentava perceber sinais que indicassem qualquer coisa mais que o que era evidente: a morte ocorrera por manifesta falha do sistema respiratório. Os olhos esbugalhados, a boca aberta num esgar era o que indicava.
Anotou mais qualquer coisa na agenda e passou ao segundo corpo. Os sinais eram os mesmos. Se bem que muito jovem, este, apresentava evidências de má nutrição e, claro, o mesmo aspecto que os outros dez. Concluiu que, a morte, ocorrera de forma semelhante.

Ergueu-se com cuidado tentando não escorregar na lamacenta margem do rio. Em cima da ponte, mirones comentavam a mortandade. Um homem de alguma idade, com um chapéu castanho na cabeça, disse que, lá para cima, a cerca de um quilómetro, parecia haver mais uns quantos cadáveres.

Matias, mandou um assistente entrevistar o mirone para saber mais sobre ao assunto. Aquele era o seu primeiro caso na cidade e não queria deixar de aproveitar o ensejo que se lhe proporcionava para aplicar todos os seus conhecimentos adquiridos em anos de estudo que tinham terminado na licenciatura recente.

Sentira-se um pouco frustrado por ser colocado numa cidade que, embora capital de distrito, era uma cidade de província. Sonhara com um trabalho importante, rodeado de aparato, os meios de comunicação, as televisões, entrevistas… enfim, todo um circo que, na sua cabeça, deveria ser a sua vida de investigador.
Nos três meses que tinham decorrido desde que chegara à cidade e assumira funções, não acontecera nada de especial. Meras operações de rotina sem relevo nem história que merecesse ser contada.
Nessa manhã, quando chegara à repartição e o chefe lhe dera conta do que ocorrera destacando-o para conduzir as investigações, sentiu que, finalmente, chegara a sua hora.

Apressara-se a enviar uma equipa de três ajudantes, isolar a área e ficar de guarda impedindo quem quer que fosse de se aproximar do local da ocorrência e tocar no quer que fosse.
Isto, uma das regras básicas de qualquer investigação, era fundamental para poder tirar avaliar a situação e tirar conclusões.
Quantas vezes, segundo os professores insistentemente repetiam, as investigações era definitivamente comprometidas pela intrusão de estranhos no local tornando muitas vezes impraticável qualquer trabalho sério.

Matias Augusto era um homem metódico. Não obstante a sua juventude e vontade de se evidenciar no exercício da sua profissão, mantinha uma regra de observância estrita dos métodos e procedimentos que os livros ensinavam. Com ele, era tudo “segundo o livro” não admitindo nenhum desvio às regras estabelecidas.

Isto, é claro, tornava-o um bocado irritante para os outros, pouco habituados a seguir os cânones, antes se entregando ao improviso que, na maior parte das vezes, conduziam a conclusões apressadas e com escasso fundamento.

Fora por isso, em parte, que recusara liminarmente a sugestão do chefe para que, antes de começar a investigação propriamente dita, tentasse documentar-se sobre eventuais casos semelhantes que poderiam ter ocorrido no passado. Não! Queria começar totalmente liberto de sugestões ou ideias adquiridas.

‘Cada caso é um caso, diria o seu professor, não obstante as aparências poderem apontar para alguma similitude’.

Já tivera oportunidade de dar “uma lição” ao encarregado da equipa de assistentes. O homem, de meia-idade, não percebera a necessidade de isolar cada corpo e de referenciar com todo o pormenor o local e condições em que fora encontrado. Ficara a olhar para ele como se estivesse a dizer algo de absurdo e desnecessário. Depois, com um encolher de ombros, mandou fazer como ele ordenara.

Tudo isto consumiu grande parte da manhã e o seu telemóvel já tocara por duas ou três vezes. Não atendera o chefe que chamava. Também ele, precisava aprender que não se deve perturbar uma investigação em curso.

As anotações enchiam quase metade da agenda e as polaróides tirados de numerosos ângulos e posições enchiam um grosso envelope.

Com um último olhar ao local, Matias descalçou as luvas de borracha que guardou cuidadosamente num saco de plástico que fechou com fita gomada. Tinha a certeza que não se esquecera de nada, que não deixara de anotar nenhum pormenor.

A caminho da repartição pensou, satisfeito, que aquela era, de facto, uma grande oportunidade de pôr em destaque as suas capacidades e técnicas de investigação.
Deu ordens precisas ao encarregado da equipa de como preparar tudo para começar imediatamente. Este ainda argumentou que seria, talvez, melhor deixar para depois de almoço, mas Matias nem o deixou acabar: “Você faça como eu lhe disse e depois... já não preciso mais de si, quer dizer, por enquanto. Pode ir almoçar à vontade.”

