Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mineiros

Com grande preocupação, tenho vindo a assistir ao desaparecimento, nos últimos tempos de modo muito acelerado, de mineiros competentes.
Aparecem uns sujeitos com alguns conhecimentos da coisa mas que, a breve trecho, se verifica que, afinal, de mineração e minas não entendem peva.
Eu explico-me:
Um Oliveira qualquer arranja um bom couto e consegue, sem grandes dificuldades, porque conhece as pessoas certas nos lugares convenientes, autorização para iniciar os trabalhos de mineração.
Corre tudo muito bem, porque, o Oliveira, conhece profundamente o sistema e sabe que não há vigilância de espécie nenhuma, nem fiscais a aparecerem sem aviso a verificar se os trabalhos decorrem como devem, principalmente se a mina está bem escorada, se os sistemas de ventilação funcionam impecáveis, enfim, se o Oliveira e sus muchachos sabem da poda.
E o que faz o Oliveira?
Desata a escavar cada vez mais fundo porque, é claro, ao abrir quinhentos metros de mina tem de ter um lugar para pôr o minério e tem a brilhante ideia - que o Oliveira tem conhecimentos - de abrir um buraco ainda mais fundo e lá depositar a escória. E assim por aí fora no melhor dos mundos.
A mina estende-se por quilómetros, cada vez mais fundo, com buracos cada vez maiores. Não interessa nada saber se o minério obtido tem alguma aplicação prática, o que é preciso é minerar sem descanso.
Mas e o Oliveira o que é que ganha com o assunto?
Bem... vai comissionando o equipamento necessário para a avantajada mina, comprando camiões velhos pelo preço de novos, vendendo a uns sujeitos, cuja existência real não se consegue provar, o montão disforme de escórias a preço de minério refinado, etc. e tal.
Até que, como na pressa de minerar se foi esquecendo de mandar escorar convenientemente os intermináveis túneis, uma vez que isso custaria um dinheirão que, o Oliveira, poupado como é,decidiu não gastar; a certa altura aquilo não aguenta a pressão e começa a desmoronar-se com um estardalhaço de todo o tamanho.
Por acaso, até agora, não faleceu nenhum mineiro na derrocada, mas há uma quantidade muito grande de pessoal que vai ficar a ver navios sim, porque agora, há que pagar aquilo tudo, tapar os buracos e os túneis enfim... um despesão do caneco.
Então entra em cena o Zé que, como sempre, sem perceber nada de minas nem de minérios, vai sentir que lhe estão a ir ao bolso, já de si magro, a sacar os cobres necessários para cobrir os gastos de que nem se suspeita a dimensão, mais os ordenados dos conhecedores de minas e minérios que serão nomeados para resolver a coisa.
Estou de facto, preocupado!

terça-feira, 24 de junho de 2008

OPINIÕES

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

OPINIÕES - Blog antigo 1
Há para aí umas pessoas que se fartam de opinar. Opinam sobre tudo e mais alguma coisa, numa catadupa de opiniões que deixam a gente confusa e sem saber o que querem na verdade dizer. Embrulham comentários sobre as mais diversas situações e acontecimentos mais díspares. Talvez alguém leia ou oiça ou, até, se dê ao trabalho de copiar, para memoria futura, os dizeres à disposição. Seria urgente - urgentíssimo - criar-se uma associação de avaliadores de opinadores, assim como que uma espécie de entidade a quem se pudesse recorrer para avaliar do interesse ou da opinião. Chegar-se-ia, muito provavelmente, a uma situação em que a dita comissão decretasse, com força de lei: Na opinião desta Comissão, Vossa Excelência está absolutamente proibido de opinar! Esta é a minha opinião.
Posted by ontiano at 4:44 PM

