Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



sábado, 12 de dezembro de 2009

Vareta

A voz ao telefone era um bocado rouca e, ao mesmo tempo, ciciante (do género daquela linda Inês filha do conhecidissímo causídico).
Disse: «Bocê tem algum amigo chamado Pau ou Vareta ou Fasquia ou Tranca ou...?»
"Bocê"!? Que raio é isto - interroguei-me com brevidade.
«Bem... eu, com esses nomes própriamente ditos, não estou a ver... assim de repente...»
«Oiça, eu explico: conheci um fulano que tem um primo, que é cunhado da mulher a dias do motorista do presidente da CP. O gajo disse-me que com esta coisa do Tê Gê Vê, as carruagens e o material -ai... como é que ele lhe chamou..?... prontos, já me alembrei... - material circulante, vai tudo pró galheiro, quer-se dizer, vão atirar para a sucata com aquilo tudo.»
Comecei a interessar-me. O português era menos que sofrível mas, também, como ainda não entrou em vigor o novo Acordo Ortográfico, decidi não me preocupar com modus de se expressar do interlocutor. De maneira que, para assinalar que estava a ouvir, disse:
«Pois...»
O ciciador, continuou: «É que eu estou interessado no negócio, só que não sei a morada da CP. Bocê sabe?»
Respondi rapidamente: «Saber, própriamente não sei, mas tenho ouvido dizer que há quem saiba.»
O sujeito cortou cerce: «Pois, por isso é que eu lhe perguntei se Bocê tem algum amigo chamado Pau ou Vareta ou Fasquia ou Tranca ou...»
Eu sei lá se tenho o móvel sob escuta, portanto, sem mais,desliguei.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carta aberta II

ZÉ!

Tá a ver o resultado de não ter ligado à minha primeira carta aberta? Tá a ver! Agora está metido em sarilhos de todo o tamanho e como não tem maioria - que se me tivesse dado atenção era coisa certa - tem o pessoal à perna a querer saber isto e mais aquilo, num desassossego de todo o tamanho.
"Hombre - já lhe terá dito o seu amigalhaço dos sapatos - que hiciste, hombre? Pues por aí vas muy malito, fijate hombre!
Bem.. mas eu estou aqui para ajudar no que for preciso só que, agora, a coisa vai-lhe custar mais uns trocos, entende, sim que isto das inflacções... meu amigo!
Para encurtar isto digo já as minhas condições: quero ser nomeado, ainda este ano, seu assessor directo com um ordedanito como deve ser, acrescido de ajudas de custo por morar longe.
Uma vez instalado com todos os "conformes": uma ou duas secretárias, automóvel com motorista, cartão de crédito ilimitado, uma conta aberta no Rosa & Teixeira (que estou um bocado fraco de traparia), igualmente no Gambrinus e mais um ou dois tascos de igual categoria e... prontos,; como pode constatar, sou comedido.
Dizia eu que, uma vez instalado, começo imediatamente a pôr as minhas ideias e processos em andamento e v. está garantido. A primeira coisa que acontece é que em vez de o xatiarem a si, xateiam-me a mim, ora, como eu, oficialmente, não existo não estou a ver como será isso possível.
Mas... calminha, nada de me adiantar em revelações.
Isto não por desconfiar de v. mas... o seguro, sabe, morreu de velho.
Diga coisas...