Mal podia disfarçar a sua excitação perante a magna tarefa que o aguardava. Uma quantidade de corpos para examinar – um a um – todos os procedimentos periciais, as análises, deduções e, por fim, está bem de ver, um relatório completo, circunstanciado, devidamente apoiado por provas, indícios e evidências.
Imaginava a surpresa do chefe. Tinha certeza que nunca recebera nada semelhante. Depois dos primeiros momentos de estupefacção apressar-se-ia a mandar chamar os jornais da terra as “rádios” enfim, os meios de comunicação social que houvesse na cidade, para dar uma conferência de imprensa.
Seria algo de tumultuoso e solene, ao mesmo tempo. Antecipava a cena em que, o chefe, depois das apresentações iniciais, lhe dava a palavra para ser ele a responder às perguntas dos jornalistas, com toda a segurança e sem titubear.

Antevia as caras de espanto, os olhares de admiração, seria um grande momento. O “seu” momento!

Absorto nestes confortáveis pensamentos, Matias Augusto abriu a porta da grande sala onde se processavam a maior parte dos exames periciais da repartição, dirigiu-se ao cabide donde pendia a sua bata impecavelmente branca, calçou as luvas de borracha, colocou uma máscara sobre a boca e o nariz e, finalmente pronto, dirigiu-se à grande mesa de mármore onde repousavam os corpos dos onze peixes recolhidos na margem lamacenta do rio.

Dez, 2008

domingo, 13 de novembro de 2011

Foto de acidente de F 1

Não é bonito de ver... mas vale pela lição.
 
Pode acontecer com todos.
 
Esta imagem, retrata um acidente de F1.
 
Que ocorreu há pouco tempo. 
 
(Coisas destas não se costumam mostrar na TV)




sábado, 12 de novembro de 2011

Curso de Formação de Maridos


Objectivo pedagógico:

Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência (o cérebro).
São 4 módulos:

Módulo 1: Introdução (Obrigatório)


1 - Aprender a viver sem a mãe. (2.000 horas)

2 - Minha mulher não é minha mãe. (350 horas)

3 - Entender que não se classificar para o Mundial não é a morte. (500 horas)



Módulo 2: Vida a dois


1 - Ser pai e não ter ciúmes do filho. (50 horas)

2 - Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas. (500 horas)

3 - Superar a síndrome do 'O comando é meu'. (550 horas)

4 - Não urinar fora da sanita. (1000 horas - exercícios práticos em vídeo)

5 - Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário. (800 horas)

6 - Como chegar ao cesto de roupa suja. (500 horas)

7 - Como sobreviver a um resfriado sem agonizar. (450 horas)



Módulo 3: Tempo livre


1 - Passar uma camisa em menos de duas horas. (Exercícios práticos)

2 - Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa. (Exercícios práticos)



Módulo 4: Curso de cozinha


1 - Nível 1. (Principiantes) - Os eletrodomésticos ON/OFF = LIGA/DESLIGA

2 - Nível 2. (Avançado) - Minha primeira sopa instantânea sem queimar a panela.

3 - Exercícios práticos - Ferver a água antes de por o macarrão.



Cursos Complementares


Por razões de dificuldade, complexidade e entendimento dos temas, os cursos terão no máximo três alunos.

1 - A eletricidade e eu: vantagens económicas de contar com um técnico competente para fazer reparos.

2 - Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade. (Práticas em laboratório)

3 - Porque não é crime presentear com flores, ainda que seja casado.

4 - O rolo de papel higiénico: Ele nasce ao lado da sanita? (Biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)

5 - Como levantar e fechar a tampa da sanita - passo a passo. (Teleconferência)

6 - Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais. (Exercícios de reflexão em dupla)

7 - Os homens e a condução. Podem  pedir informações, sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes. (Testemunhos)

8 - O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar acabar com a casa.

9 - As máquinas de lavar roupa e loiça: esses grandes mistérios.

10 - Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão. (Exercícios com musicoterapia)

11 - A chávena de café: ela levita, indo da mesa até à máquina? (Exercícios dirigidos por Mister M)

12 - Analisar detidamente as causas anatómicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar a casa de banho depois do banho.


O curso é gratuito para homens solteiros e para os casados damos bolsas.

ENVIE ISTO PARA MULHERES INTELIGENTES QUE PRECISEM DAR UMAS RISADAS...

E PARA HOMENS CAPAZES DE LIDAR COM ISSO!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Auto-Estima acima de tudo!!

Imagem do contribuinte em 2013



Não interessa o quanto o fisco te tenha depenado...
Importante é andar sempre de cabeça erguida!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BCE - Banco Central Europeu explicado...


O QUE é O BCE?
– O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro como é o caso de Portugal.

DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?
– O dinheiro do BCE ou seja o capital social é dinheiro de nós todos cidadãos da UE na proporção da riqueza de cada país. Assim à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10% dos 27 Estados da UE.

E É MUITO ESSE DINHEIRO?
– O capital social era 58 mil milhões de euros mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1.º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado em três fases. No fim de 2010 no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 106 mil milhões o capital do banco.

ENTÃO SE O BCE é O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACIONISTAS...
– Não não pode.

E POR QUÊ?!– Por quê? Porque... porque bem... são as regras...

