Coisas simples, de importância e interesse muito, muito relativos mas boas para "descomprimir".

Coisas de interesse muito relativo, que vou escrevendo,



quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

As Cuecas de Hitler

As cuecas de Hitler


Não sei se ouviram contar que, há dias, uns meliantes, assaltaram o escritório das Termas.
Levaram uns computadores e mais umas coisas sem importância. Remexeram aquilo tudo, sem nenhum critério especial, a não ser andarem à procura de qualquer coisa convertível numa ou duas “doses”.
No dia seguinte, o Joaquim, começou a dar voltas ao trafêgo e descobriu no meio daquela balbúrdia, umas cuecas.
Chamado a colaborar na apreciação do insólito, posso adiantar o seguinte:

Nada teria de especial a não ser o facto de, haver umas cuecas no escritório que não é, normalmente, um local onde haja roupas brancas mas, enfim...

Examinadas as ditas cuecas com aprofundado detalhe, deu-se conta de que eram umas cuecas manifestamente de homem, de estatura média, que estavam impecavelmente lavadas e conservadas, sabe-se lá, há quantos anos.

Uma etiqueta cosida no cós, rezava: Shmit unt Shmit, Willelm Strasse – Berlin – Deutschland, 1941. Brilhantemente deduzi que as cuecas eram de genuíno fabrico alemão e quase tão velhas como eu.

Puxando pela minha preclara inteligência, também deduzi que as cuecas em apreço deveriam ter pertencido a um alemão, chamado Stokler, que refugiado em Portugal por causa da guerra, se dedicava a montar complicadíssimos esquemas eléctricos para aquecimento de água.

O Stokler aparecia todos os anos em Monte Real e passava lá uns dias a arranjar o sistema de aquecimento de água da buvete das Termas, sistema, aliás, inventado por ele. Hoje em dia, seria canja e até eu com metro de meio de fio e um busca-pólos seria capaz de fazer aquilo.

O homem, sempre com um lacinho à Churchil, debruçava-se na confusão de fios, resistências e bornes com uma eficiência que a mim, um pivete que era, me parecia o Van Braun da água quente.

O Stokler, nos dias que por lá passava, aboletava-se nos anexos do Balneário e, coitado, aquilo para ele era o Ritz. Ás vezes tinha de ir a Lisboa buscar não sei que peças e, deve ter sido de uma dessas vezes que, as cuecas lá ficaram.

Fiquei ali olhando a peça íntima enquanto no meu cérebro germinava, impetuosamente, uma ideia fantástica.

É conhecida a minha actual situação de alguma…digamos…constrição económica e a dificuldade em arranjar uma solução para o assunto. Vai daí, peguei no telefone e liguei para um conhecidíssimo leiloeiro:

Depois da abertura: meu caro…como vai…etc. e tal e coiso …larguei:

- Tenho aqui na minha mão uma peça de valor muito interessante que gostaria de vender.

- Mas o que é, de que se trata, pergunta-me o marchand.?

Meu amigo – respondo – isto é de tal maneira valioso que não me arrisco a dizer-lhe pelo telefone, não vá haver ouvidos indiscretos…compreende.

O homem compreendeu:

- Por volta das cinco da tarde estou aí.

E estava. Mostrei-lhe as cuecas e o fulano ficou de pedra.

- Desculpe-me…mas o senhor chama-me aqui para me mostrar umas cuecas?

- Homem, repare bem: Etiqueta alemã, data, tipo de pano – linho egípcio do tempo da Maria cachucha – o senhor não percebeu ainda?

Olhava para mim como seu tivesse uma broa em cada olho…

- Homem! Estas cuecas são, aliás, foram do Hitler!

Isto foi dito com tal solenidade e determinação que o adeleiro teve de se sentar em busca de apoio.

- Mas…mas como? Balbuciava, como pode garantir-me uma coisa dessas?

- Ora, ora, como posso garantir. Da mesma forma que o senhor não me pode garantir que não são.