Amaral 1

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Amaral 1
Levantando-se subitamente da cabeceira da mesa de seis metros de comprimento, o canadiano deixa cair do alto do seu metro e noventa e dois:My dear Amaral: I’m so sorry but I must warn you that twenty minutes is the all time I’ve spared for this meeting.O homem estava alarmadíssimo com a profusão de pastas, dossiers, papeis, livros, anotações que, já lá iam dez minutos, o outro espalhava pela mesa.Bom… então…vamos a ver: Eu tenho que explicar a Vossa Excelência as verdadeiras razões porque eu acho – o meu governo acha – que a atitude do Governo Canadiano para com os meus compatriotas é inaceitável. Eu…Just a moment, interrompeu o outro com veemência, não há aqui aceitar ou não aceitar. As leis do Canadá são do Canadá e você não tem que aceitar ou deixar de aceitar, you see?Oiça, meu caro, não se esqueça que os portugueses estiveram mais de quinhentos anos em África e que…Como posso esquecer, diga-me? Todos os dias, de há vinte e tal anos para cá, nos chegam notícias dessa gesta. São mortos, feridos, estropiados, milhões de deslocados, a ruína, a corrupção, a desgraça mais completa. Tell me, How can we forget?Bom…, quer-se dizer… isso são coisas que aconteceram mas que até são normais nos processos de transição para a democracia, como Vexa muito bem sabe. Eu, aliás…Pois, pois…mas, adiante, diga-me o que quer. My time is running out!Bem, o que eu queria dizer, responde o Amaral começando a guardar a tralha nas várias pastas com a chapola diplomática, o que eu queria dizer, é que considero uma injustiça…Diz bem, Amaral, diz bem: “Queria dizer”. Queria… mas não quer, pois não? Porque você é um sujeito inteligente, até já foi Presidente da Assembleia-geral da United Nations – embora ninguém queira saber disso para nada – sabe perfeitamente que os seus fellows portugueses têm andado a endrominar as autoridades canadianas com pedidos de asilo etc. e tal. Mas a “mama” acabou, está a entender. Para nós é simples: ou estão no Canadá legalmente e tudo bem, God speed, ou então têm de ir andando que isto aqui não é o da Joana.Bom… bom… balbuciava Amaral.Well, well digo eu, minister. Para mim e neste caso, os portugueses são como quaisquer outros: europeus, asiáticos, africanos… o que for. A lei é para todos.Absolutamente desfeito, Amaral, contemporiza: Você está a ver, se eu regresso sem nada na manga vai ser um pincel de todo o tamanho. Deixe-me ao menos dizer aos jornais e ás televisões que consegui uma moratória, uma reapreciação do caso, qualquer coisa, entende?Ok, Amaral, Ok. Então pode dizer que vamos estudar uma moratória de…digamos, trinta dias. Mas, aviso-o já, a decisão é irreversível.Muito obrigado a Vossa Excelência. Eu fico muito grato a Vossa Excelência. Permita-me Vossa Excelência que lhe transmita, em meu nome e do meu Governo, o alto apreço em que temos o Canadá, o excelente povo canadiano, o Governo e, em especial, Vossa Excelência que tão bem o representa. Mais expressaria o desejo do meu Governo e meu pessoal, de ver Vossa Excelência em breve, em Lisboa, para uma visita de Estado. Muito grato a Vossa Excelência. Momentos de pois, cá fora, ao microfone que o senhor Bicudo lhe espetava nas bochechas, Amaral declarava:Correu tudo muito bem. O Senhor Ministro compreendeu as razões da parte portuguesa que tive ocasião de expor amplamente, e que muito apreciou, tendo prometido ir avaliar o assunto. Deposito muita esperança no seu critério, que será, estou certo, o mais justo e adequado à situação.Entretanto, peço desculpa, mas tenho já pouco tempo para apanhar o avião e ainda queria passar pelo Corte Inglês cá de Toronto para levar umas coisas que o Zé me encomendou.
Posted by ontiano at 5:10 PM

Yl ya des choses du canéque!

Monnamimitéranmadit um belo dia, que conhecia poucos portugueses que falassem tão bem francês como eu; achei a coisa justa e, aliás, com a franqueza que me caracteriza, disse-lho: dacórmonchéràmijevusanremerciepurlecompliman.
Isto foi-me dito numa tarde de Outono, estava o tipo num dos magníficos terraços do Eliseu - que é, como sabem, o palácio que o Presidente da França habita, enquanto é, presidente, claro, - e eu fiquei particularmente emocionado e mal pude esperar para contar à Maria que me aguardava no pequeno piêàtérre que tinhamos alugado lá para os lados do fôbursantônôrê, que, como devem saber, é um dos bairros mais chiques e caros de Paris, mesmo apropriado para uns desgraçados de uns exilados como nós eramos.
Infelizmente, nos últimos tempos não tenho tido ensejo de praticar a minha língua de eleição, por isso peço lanço um apelo ás massas para que me dêem uma oportunidade de o fazer, seja lá onde for e como for que, eu, dou o e oito tostões só pelo prazer de dizer umas chôsesdanlálanguedeverlène.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ah Baleizão dum canudo!