ENTÃO A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?
– Aos outros bancos a bancos alemães bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO ENTÃO PORTUGAL OU A ALEMANHA QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.
– Pois é…

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÃO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRETAMENTE AO BCE?
– Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

AGORA NÃO PERCEBI !!!...
– Sim os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro a chamada dívida soberana através de um conjunto de bancos a 1% e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%

MAS ISSO ASSIM é UM NEGÓCIO DA CHINA! Só PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!
– Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha em Frankfurt. Neste exemplo ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS…

– As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada?...

MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?
– Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico a França Portugal e os outros países…

ENTÃO OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1% PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?
– Bom não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar é que levam juros a 6% a 7% ou a mais...

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO?!...
 Nós qual nós?! Um país Portugal ou a Alemanha não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões em dividendos por ano ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganham com os prémios a que têm direito uns 50 100 ou 200 mil euros por mês!... Não se queiram comparar…

MAS E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?
– Os nossos Governos... Por um lado são na maior parte amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos...

MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?
– Em certo sentido sim é claro mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial a maior de há um século para cá.
Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial como nem os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos a ver navios... Os governos então nos EUA e na Europa para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E ONDE O FORAM BUSCAR?
– Onde havia de ser!? Aos impostos aos ordenados às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?
– Na cadeia? Que disparate! Então se eles é que fizeram a coisa engenharias financeiras sofisticadíssimas só eles é que sabem aplicar o remédio só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos como Raymond Mc'Daniel que era o presidente da Moody's uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete foram... passados à reforma. Como Mc'Daniel é uma pessoa importante levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?
– Isso já não é comigo eu só estou a explicar...


agrad AG





sábado, 5 de novembro de 2011

Três vezes nove vinte e sete

"Três vezes nove vinte e sete", repetia sem cessar enquanto caminhava rapidamente pelas ruas desertas.

Às cinco da madrugada de uma quarta-feira as ruas da periferia de uma cidade estão normalmente desertas, são raros os passantes e os que se encontram caminham apressadamente e desviam-se mais ou menos daqueles com quem se cruzam.
Naquela rua, pelo menos era o que acontecia. Os três ou quatro homens com quem se cruzara tinham-se comportado assim.
Não ligara muita importância, continuara a passo estugado murmurando: "Três vezes nove vinte e sete", "Três vezes nove vinte e sete", "Três vezes nove vinte e sete"...
Olhava de soslaio os buracos negros das casas cujas portas tinham sido arrombadas, ou as janelas estilhaçadas e quando se apercebia da brasa do  cigarro que alguém tinha aceso lá nas profundezas estugava ainda mais o passo e o múrmurio subia de tom "Três vezes nove vinte e sete", "Três vezes nove vinte e sete"...

Começara a cair uma chuva miudinha que rapidamente ensopou a roupa leve de Verão que vestia.

Daí a nada deu o primeiro espirro que interrompeu a litania logo após o "nove".
Parou, ou melhor, estacou de súbito, atacado por um medo indiscritível; "e agora...que fazer? Recomeçar, "Três vezes nove vinte e sete", ou, retomando onde o espirro interrompera "vinte e sete"?
O problema era de tal forma complexo que não conseguia encontrar uma solução e começou a chorar, primeiro, de mansinho, depois em soluços incontroláveis que o sacudiam como um trapo.
Um sujeito que se aproximava, cosido às paredes por causa da chuva, parou a alguma distância olhando-o com estranheza.
Como choro continuava completamente descontrolado, foi-se aproximando de vagar, como que a medo e perguntou:

"Eh! Oiça lá homem! Que é que se passa? O que é que tem?"
Não respondeu, não podia. Abriu os braços num gesto de impotência.

O outro, já junto dele, repetia:
"Mas...caramba, homem! Acalme-se! Em que posso ajudar?"
A resposta foi a mesma: os braços abertos...

Era, realmente, uma cena de filme negro, aqueles dois, àquela hora da madrugada, encharcados até aos ossos, um a chorar desbragadamente e, o outro, com ares de impotente aflição de quem não sabe o que fazer. A cena tendia a eternizar-se, nem um parava de chorar nem o outro conseguia esconder a sua preocupada intenção de o ajudar.

Mas, subitamente, tudo acabou: um automóvel que passou na mecha mandou uma nuvem de água para cima do estranho par. O choro parou subitamente!
O "solidário" afastou-se a passos largos e o outro prosseguiu como se nada tivesse acontecido: 

"Vinte e sete", "Três vezes nove vinte e sete", "Três vezes nove vinte e sete".

2011.07.30

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Ponte mais rápida da história mundial

Levou apenas umas horas a concretizar e - mais fantástico ainda - já estava paga!!!

PONTE 25 DE ABRIL
Em 1976 quando o então Ministro da Obras Públicas, Eng. Arantes e Oliveira perguntou ao Sr. Professor Dr. António De Oliveira Salazar se ele se opunha a que dessem o seu nome à Ponte, terá respondido mais ou menos assim:

"Não me apetece muito, mas, se o querem fazer não me oponho. Apenas um conselho: coloquem as letras de forma a serem facilmente substituídas...."