Estas cuecas foram fabricadas na Alemanha durante a guerra, foram lavadas com sabão amarelo que era o detergente que havia na altura, portantos, quaisquer vestígios para análises de ADN, acastanhados atrás ou amarelentos à frente, desapareceram – sim, era de admitir que o Hitler na sua esquizofrenia quando discursava horas a fio nas tribunas desse o seu traquezito, embora ninguém dissesse coisíssima quando não a Gestapo enviava o delator para a frente russa em menos de um ai – logo, sublinhei, quaisquer elementos de prova pura e simplesmente não existem.

- Bom, bom, dizia-me o dos leilões, mas é claro que, isto, não vale assim tanto dinheiro.

Mostrei a minha mais solene indignação:

_ Olhe, meu caro senhor, antes de falar consigo estive em contacto com Londres, sabe? E…adivinha o que me disseram, hã? Adivinha? Que mandavam um sujeito no primeiro avião buscar as cuecas! Mai nada!

O homem contemporizou:

_ Bem…claro…eu…não digo que não valham nada. É uma peça interessante sem dúvida e há sempre coleccionadores que apreciam este tipo de items. E quanto é que o Senhor Alves quer estabelecer como preço mínimo?

Eu não levei muito tempo, já tinha a coisa engatilhada.

_ Olhe, senhor fulano, a base de licitação não pode ser menos de10.000 Euros!

_ Mas…Senhor Alves…isso é absolutamente impossível!

- Bem…bem, digo eu, recolhendo as cuecas que o homem tinha na mão… vou falar para Londres e prontos…

_ Não…não…de modo nenhum. Por patriotismo, apenas por patriotismo, acho que uma peça destas deve ficar no País, vou encarregar-me da sua venda. Darei noticias e abalou.

Bom, pensei eu, isto agora é má altura para leilões, mas, se calhar, lá para Abril ou Maio entram dez mil dele que é uma beleza.

Apressei-me a falar com o Joaquim, recomendando:

- Eh pá, passa-me isso tudo a pente fino a ver de me descobres umas camisas, umas meias, uma camisola rota…qualquer coisa, pá que eu possa impingir como, por exemplo: as meias do Goering, a camisa do Goebels a camisola do Himmler.

Cinquenta Mil Euros

Cinquenta Mil Euros


Não sei se sabem mas eu tenho vários Blogs na Net e, num deles, resolvi por o seguinte anúncio.

Gaste um dinheirão e ganhe milhões.

Pareceu-me que a coisa era mais, digamos, credível, que aquela conhecida “é barato e dá milhões”

Estou convencido que em breve terei alguns interessados a fazerem perguntas, pedindo esclarecimentos, etc.

Explicarei:

- A minha mulher tem um Fiat Punto de 1998 com 60.000 kms. O carro está porreirinho, tem umas mossas - coisa pouca – dos lados, que os estacionamentos do centros comerciais já se sabe como são!, e pneus novinhos em folha. Ora bem…eu vendo o popó por 50.000 Euros.

_ Mas o senhor é maluco ou quê? Hão-de invariavelmente retorquir-me.

E Eu, também invariavelmente, explicarei:

_ Oiça: O senhor tem dinheiro ou não tem? É, digamos, rico, ou só tem uns cobres para pagar o “laser” do Mercedes? É que se o senhor é rico, rico a sério, então este negócio é para si, compreende.

_ Mas…mas…

_ Veja se entende: O senhor compra-me o Fiat e a gente põe no jornal e nas televisões:

· Milionário compra Fiat Punto de 1988 por 50.000 Euros.

Sabe o que é que acontece? Imagina o que sucede a seguir?

- Bem…eu…

_ Oh homem, está mais que visto. Há-de haver um palerma qualquer que há-de pensar assim: Eh pá! Se aquele tipo dá por um carro daqueles aquele taco todo, eu também quero e, vai daí, faz-lhe logo uma oferta e, o meu caro amigo, só tem de pedir, digamos, mais uns dez mil dele.

Está a ver a coisa?

Vamos lá a ver se alguém vê… eu cá…topo!