Camarada: Tem de me arranjar, pelo menos, umas cento e cinquenta pessoas, está a percerber?
Okay, camarada secretário geral, vou ver o que se pode fazer mas, desde já lhe digo, que isto não está nada fácil.
Ah sim?! E porquê, posso saber?! Fácil nunca foi, camarada, fácil nunca foi...
É que o pessoal já não está para estes fretes. Sabe como é... que têm mais que fazer, que está de chuva... enfim...
Mas isso é uma falta de militância inadmíssivel, camarada, onde é que já se viu. Quero os nomes de todos os que se recusarem a ir e os motivos que deram para tal. Depois de analizados, vai ver..., ainda vamos ter expulsões do partido.
Oh camarada secretário geral... tenha calma homem. Qualquer dia, com tantas expulsões...
O que é facto é que com promessa de pão, vinho e febras, mais umas cantigas do Godinho, ou outro barbalinas qualquer, lá se ajuntaram no Baleizão uns noventa e cinco marmanjos e umas quantas mulheraças - dessas que nunca faltam porque adoram arejar a pavana mesmo que seja preciso dar uns berros e levantar uns punhos no ar.
O curioso da história é que, pessoal do Baleizão, própriamente dito, só estavam uma meia dúzia de fulanos, dos quais três eram tetraplégicos por acidentes de motorizada, e dois cegos de nascença.
A meio do inflamado discurso do camarada secretário geral - na verdade era uma cópia de um pronunciado à vinte e tal anos pelo Barreirinhas (mas que ninguém já se lembrava, claro) - o sistema de som pifou. O camarada secretário geral, que é, como se sabe, um homem de ideias luminosas e de grande visão estratégica, meteu o resto das A4 no bolso da gabardine e mandou tocar a febras e vinhaça.
Pelas quatro da tarde, da grande manifestação e jornada de luta e afirmação do poder do povo, restavam umas duas dúzias de bêbados que com grande euforia, mandavam uns vivas à Catarina... Eufélia... Fanélia... Eulénia... Efigénia...Eufrásia....ao tintol de Arronches, etc e tal de coiso.

domingo, 18 de maio de 2008

A Bordo

Pensando bem... - dizia o Primeiro meio voltado na cadeira - pensando bem, isto é um voo privado portanto..., pá, a gente pode fazer o que nos der na realíssima gana, não é verdade?
O patetinha dizia que sim com a cabeça, - sem perceber, como sempre -, onde o outro queria chegar: Pois.. pois, é o que acho, pá... quer dizer... senhor primeiro...
Oh homem! Deixe lá isso, caramba! Os formalismos não são para aqui chamados. Embora, já se sabe, o respeitinho..., que eu cá, confesso, gosto pouco de confusões.
Bem, mas então? Damos umas passas ou quê?
E lá se puseram a puxar pelos paivantes com uma gana sôfrega e urgente.
Abriu-se a cortina: Senhor Primeiro: o Comandante manda dizer que...
Ora...ora... vá lá dizer ao comandante que depois falamos... Não querem lá ver... Era o que mais faltava o comandante querer dar umas bocas. O avião é privado já disse! Cada um faz o que quer e prontos!
Aliás é melhor tomar nota do seguinte: a próxima vez que fretarmos um avião para irmos não sei bem a que paíz longe como o caraças, é melhor que seja um JUMBO. Mandam-se tirar as cadeiras da económica e assim sempre dá para fazer um bocado de jogging. Que tal a ideia hã?!
Vocês vão ver: a ideia pega... e até o Obama acaba por fazer a mesma coisa no Air Force One!

sábado, 17 de maio de 2008

ASAE

Instituições de solidariedade obrigadas a deitar comida fora (Púbico de 17.05.208)

