Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



sexta-feira, 28 de maio de 2010

FÉLIX

Félix

O verdadeiro dono do jardim e da horta da Casa de Carvide é o Félix.

Quem é o Félix?

Ver imagem em tamanho realO Félix é um sapo, gordo. Lustroso, imponente (para um sapo, claro).

Porque é que lhe pus o nome de Félix?
Bem… porque queria dar uma ideia de despreocupação, à-vontade, auto-satisfação e, pareceu-me que pôr-lhe o nome de FELIZ era assim… um pouco prosaico; FELÍCIO é nome de Sargento de Artilharia (conheci um, pelo menos), logo, se não há oposição, fica Félix o nome do sapo.

Posto isto, que me parece importante e instrutivo, voltemos ao início:
 
                          
Considero que o Félix é o dono do jardim e da horta da casa de Carvide por várias razões das quais enumerarei algumas só a título de ilustração:

A - Anda por lá há um ror de anos. Conheci-lhe uma vozita de cácarácácá que, de vez em quando e a medo, soltava. Agora, não! Tem um coaxar sério, forte, com sentimento, uma coisa assim como que a marcar oposição, a impor um direito.

B - Faz-se ouvir a qualquer hora, quando muito bem lhe dá na gana de sapo. Está-se a conversar, a dormitar, a não fazer nenhum e lá vem o Félix com dois ou três sinais dos seus informar que aquilo, ali, é dele.

C - Quer chova, faça frio ou um calor de rachar, o Félix marca presença. Não liga nenhuma à meteorologia e à função atribuída – não sei por quem – aos sapos, de anunciarem chuva. Ainda outro dia me mimoseou com uma cantoria de todo o tamanho e, a verdade, é que o dia seguinte foi de partir pedra com tanto calor. (Dei comigo a apensar se o Félix não será um sapo gozão com um gostinho próprio de enganar o pessoal.)

D - O Félix não tem território, isto é, aquilo tudo pertence-lhe pois tão depressa está no fundo da horta como ali mesmo, ao pé da gente. Sente-se em casa. É dele!

F - O Félix não faz nenhum, como um verdadeiro dono de uma coisa qualquer limita-se a gozar o que tem. O único esforço que se lhe conhece é, de vez em quando, estirar os quase dez centímetros da língua viscosa e apanhar uma mosca, borboleta ou outro qualquer insecto passante à distância conveniente. Quando enfia a presa na bocarra até fecha os olhinhos de prazer. Por isso, o Félix está gordo que se farta e luzidio como o capot de um Volkswagen verde que a Fernandinha teve há um ror de anos.

O Félix tem uma rica vida e não se lhe adivinha termo. Não faço ideia nenhuma de quantos anos vivem os sapos mas, sejam lá quantos forem, espero que os viva muito bem, contente e feliz no seu feudo de Carvide.

(ama, Jardim da Casa de Carvide, Vinte e tal de Setembro de 2009 (à tardinha)