Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ah Baleizão dum canudo!

Camarada: Tem de me arranjar, pelo menos, umas cento e cinquenta pessoas, está a percerber?
Okay, camarada secretário geral, vou ver o que se pode fazer mas, desde já lhe digo, que isto não está nada fácil.
Ah sim?! E porquê, posso saber?! Fácil nunca foi, camarada, fácil nunca foi...
É que o pessoal já não está para estes fretes. Sabe como é... que têm mais que fazer, que está de chuva... enfim...
Mas isso é uma falta de militância inadmíssivel, camarada, onde é que já se viu. Quero os nomes de todos os que se recusarem a ir e os motivos que deram para tal. Depois de analizados, vai ver..., ainda vamos ter expulsões do partido.
Oh camarada secretário geral... tenha calma homem. Qualquer dia, com tantas expulsões...
O que é facto é que com promessa de pão, vinho e febras, mais umas cantigas do Godinho, ou outro barbalinas qualquer, lá se ajuntaram no Baleizão uns noventa e cinco marmanjos e umas quantas mulheraças - dessas que nunca faltam porque adoram arejar a pavana mesmo que seja preciso dar uns berros e levantar uns punhos no ar.
O curioso da história é que, pessoal do Baleizão, própriamente dito, só estavam uma meia dúzia de fulanos, dos quais três eram tetraplégicos por acidentes de motorizada, e dois cegos de nascença.
A meio do inflamado discurso do camarada secretário geral - na verdade era uma cópia de um pronunciado à vinte e tal anos pelo Barreirinhas (mas que ninguém já se lembrava, claro) - o sistema de som pifou. O camarada secretário geral, que é, como se sabe, um homem de ideias luminosas e de grande visão estratégica, meteu o resto das A4 no bolso da gabardine e mandou tocar a febras e vinhaça.
Pelas quatro da tarde, da grande manifestação e jornada de luta e afirmação do poder do povo, restavam umas duas dúzias de bêbados que com grande euforia, mandavam uns vivas à Catarina... Eufélia... Fanélia... Eulénia... Efigénia...Eufrásia....ao tintol de Arronches, etc e tal de coiso.

domingo, 18 de maio de 2008

A Bordo

Pensando bem... - dizia o Primeiro meio voltado na cadeira - pensando bem, isto é um voo privado portanto..., pá, a gente pode fazer o que nos der na realíssima gana, não é verdade?
O patetinha dizia que sim com a cabeça, - sem perceber, como sempre -, onde o outro queria chegar: Pois.. pois, é o que acho, pá... quer dizer... senhor primeiro...
Oh homem! Deixe lá isso, caramba! Os formalismos não são para aqui chamados. Embora, já se sabe, o respeitinho..., que eu cá, confesso, gosto pouco de confusões.
Bem, mas então? Damos umas passas ou quê?
E lá se puseram a puxar pelos paivantes com uma gana sôfrega e urgente.
Abriu-se a cortina: Senhor Primeiro: o Comandante manda dizer que...
Ora...ora... vá lá dizer ao comandante que depois falamos... Não querem lá ver... Era o que mais faltava o comandante querer dar umas bocas. O avião é privado já disse! Cada um faz o que quer e prontos!
Aliás é melhor tomar nota do seguinte: a próxima vez que fretarmos um avião para irmos não sei bem a que paíz longe como o caraças, é melhor que seja um JUMBO. Mandam-se tirar as cadeiras da económica e assim sempre dá para fazer um bocado de jogging. Que tal a ideia hã?!
Vocês vão ver: a ideia pega... e até o Obama acaba por fazer a mesma coisa no Air Force One!

sábado, 17 de maio de 2008

ASAE

Instituições de solidariedade obrigadas a deitar comida fora (Púbico de 17.05.208)

A ASAE aceita que um ser humano possa passar fome e, até, morrer, desde que seja dentro do prazo, assim... comida com a etiquetazinha com um ou dois dias de vencimento... nem pensar! Não vá o pobre esfomeado morrer por causa da comida - o que a ASAE não pode permitir - e não devido à fome - o que a ASAE não quer evitar. Parece um filme e terror...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O desfile

O Secretário Geral estava desesperado: o 'DESFILE estava comprometido.
Há mais de uma semana que os vários encarregados de arrebanhar pessoal para a grande manifestação enviavam relatórios demolidores:
Só consegui meia dúzia, vinte e três, vinte e cinco, quando muito!
Os autocarros alugados por todo o País - bem... todo... não, os sítios do costume que no resto já não se arriscava - estavam longe de lotados, os caixotes de sardinhas e febras, encomendados com tanta antecedência, pareciam destinados ao lixo, os estandartes, dísticos, braçadeiras e bandeirolas esperavam devidamente alinhadas nos armazéns do Partido.
A coisa era séria. Grave.
Em desespero, deu instruções desesperadas:
Camarada: promete umas massas ao pessoal e prontos! É preciso encher as cáminetas, pá!
Mas, ao fim da tarde da véspera, as comunicações eram de pasmar:
Camarada:
Nem por vinte e cinco euros consigo arranjar mais que vinte e três mulheres, dezasseis das quais em cadeira de rodas, meia dúzia de gaiatos e quatro tipos com pena suspensa!
Eh pá! Sobe a parada para cinquenta euros, gaita! Ou mais... promete o que for preciso!
Ouvindo este desatino o camarada da finanças do Partido, interveio:
Mas... camarada Secretário Geral... onde é que vamos arranjar a verba? Sim... aos cofres vê-se-lhes o fundo...
O grande homem retorquiu com a infinita paciência que sempre demonstrava em situações de grandes e graves problemas: O camarada não me ouviu dizer: OFERECE?
Então... qual é a dúvida? Oferecer não é prometer pois não?