A ASAE aceita que um ser humano possa passar fome e, até, morrer, desde que seja dentro do prazo, assim... comida com a etiquetazinha com um ou dois dias de vencimento... nem pensar! Não vá o pobre esfomeado morrer por causa da comida - o que a ASAE não pode permitir - e não devido à fome - o que a ASAE não quer evitar. Parece um filme e terror...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O desfile

O Secretário Geral estava desesperado: o 'DESFILE estava comprometido.
Há mais de uma semana que os vários encarregados de arrebanhar pessoal para a grande manifestação enviavam relatórios demolidores:
Só consegui meia dúzia, vinte e três, vinte e cinco, quando muito!
Os autocarros alugados por todo o País - bem... todo... não, os sítios do costume que no resto já não se arriscava - estavam longe de lotados, os caixotes de sardinhas e febras, encomendados com tanta antecedência, pareciam destinados ao lixo, os estandartes, dísticos, braçadeiras e bandeirolas esperavam devidamente alinhadas nos armazéns do Partido.
A coisa era séria. Grave.
Em desespero, deu instruções desesperadas:
Camarada: promete umas massas ao pessoal e prontos! É preciso encher as cáminetas, pá!
Mas, ao fim da tarde da véspera, as comunicações eram de pasmar:
Camarada:
Nem por vinte e cinco euros consigo arranjar mais que vinte e três mulheres, dezasseis das quais em cadeira de rodas, meia dúzia de gaiatos e quatro tipos com pena suspensa!
Eh pá! Sobe a parada para cinquenta euros, gaita! Ou mais... promete o que for preciso!
Ouvindo este desatino o camarada da finanças do Partido, interveio:
Mas... camarada Secretário Geral... onde é que vamos arranjar a verba? Sim... aos cofres vê-se-lhes o fundo...
O grande homem retorquiu com a infinita paciência que sempre demonstrava em situações de grandes e graves problemas: O camarada não me ouviu dizer: OFERECE?
Então... qual é a dúvida? Oferecer não é prometer pois não?

quarta-feira, 30 de abril de 2008

1º de Maio

Amanhã é, dizem, o 'DIA DO TRABALHADOR' e, singularmente, neste dia, ninguém faz nenhum.
Isto é muito interessante e instrutivo e, eu, habituado que vou estando a estas 'singularidades' da 'democracia', ainda pasmo com a coisa.
Há uns anos, houve um 'esperto' que resolveu propor ao 'povo deste País' oferecer um dia de trabalho para... já não me lembro bem o quê.
Foram uns larguíssimos milhares de ferverosos trabalhadores que 'engoliram' este bem amanhado isco e vá de dar o respectivo pré para o tal 'saquinho' solidário.
Veio-se a saber que o destino do dinheirão arrecadado terá ido directamente para os bolsos do tal 'esperto'. Foi uma coisa, como dizer... interessante, porque as consequências de tal aldrabice foram exactamente nenhumas!
Disse interessante porque, na verdade, o que se passa no dia a dia no 'jardim à beira-mar plantado' é exactamente o mesmo: uma grande parte - a maioria - do pessoal esfalfa-se a trabalhar para pagar as prestações da casinha, do pópó, da máquina de lavar roupa e a de lavar loiça, da tv-cinema-em-casa, e do mais que está para aí à disposição dos carentes desses confortos, em condições muito vantajosas e absolutamente irrecusáveis.
Claro que se a coisa corre mal - e quase sempre corre péssimamente - há umas outras beneméritas organizações que oferecem créditos, dinheiros, muitos ou poucos, a pagar depressa ou devagar - à escolha do parceiro - e... já está... tapa-se o buraco abrindo um muitíssimo maior.
O que é que isto tem a ver? Tudo, tem tudo a ver!
Um tipo pode ser um teso que mal tem para comer mas, se tiver um emprego certo, isto é se for, oficialmente 'trabalhador', tem acesso garantido a estas maravilhas e... prontos, depois é só aguentar com os juros de vinte e tal... trinta por cento e viver feliz para sempre...
Conclusão triste a que chego: o melhor é não ser 'trabalhador' e viver um permanente 1º de Maio.
Assim fica-se a coberto de tantos benefícios e dorme-se um pouco mais tranquilo.